Aquilo para que pretendi chamar a atenção no meu texto, e que é a posição oficial do PCP e de alguns dos intervenientes neste fórum, é de que aquele partido não tem tão “boa imprensa” como o Bloco de Esquerda, porque este é muito menos “revolucionário” do que o PCP e em última análise porque é um partido vendido ao sistema e de que este se serve para atacar os comunistas. É evidente que há um “a priori” ideológico nesta posição, mas que encontra suporte justificativo na atitude dos media, aplicando aquilo que eu denomino um marxismo vulgar ou mecanicista.
Ainda, na entrevista de Carvalhas a Judite de Sousa este justifica os "menos bons" resultados do PCP e os bons do Bloco nas últimas eleições europeias com a “má ou boa imprensa” que cada um teve.
É isto que eu critico, e fundamento as minhas afirmações na maneira com que um e outro partido encaram o contacto com os media, que no fundo corresponde à maneira como pretendem actuar na sociedade. E sobre isto poderíamos travar aqui uma outra discussão, que provavelmente seria bastante interessante, mas que levaria a pôr-nos todos à pancada, mesmo que fosse por interpostas pessoas.
É evidente que o problema do domínio dos media e da sedução ideológica que estabelecem com o público, a hegemonia cultural e ideológica que permitem que as classes dominantes estabeleçam na sociedade é um outro facto, que tem sido denunciado por muitos estudiosos destas questões, que tem que ser encarado pela esquerda como uma das suas principais linhas de actuação política. Mas este facto, que é real, não nos pode levar a simplificar tanto a questão que a “boa ou má imprensa” que cada partido tenha seja o reflexo imediato das suas posições mais ou menos “revolucionárias”. É pois isto que eu quero dizer.
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