As possbilidades de contraria o opaco regime da imprensa burguesa são grandes e a insistência na dita como inimigo público número 1 facilita e não combate a dita opacidade.
Exemplos de capacidade de usar de forma alternativa a imprensa a afvor de causas progressistas:
1 - Michel Moore é hoje a figura mais mediática no mundo - e não se pode dizer que a sua posição não seja radical
2 - Fidel de Castro é geralmente um mestre no uso da imprensa burguesa
3 - entre as candidaturas a sec. geral do PS, a de Manuel Alegre é a que consegue maior projecção mediática
4 - na luta por eleições antecipadas, depois da saída de DBarroso, obteve audiência maioritária na imprensa e a capacidade de os patrões imporem a saída continuista foi seriamente posta em causa. (aqui não posso descartar a hipótese de o envolvimento do patronato da imprensa não ser mais drástico, poder ter a ver com uma noção antecipada da decisão de Sampaio).
5 - A recente luta dos médicos internos, questionadora da política de saúde do ministro (ministros dos mellos e da gália) e das instituições conservadoras da medicina foi amplamente noticiada e embaraçou também por via dessa cobertura as ditas instituições.
6 - Ainda hoje a denúncia do PCP de alargado compadrio nas nomeações para lugares de chefia do Estado foi amplamente coberta
É claro que estes exemplos referem-se a escaramuças e que se pode sempre dizer que em momentos mais decisivos de um eventual enfrentamente, a natureza da propriedade virá ao de cima. Mas mesmo aí, há que contar com o facto de os profissionais do sector poderem ainda jogar algum papel na luta pela democracia.
Considero a impresnsa portuguesa muito razoável em termos de liberdade, pluralismo e capacidade de penetração de pontos de vista democráticos do que congeneres europeias e sobretudo se a compararmos com o que se passa nos EUA. Por isso acho a retórica do PCP sobre a imprensa muito desajustada.
Convém ter em conta que na minha diretoria estão mais artigos chumbados do que aceites na impresnsa burguesa e que, nem por isso, deixo de continuar a considerá-la um terreno de luta.
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