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Date Posted:11/08/04 13:24 In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Nenhum dos candidatos a SG do PS é bom..." on 11/08/04 11:32
O Redondo não nos explica a sua versão do socialismo (se a estatização da economia, se os produtores organizados em cooperativas, se...) e os candidatos a s-g do PS também não nos fazem esse favor, embora tenhamos exemplos da sua prática política anterior de que não andem longe do que o Redondo diz.
Por minha parte, chegava-me se eles se assumissem, de vez, como verdadeiros social-democratas. O problema é que só o fazem quando se reformam, como é exemplo o seu decano Mário Soares.
Para ficar esclarecido, bastava-me, na linha do que diz o Statter, que explicitassem:
-a sua futura política fiscal (por exemplo, se passariam a tributar a banca como qualquer outra empresa, se baixavam os impostos para quem ganha dois e três salários-mínimos, se punham fim à escandaleira do off-shore da Madeira);
-o seu projecto de desenvolvimento do país (mantendo a tradicional pecha do salário baixo que nos acompanha desde antes do salazarismo, ou se, por exemplo, como contributo simples para essa alteração, punham em prática as 40 horas semanais e colocavam uma meta temporal de 3 ou 4 anos para o salário mínimo igual ou próximo dos 500€);
-se passariam a considerar os sindicatos como interlocutores privilegiados, para redimir culpas dum passado vergonhoso, quando os encararam como inimigo declarado a quem era necessário quebrar a espinha (trabalho que fizeram com algum êxito, porque a outra parte do trabalho fê-lo o PCP assaltando-os, blindando-os e amarrando-os à defesa das empresas nacionalizadas "nossas" e da "economia nacional" que os conduziu à perda de representatividade e ao estado de instituições burocráticas que são hoje);
-se abandonariam a política do subsídio do Estado às empresas (com o dinheiro que subtraem dos impostos pagos por quem trabalha...) e se passariam a impôr o rigor que se impõe nas privatizações, nas concessões, nas empreitadas, etc., etc.
Em meu entender, bastava, talvez, serem homens sérios (ainda que políticos profissionais...) e clarificarem se passariam a olhar com outros olhos para os interesses de quem trabalha e ganha menos.
Esperar dos três personagens em compita clarificações deste tipo é talvez esperar em vão, mas seria o mínimo de quem se afirma socialista, como acontece com todos eles.