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Subject: Mundo Desenvolvido em Pânico com Aumento de Preço dos Cereais


Author:
Washington Post Foreign Service
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Date Posted: 16/05/08 12:12:05
In reply to: Boaventura de Sousa Santos 's message, "A fome infame" on 11/05/08 13:52:41

Mundo Desenvolvido em Pânico com Aumento de Preço dos Cereais

A razão do aumento dos preços e da escassez dos cereais para alimentação na Ásia e em todo o lado está nas leis norte-americanas que estimulam o desenvolvimento de bio-combustíveis. Sem os brutais aumentos do preço do crude, motivado pela especulação e o aumento da tributação indirecta, o preço do milho, do trigo e do arroz não aumentariam.

Ariana Eunjung Cha - 16.05.08

Washington Post Foreign Service

Picos no preço do arroz e outras matérias-primas alimentares estão desencadeando o pânico nos consumidores, incluindo tumultos por comida no Yemen e em Marrocos e açambarcamentos em Hong-Kong.

Os governos de todo o mundo tomaram nas últimas semanas medidas radicais para controlarem os abastecimentos de arroz nos seus países. O Egipto afirmou há dias ir cancelar a exportação de arroz por seis meses. O Cambodja suspendeu todas as exportações de arroz do sector privado e a Índia e o Vietname impuseram igualmente restrições.

Os preços dos cereais (milho, trigo e arroz) têm subido desde 2005 devido à pressão dos agricultores, que preferem a plantação para bio-combustíveis em vez de para alimentos, assim como devido à falta de progresso tecnológico no rendimento das colheitas, à seca e às pestes. O maior aumento foi no presente ano, com o preço do arroz Thai (referência mundial) praticamente a duplicar desde Janeiro para $760 por tonelada métrica. Alguns analistas esperam que esse preço atinja $1.000 nos próximos três meses.

Tang Min, um antigo economista-chefe do Banco Asiático do Desenvolvimento, declarou que o aumento de preços é a inevitável consequência da oferta e da procura. “A população mundial aumenta, mas o aumento da plantação de arroz não acompanhou”, disse.

Apesar dos esforços dos governos para o aumento dos vencimentos do sector público e para a introdução de subsídios à alimentação, os aumentos de preços e a escassez provocaram violentos conflitos nas linhas de abastecimento, nos centros de distribuição e nos supermercados “a falta de arroz e os motins só não estão inevitavelmente ligados para quem não pensa nos pobres. O arroz é de extrema importância na vida diária dessa gente” disse Tang, secretário-geral da Fundação de Investigação do Desenvolvimento da China, um grupo de estudos sediado em Pequim.

Em nenhum lugar é isso mais verdadeiro do que na Ásia, onde comida não é comida se não tiver arroz.

Wang Qing, economista da Morgan Stanley em Hong-Kong, afirmou que a origem do problema na Ásia e em todo o lado está nas leis norte-americanas que estimulam o desenvolvimento de bio-combustíveis. É isso que “leva directamente à redução da plantação para alimentos,” disse. “Sem aumentos substanciais no preço do petróleo, o preço do milho não irá aumentar. Sem aumentos súbitos no preço do milho, o preço do arroz não aumenta.

A fim de encorajar os agricultores a voltarem a plantar alimentos, a China, a Indonésia e outros países estão a aumentar as compensações mínimas aos agricultores que cultivem cereais para consumo humano.

Contudo, ao mesmo tempo que os países produtores de alimentos passam a aumentar a produção e a reduzir as exportações, ficam sob pressão dos vizinhos importadores de arroz que procuram ajuda. O Bangladesh anunciou que vai importar 400.000 toneladas de arroz para vender abaixo do custo. As Filipinas, onde as manifestações inundaram as ruas atacando o governo por não fazer o suficiente para controlar a inflação, estão a apelar a outros países por abastecimentos de emergência.

O ministro das Finanças do Cambodja Keat Chhon apelou há pouco ao povo para se mantenha calmo, incitando-o a “não armazenar alimentos, para não piorar a situação.”

Alguns peritos afirmam que criar reservas como protecção contra futuras carências só agrava o problema.

“É óbvio que, se todos os países ou consumidores individuais se comportarem da mesma maneira, o açambarcamento causará pânico e extrema escassez nos mercados, levando a uma rápida subida dos preços,” disse Peter Trimmer, professor convidado do programa da Universidade de Stanford sobre segurança alimentar e ambiente.

