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Date Posted:16/08/04 16:33 In reply to:
Luis Blanch
's message, "Re: Acumulação Sem exploração 2" on 16/08/04 15:28
Estimado Luís Blanch,
Para mim (pondo, claro, os óculos ideológicos do marxismo...) é evidente que houve exploração na URSS. E MUITO intensa! Como aliás está a haver na China...
Divagando um pouco: A propósito de outras "explorações" costumo comentar com a minha mulher e primos da parte dela (tudo gente francesa...) que o "mal" da França (relativamente à Inglaterra...) é o facto de a França ser muito mais rica (solo e clima...) do que a Inglaterra. A EXPLORAÇÃO da terra em França rendeu sempre mais (até à Revolução Agrícola...) do que em Inglaterra. Até condicionou a emergência da sua (deles) escola de pensamento em teoria económica... Os "Fisiocratas".
Por outro laod, os monjes de Alcobaça (e das outras centenas de mosteiros por essa Europa fora) fartaram-se de explorar bem as terras que ocupavam... Explorando-se também a si mesmos. E por isso é que se criaram na Europa as condições de acumulação que levaram à situação propícia à emergência do Capitalismo...
Agora, de facto, acontece que desde Marx, que muita gente pensa que exploração é só quando um "malandro" de um capitalista (ou de um "aparatchik"!!!... eh eh eh), "explora" o trabalho e as mais-valias de outros.
Chamo também a atenção para um êrro clássico dos marxistas "mais ortodoxos". Consiste esse êrro em partir do princíoio que o trabalho de invenção, organização ou coordenação de quaisquer actividades produtivas não fosse (esse mesmo trabalho de coordenação) também ele PRODUTIVO!!!
Mesmo analizando o caso japonês (que seguiu uma via de desenvolvimento de organização industrial algo distinta do taylorismo), mesmo aí, a coordenação das equipas é avaliada e valorizada por si mesma... No sentido em que há uma fracção do tempo de cada um dos "produtores", à qual fracção se atribui a função de "pensar/coordenar"...
Mas já estou mesmo a divagar... Retornando ao tema, repito que exploração houve, e não foi pouca, na URSS. E por não ter sido mais intensa, mais rápida ou mais eficiente, é que aquilo acabou por falhar... Houve outras razões, claro!
Cordiais saudações.
Guilherme Statter
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