Subject: Tens razão desta vez. Concordo com a análise que fazes.
Author:
João Laveiras
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Date Posted:29/11/04 17:44 In reply to:
Adriano Rodrigues
's message, "A pequenez política dos dirigentes do Bloco" on 29/11/04 17:30
Pois é, como disse há bem pouco tempo o Cavaco (de triste memória), os políticos são cada vez mais incompetentes e esse mal abrange todos os partidos sem excepção. Desta vez a burrada foi do BE. De facto o PCP não tinha de os referir expressamente. Nem tão pouco o deveria fazer no Congresso para se não ouvirem as vaias do costume.
>Acabamos de voltar a ver que os dirigentes do Bloco de
>Esquerda vivem politicamente apenas ao ritmo da
>comunicação social sendo nela quase tão vidrados
>quanto Santana Lopes.
>
>De facto, bastou um dois jornalistas (amigos ou não do
>BE) terem lançado o tema de que, primeiro, Carlos
>Carvalhas e, depois, Jerónimo de Sousa teriam
>«ignorado» o BE nos seus discursos no Congresso do PCP
>para logo virem a Ana Drago e mais alguns bloquistas
>dos blogues assumirem as suas dores por essa
>gravíssima atitude do PCP.
>
>Vale a pena perder uns minutos a colocar alguns pontos
>nos is nesta questão, para o que basta recapitular o
>seguinte:
>
>1. Tanto Carvalhas como Jerónimo de Sousa, nos seus
>discursos, referiram-se variadas vezes às forças
>democráticas e aos partidos da oposição, sublinhando a
>vantagem e importância da sua cooperação ou
>convergência, o que inclui obviamente o Bloco de
>Esquerda.
>
>2. O facto de não se terem referido explicitamente ao
>BE é coisa que os dirigentes do BE até deviam ver como
>uma atitude de não hostilidade pois, se o tivessem
>feito, poderiam ter de enunciar divergências ou
>efectuar alguma demarcação crítica.
>
>3. No que respeita à questão da alternativa política
>de esquerda, é inteiramente compreensível que o PCP
>concentre as suas atenções e discurso de Congresso na
>questão das atitudes e orientações do PS, pois o PCP e
>o BE até se podiam dar como Deus e os anjos que nem
>por isso estaria garantida uma alternativa de política
>e de governo para o país.
>
>4. No sábado passado, em dia de Congresso do PCP, o
>Diário de Notícias publicava uma entrevista de fundo
>com Francisco Louçã em que a questão da alternativa
>era abordada e Louçã não fazia qualquer referência
>ao PCP, situando as suas declarações só no âmbito da
>relação PS-BE.
>
>5. Nas Convenções Nacionais do BE não consta que os
>discursos dos seus principais dirigentes tenham
>contido grandes referências ao PCP e quando têm
>contido é sobretudo para afirmar que o PCP é a
>«esquerda cansada» e outros mimos que, feliz e
>acertadamente, Carvalhas e Jerónimo não tiveram a
>tentação de retribuir no Congresso do PCP.
>
>6. No último Congresso do PS, nos discursos de Ferro
>Rodrigues e de José Sócrates não houve qualquer
>qualquer referência ao Bloco de Esquerda e, apesar
>disso, não viram quaisquer queixumes ou lamúrias dos
>dirigentes do Bloco de Esquerda.
>
>De tudo isto, resulta claríssimo que os dirigentes do
>BE julgam que a sua agremiação é o centro do mundo e,
>de tão apaparicados pela comunicação social, até a
>respeito do Congresso do PCP queriam estar em cena. Já
>não lhes basta que as suas posições tenham um
>desproporcionado eco e generosidade da comunicação
>social. Acabam de mostrar que querem ter eco só porque
>o PCP não falou deles. Chama-se a isto pequenez
>política. Não haverá ninguém que lhes ofereça um
>espelho ou uma embalagem de chá de tília ?
>
>PS: Solicita-se encarecidamente aos prováveis
>oponentes deste escrito que, em vez de blá-blá geral,
>se pronunciem sobre os seis pontos concretos que estão
>lá atrás.
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