Por exemplo, disse, “o recentemente eleito governo populista da Tailândia não queria que os preços do arroz ao consumidor subissem e então começou a falar em restrições à exportação da Tailândia, que é o maior exportador mundial de arroz. (…) Como resultado, os preços do arroz na Tailândia saltaram de imediato $75 por tonelada métrica. É assim que se fabrica o pânico.”

“A cultura do arroz é política e o objectivo da maior parte dos governos é a estabilização do seu preço. Ao estabilizar o preço do arroz, o resultado é desviar as flutuações para o mercado mundial,” disse Randolph Barker, chefe da divisão de ciências sociais do Instituto Internacional de Investigação do Arroz, em Manila.

A luta contra a inflação dos alimentos tem sido tanto psicológica, como prática.

Nos estados do Médio Oriente Bahrein, Jordânia e Emiratos Árabes Unidos, os trabalhadores fizeram manifestações pela frustração devida à redução do seu poder de compra. Em Marrocos, os media estatais noticiaram que dezenas de pessoas foram condenadas a prisão por distúrbios e no Yemen pelo menos uma dúzia de pessoas morreram desde o ano passado em motins relacionados com o preço dos alimentos.
Na China, o governo está preocupado com o efeito que a inflação, já em 1989 tendo contribuído para os protestos da Praça Tiananmen, também agora tem tido nalguns inquietantes incidentes.

Em Agosto de 2007, um supermercado da cidade de Chengdu, no continente, reduziu o preço dos ovos de 4 yuan por unidade para 3,2 (cerca de $0,32) para atrair clientes. Milhares de pessoas apareceram de imediato no estabelecimento e quatro ficaram feridas naquilo que os media nacionais chamaram “consumo alarmista”.

Em Outubro, uma cadeia de supermercados de Xangai pôs à venda vasilhas de 5 litros de óleo alimentar ao preço de saldo de 30,8 yuan ($4,39, cerca de $2.85 menos que o habitual). Cinco minutos depois da abertura, 19 pessoas ficaram feridas na corrida à compra.

No último fim-de-semana, em Hong-Kong, as prateleiras dos armazéns esvaziaram-se de arroz depois de rumores sobre uma subida de preços. O Concelho de Consumidores de Hong-Kong afirmou que os clientes tinham reagido exageradamente, ainda que a Federação de Restaurantes e Equiparados do território tenha declarado que os restaurantes podiam aumentar de imediato o preço da tigela de arroz de 1 ou 2 dólares de Hong-Kong, ou seja, 20 a 40 por cento.

O aumento dos preços da alimentação teve muito maior efeito nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, porque neles a alimentação conta em muito maior percentagem do consumo global. Na China, é quase 30 por cento, enquanto no Vietname é 40 por cento e na Índia 50 por cento. Nos Estados Unidos, é cerca de 7 por cento.

Com o objectivo de tranquilizar os cada vez mais preocupados consumidores chineses, para quem os preços aumentaram em Fevereiro 8,7 por cento relativamente ao ano anterior, o governo congelou os preços de alguns cereais, carne e ovos. O primeiro-ministro Wen Jiabao anunciou esta semana que a China é largamente auto-suficiente na produção de arroz e tem armazenadas 40 a 50 milhões de toneladas de arroz.

O governo chinês fez também publicar nos jornais locais sucessivas fotografias das suas “reservas estratégicas” de carne congelada, sacas de cereal e barris de óleo alimentar.

Não passa de um fraco consolo para Jiang Caijun, de 35 anos, cujas despesas com alimentação aumentaram ao ponto de já não conseguir comprar nada dentro de Xangai, onde vive. Jiang, que tem uma loja numa barraca onde faz cópias de chaves e arranja bicicletas, tem que perder horas para se deslocar ao campo, para comprar comida para a família.

O pior, diz Jiang, é a sensação de que devido à inflação não se pode controlar o futuro: “Não posso fazer nada.”

Tan Qingning, de 37 anos, que trabalha numa fábrica de medicamentos na província de Guangxi no sul da China, diz que antes ele e a mulher conseguiam poupar algum dinheiro, mas que hoje mal conseguem pagar as despesas. Há apenas alguns meses, comiam todos os dias massa de arroz ao pequeno-almoço no restaurante. Agora, que o preço da massa aumentou um terço, têm que cozer em casa da mais barata, poupando uns magros mas necessários 14 cêntimos por dia.

“Trabalhamos tanto como dantes, mas ganhamos muito menos,” diz Tan.

Este relatório teve a colaboração do investigador Crissie Ding.

Tradução: Jorge Vasconcelos

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