Subject: Re: PCP: um esboço de antropologia portuguesa
Author:
observador acidental
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Date Posted:21/11/04 18:46 In reply to:
Ângelo Novo
's message, "PCP: um esboço de antropologia portuguesa" on 21/11/04 17:57
O meu nome real é João Paulo Monteiro e vivo em Portugal, nos arredores da cidade do Porto. Sou advogado e consultor jurídico numa autarquia nortenha. Algumas notas biográficas minhas podem ser encontradas aqui .
Esta página porém pertence a Ângelo Novo, um personagem distinto e com uma vida própria. Ângelo Novo é um poeta e um revolucionário. A ordem dos factores não é aqui arbitrária. Foi no desenvolvimento e aprofundamento da sua linguagem poética que ele se foi aproximando da teoria, história e prática revolucionárias, nas quais se acabaria por fixar. Para si, poesia e revolução tendem a tornar-se sinónimos. Ângelo Novo é comunista. Pertence a um bando de fugitivos que permaneceram fiéis a um exército em debandada, mas conservando as suas altas ambições. "Estamos refugiados em cavernas no alto dos montes e estudamos um plano para resistir. Não procuraremos nos próximos tempos descer da montanha para contra-atacar o inimigo de frente. Mas, em concerto com outras tribos fugitivas, próximas ou longínquas, estamos determinados custe o que custar a esperar que chegue a nossa hora." (Sakai Toshihito, Editorial nº 1 de "Shin Shakai" - A Nova Sociedade -, Tóquio, 1915).
A hora sente-se já próxima.
Nasce na cidade da Beira, na ex-"província ultramarina" de Moçambique, a 17 de Abril de 1961, filho de pais portugueses aí emigrados.
Vive em Portugal, no concelho de Vila Nova de Gaia desde 1968.
Instrução primária concluída na Escola das Devesas, em Santa Marinha-V. N. de Gaia.
Frequenta a antiga Escola Preparatória Teixeira Lopes, em Mafamude-V. N. de Gaia.
Saúda entusiasticamante a revolução de Abril e confraterniza com populares e soldados sublevados no Quartel da Serra do Pilar e 1975.
Em 7 de Julho de 1977 é detido por fumar cannabis e passa uma noite no Aljube de Sta. Clara, no Porto.
Próximo do anarquismo.
Estudos secundários no então Liceu Nacional de Vila Nova de Gaia onde conclui, no ano lectivo de 1977/78, o curso complementar dos liceus (disciplinas nucleares História e Filosofia).
Adquire experiência em associativismo estudantil e animação cultural. Conclui o Ano Propedêutico de acesso ao Ensino Superior, no ano lectivo de 1978/79.
É um leitor incansável de romances, novelas e poesia, sendo bastante influenciado pelo existencialismo de Camus.
No ano lectivo de 1979/80 matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Eleito em anos sucessivos membro da Assembleia de Representantes da Faculdade pelo corpo dos discentes, fez também parte do seu Conselho Pedagógico, tendo ganho larga experiência na condução de lutas estudantis e negociação de conflitos académicos, em especial pelo papel de representante eleito dos alunos nas várias Comissões de Curso que integrou.
Começa a ler Marx e aproxima-se da esquerda socialista auto-gestionária.
Organiza e edita alguns títulos efémeros de Imprensa estudantil.
É admitido como membro e reside, durante o período de aulas, na Real República dos Pyn-güyns, na zona da Cruz de Celas em Coimbra.
Desenvolve actividade associativa no Grupo Ecológico e no Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra (A.A.C.), tendo sido também várias vezes candidato aos corpos gerentes e uma vez à presidência desta entidade associativa.
Entre 1982 e 1985 é Secretário da Redacção da revista cultural 'Vértice', então sediada em Coimbra, na qual então publica numerosos artigos de recensão, crítica ou ensaísticos.
Adere, em 1983, à Juventude Comunista Portuguesa e, mais tarde, ao Partido Comunista Português, deixando de militar neste partido em 1986.
Colaboração escrita, em prosa e poesia, em diversas publicações ('JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias', Suplemento Cultural de 'O Diário', Suplemento Ler e Escrever de 'O Diário de Lisboa', 'Jornal das Beiras', etc.).
Conclui a sua licenciatura em Direito, no ramo de Ciências Jurídico-Económicas, no dia 10.07.1985.
No final dos anos 80 é muito marcado pela leitura de Nietzsche.
Em 15.05.1987 conclui o seu estágio para a advocacia, realizado na cidade do Porto, com uma dissertação sobre o tema "O Direito, a Justiça e a Liberdade", depois publicado pela revista 'Vértice'.
Em 1986 é galardoado com o Prémio Literário Manuel Laranjeira, instituído pela Câmara Municipal de Espinho, por uma obra em poesia com o título de "O Ídolo da Juventude".
Publica poemas no suplemento cultural de 'O Comércio do Porto' e na revista 'Sempre'.
É membro da Direcção do Cineclube do Porto entre 1986 e 1989 e director da revista de cultura cinematográfica 'Cineclube'.
Abre escritório de advogado, na Rua Formosa, nº 414-4º dtº, na cidade do Porto, em Janeiro de 1988; em Julho de 1997 transfere o seu escritório para a sua actual residência, Rua Agro de Moinhos, 199, 2º-dtº 4430 Vila Nova de Gaia.
Entre Junho e Novembro de 1988 exerce funções, em regime de ocupação temporária, junto do Pelouro de Obras Municipais da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.
De Novembro de 1988 a Fevereiro de 1989 exerce funções de revisor de provas tipográficas no jornal 'O Primeiro de Janeiro'.
