"nenhum trabalhador deveria concordar com este ponto de vista" em vez de "nenhum trabalhador poderá concordar com este ponto de vista".
Só pode ser um desejo porque a realidade é que muitos "trabalhadores" pensam de forma diferente do Paulo e, por exemplo, até ajudaram com o seu voto a criar a maioria que nos governa.
Esta invocação dos "trabalhadores" para legitimar opiniões avulsas é aliás cada vez mais inaceitável.
A reinvenção da esquerda passa sem duvida pela resolução da indefinição acerca dos interesses de classe que cuja prossecussão legitima a acção política.
Caducada a visão do século XIX quanto à hegemonia numérica da classe operária e numa sociedade em que os assalariados no sector privado já não constituem a maioria da população
coloca-se o desafio de perceber quem é o "povo" que enche os nossos discursos.
Sem sabermos quem é o "povo" não podemos saber como realizar o "bem comum" que numa sociedade democrática legitima a política.
Sem definirmos esse "bem comum" o apoio às reivindicações pontuais e de grupo é puro oportunismo pois não as integra num movimento de progresso.
Evitando meter as mãos na massa os nossos dirigentes optam por uma de duas vias:
- a retórica sindical para tentar cavalgar todos os descontentamentos (mas a política não existe para obter aumentos de ordenado. É para transformar a sociedade)
- o já famoso "outro mundo é possível (mas não sei bem qual)"
Ao contrário do Paulo penso precisamente que o socialismo, no sentido de uma nova sociedade baseada em novas relações de produção, está na ordem do dia.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]