Ontem à noite, devido à hora adiantada, não deu pra te dar troco a mais esta tua tirada grandiloquente. Mas, pronto, dou-te agora!
Então, tu intitulas-te marxista e vens práqui apresentar as teorias burguesas de legitimação do lucro? Afinal, qual é a tua (preferência)? Está-me a cheirar a esturro! Bem, mas deve ser apenas pla tua estupidez, porque não tens alcance pra mais!
Mas esta do capitalista legitimar o lucro como um custo, é mesmo do caraças! É tal como o ladrão justificar o produto do roubo como o custo de roubar! Só com uma diferença: o primeiro, é o senhor do Mundo, o segundo, vai de cana!
Ah! Mas isso, dizes tu, é o que eles ensinam à rapaziada nas escolas. Tens um cantar tão doce!
E essa da "única fonte do valor ACRESCENTADO é o trabalho humano", não é apenas marxista, é também dos economistas clássicos A. Smith e D. Ricardo. Está visto, que com esse reconhecimento podem todos bem. Se a seguir legitimarem o lucro como retribuição da iniciativa, do mérito e do risco do capitalista, qual é o problema da fonte ser o trabalho?
A questão, porém, é outra: é se essa fonte é o TRABALHO VIVO da força de trabalho, e se, apesar de esta ter sido vendida pelo seu valor, o trabalhador tem direito ao lucro, como defende o marxismo.
Se a troca visasse apenas suprir necessidades não satisfeitas recorrendo à permuta de utilidades e fosse realizada entre gente séria e honesta, se fosse uma troca equitativa, o lucro seria nulo, já que todos ganhavam e ninguém perdia. Na troca capitalista, porém, se nem entre capitalistas ela é uma troca equitativa, por várias razões que não podem controlar totalmente, e apesar de procurarem que o seja (fixando os preços baseando-se na estimativa de taxas de lucro idênticas), muito menos ela o é entre capitalistas e trabalhadores!
Neste sentido, é legítimo os trabalhadores reivindicarem o lucro como parte do produto que lhes foi extorquido pelo facto de os obrigarem a vender a sua mercadoria abaixo do valor que eles acham que teria. Mas a troca, ao contrário do processo de trabalho, que é um processo físico, é uma relação social entre pessoas, na qual é inevitável o choque e a contradição de interesses, e cujo resultado depende da relação de forças. E, para garantir uma relação de forças que lhe seja totalmente favorável, o capitalista não pode dispensar a intervenção do seu Estado.
A vida, para além de processo físico, é um emaranhado de relações sociais; e a produção das condições de existência, para além da contabilidade do deve e do haver, aquilo a que se convencionou designar por economia, não dispensa o cassetete da polícia (e tudo o que com ele se quer simbolizar). Daí que, com propriedade, ao invés de economia, devamos é falar de economia política!
Bem, Statter Tiroliroló, não achas que é tempo de reflectires um pouco sobre as discussões velhas em vez de estares a abrir novas discussões? É que assim vais sempre passando como gato sobre brasas e não aprendes népia, pá! Corrige, ao menos, os teus maus hábitos!
Toma cuidado! Se continuas armado em pavão impante, um dia destes ainda te bradam: o rei vai nu! O rei vai nuuuuu!