Interessa-se pelo romance histórico de cariz regional e pelo ethos nortenho.
Entre Fevereiro e Agosto de 1989 é membro da Redacção do jornal diário 'O Século' (Delegação Norte) e escreve quotidianamente neste periódico, tendo obtido o título provisório de Jornalista Estagiário.
Em Setembro de 1989 inicia funções como Técnico Superior (Jurista) na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, onde desempenha tarefas de consultoria jurídica no seu Departamento Jurídico.
Actividade literária esparsa, ensaísmo filosófico e político-filosófico, intervenções radiofónicas.
Thomas Mann, Robert Musil, James Joyce, T. S. Eliot, Hermann Broch, Kafka, Céline, Malcolm Lowry e muitos outros.
Sigmund Freud.
Período de grande descrença nas virtualidades da intervenção política organizada.
É membro do Conselho de Redacção da revista literária "Última Geração" (Porto), onde publica numerosos trabalhos poéticos, ensaísticos e algumas traduções.
Participa nas "Conferências do Inferno", em 1990 e 1994, organizadas pela revista "Última Geração".
Publica um livro de poemas intitulado "Exílio de Caim" (Black Sun Editores, Lisboa, 1992).
Participa, durante um breve período, nas actividades do grupo de reflexão e activismo político "Inquietação", no Porto.
Colabora no volume "Ícones", colectânea de nova literatura portuguesa publicada por Quatro Elementos Editora, Lisboa, 1994.
Dá início à publicação de uma obra de ficção científica - 'Angelus Novus' (Edições Mortas, Porto, 1995).
Desde 1992 é colaborador permanente na revista comunista "Política Operária", dirigida por Francisco Martins Rodrigues, onde tem publicado artigos de análise política e de reflexão teórica na senda do renovamento do pensamento de Karl Marx.
Desde então, aprofunda continuamente os seus estudos de história e teoria do socialismo, em particular do movimento comunista de inspiração marxista.
A partir de Janeiro de 1994, passa a assinar com o pseudónimo Ângelo Novo todas as suas obras de carácter literário ou ensaístico.
Colaboração esporádica em "O Comércio de Gaia" e na revista "Malasartes" (Coimbra).
Desde 1994, vive maritalmente com Maria Olinda Morais, com quem se casa em Janeiro de 1998.
Publica um volume de tradução de algumas cartas e poemas de Arthur Rimbaud, "Cartas do Visionário e mais Nove Poemas" (Fora do Texto, Coimbra, 1995).
Desde 1996, participa assiduamente na internet em diversas listas de correio electrónico de debate marxista.
É candidato pelas listas da CDU, como independente, à Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia nas eleições autárquicas de 1997 e 2001.
Traduz 'O Capitalismo Histórico seguido de A Civilização Capitalista', de Immanuel Wallerstein, publicado em 1999 pela editora Estratégias Criativas.
Publica um volume de ensaios politico-filosóficos sob o título "O estranho caso da morte de Karl Marx" (Edições Mortas, Porto, 2000).
A partir de Maio de 2001 inicia uma investigação aprofundada com vista a escrever uma biografia intelectual de Karl Marx.
Realiza estudos e reflexão ensaística sobre o comunismo e a teoria da transição.
Publica da revista 'Vértice' nº 117, Maio-Junho 2004, um ensaio sob o título 'Que outro mundo é possível?', com propostas estratégicas para a recriação de um movimento comunista global.
A 15 de Outubro de 2004, participa com Francisco Martins Rodrigues e Ronaldo Fonseca num debate sobre "O legado de Marx nos 140 anos da I Internacional dos Trabalhadores", realizado na cooperativa 'Árvore' no Porto.
PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Sector Intelectual do Porto
Avenida da Boavista
PORTO
.
Porto, 1 de Fevereiro de 1988
Caros Camaradas:
Em resposta à V/ carta-circular de Dezembro, ou motivado proximamente por ela, sou a comunicar-vos que não mais desejo permanecer membro do Partido Comunista Português.
Esta é uma decisão do foro pessoal, que se foi acumulando na minha consciência a pouco e pouco ou, porventura, se foi antes adiando indefinidamente por não ter pretexto imediato que a justificasse.
Não estou “arrependido” nem faço parte de qualquer dissidência.
Não vou pois maçar os camaradas com grandes arrazoados teóricos. O que se passa é que perdi a certeza. Ou, talvez melhor, deixei de considerar a solidariedade como aquele valor fundamental que justificasse e me justificasse num empenhamento pessoal tão exigente. Com toda a clareza: não desejo mais que uma opção de classe me cerceie na minha paixão de sopesar a vida no seu fluir absolutamente livre e originário. Sem peias e, sobretudo, sem moral nenhuma.
Não é que me iluda com a “independência”. Claro que tomo opções e, no que à política diz respeito - campo este de que me tenho afastado muito - continuo a acreditar na emancipação global do homem e do trabalhador, por um alargamento da sua consciência que lhe permita tomar em mãos e protagonizar efectivamente o seu destino.
Sinto, porém, que não posso mais assegurar um compromisso de miltância política com um mínimo de seriedade, encerrado num molde normativo que, muito compreensivelmente, tem a sua rigidez e monolitismo. Não o posso fazer (e, por isso, não o devo fazer) sentindo, como sinto, este desejo imperioso, brutal e egoísta de ver tudo de novo e de reavaliar constantemente as coisas.
(...)
Dentro dos V/ esquemas normais de trabalho com pessoas próximas e de certa confiança (assim espero), podem contar sempre comigo. (...)