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Date Posted: 19:43:49 09/24/01 Mon
Author: MBMB
Subject: Eternas rainhas da beleza .O concurso Miss Rio Grande do Sul notabilizou belas mulheres e foi palco de muitas histórias

Date Posted: 21:09:10 09/22/01 Sat

PATRÍCIA ROCHA

Vera Brauner de Menezes, 59 anos, Miss 1961, tem três filhos e mora em Pelotas (foto Paulo Rossi, Especial/ZH)


Houve um tempo em que as adolescentes não sonhavam em ser modelo, atriz ou apresentadora de TV. Por pelo menos três décadas, a fantasia das jovens era ser miss, receber a faixa, vestir o manto de veludo, ostentar uma coroa e abrir caminho com um cetro dourado para um casamento feliz. Até a übermodel Gisele Bündchen, se tivesse nascido nos anos 50 ou 60, certamente teria tentado ganhar peso, domar a cabeleira e vestir um comportado tailleur para merecer o título e a idolatria sem reservas dos súditos da beleza.

O sonho de chegar ao trono passava de geração a geração e começava na infância. O papel das mães de miss começava muito antes de acompanhar as filhas na maratona pós-título: muitas preparavam a jovem desde a infância para ter as rigorosas medidas de quadril, cintura e busto (o tradicional 90 - 60 - 90) e a postura de miss.

– Minha mãe cuidou de sua miss desde pequena. Ela dizia que, para mim, apenas bife e salada. Margarina e refrigerante só nos finais de semana – lembra Maria Bernadete Heemann Betty, 50, que ofereceu a Lajeado o título de Miss Rio Grande do Sul em 1970.

Tantos preparativos não eram à toa: a disputa era concorrida, e as misses gaúchas tinham que arcar com o peso do favoritismo conquistado em uma sucessão de boas colocações.

– As gaúchas eram temidas e sempre tinham seu lugar reservado. As cariocas eram mais avançadas, já usavam biquínis audaciosos e maquiavam as pernas. No Estado, a gente nem desfilava de maiô em público – lembra a pelotense Vera Maria Brauner Menezes, 58, miss gaúcha em 1961.

Quando o Miss Brasil teve início oficialmente, em 1954, a gaúcha Lygia Carotenuto foi a terceira colocada. Na terceira edição, a porto-alegrense Maria José Cardoso Trussardi emendou os títulos de Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil:

– Ser miss era uma fantasia como Bela Adormecida. Não me achava bonita nem tinha esperança de ser Miss Rio Grande do Sul. Quando terminou o desfile, fui direto para o banheiro. Minha irmã foi até lá e disse: venha correndo que estão te chamando!

Maria José trilhou o mesmo caminho de outras misses RS da década de 50: pisou na passarela do concurso já com a faixa de Mais Bela Gaúcha. Outras se notabilizaram por concursos como Rainha Atlântico Sul (o Garota Verão da época) e Rainha das Piscinas, que revelou ao Estado Ieda Maria Vargas. A miss gaúcha, famosa no Brasil e no mundo, conquistou o título de Miss Universo em 1963, alimentando os sonhos de novas gerações de misses.

– Depois da Ieda era difícil alguém se destacar. Ela chegou ao topo. O título de Miss Universo era equivalente à conquista da Copa do Mundo – lembra o colunista social Saul Jr.

Mas a glamourosa sombra de Ieda não impediu que outras misses tivessem brilho próprio. Em 1972, a pelotense Rejane Vieira Costa conquistou o título nacional e a segunda colocação no Miss Universo. A década de 80 celebrizou a beleza de Deise Nunes. O estado conhecido pela mulheres de pele e olhos claros e profusão de cabelos loiros apresentou ao Brasil, em 1986, a primeira miss negra a ganhar um título nacional. Mas muitos outros nomes ficaram registrados em placas, troféus e outros mimos com que as cidades agraciavam as misses durante o ano de reinado.

Muitas antecessoras de Deise e da polêmica miss Juliana Borges, de 2001, encerraram sua vida pública e de glamour quando passaram a faixa à sucessora. Até a década de 70, poucas pensavam no concurso como trampolim para a carreira de modelo ou atriz: ser miss era o ápice da juventude e despedida de sonhos de menina.

– Conquistar o título era status social, uma porta que se abria para um bom casamento e convites. A moça saía do anonimato para uma projeção nacional ou internacional – afirma Saul.

– Naquela época, participar do concurso não era muito diferente de um début – completa Clara Sfoggia, 54, Miss 1966.

As expectativas das candidatas eram coerentes com o romantismo reinante nas décadas pré-feminismo, quando ainda se usava chapéus e luvas de pelilica para o tradicional footing de final de tarde na Rua da Praia. Muitas já planejavam uma carreira, mas a maior certeza ainda era ser mãe e esposa, tanto que muitas recusaram ofertas para estrelar filmes em Hollywood em nome da família.

– Não tínhamos a experiência das meninas de hoje. Eu tinha 22 anos no concurso e era como se tivesse 16 – avalia Janeta Hoeveler, 49, Miss 1974 – Havia até aquela velha história de todas falarem no Pequeno Príncipe (livro de Saint Exupery) que hoje virou piada: não sei por que a gente sempre falava no livro.

A cada ano, o concurso assumiu novos contornos. Na época em que top models ditam modelos de beleza e ostentam ricas contas bancárias, concursos de miss viraram um degrau para atingir esse objetivo.

– Hoje, o concurso é mais profissional, voltado para contratos. Acho certo, não se pode apenas ficar naquela história romântica – afirma Jane Celina Bezerra Rosenfeld, 42, Miss 1975.

Assim como o manto e a faixa permanecem, o sonho romântico de ser miss ainda resiste.

– Uma modelo em mil se dá bem. Miss dorme em lençóis de cetim, se hospeda em hotéis cinco estrelas, anda em carro com chofer, tem um ano de reinado e uma vida cheia de luxo – afirma o missólogo Evandro Hazzy.

Com esse objetivo, 60 candidatas estarão reunidas em Gramado nos dias 4, 5 e 6 de outubro para disputar o título de Miss Rio Grande do Sul 2002. O glamour já ultrapassou a barreira do século 21.

Reinado na estrada


Clara Eunice Sfoggia, 54, foi Miss 1966, mora na Capital, tem quatro filhos e um neto e há pouco começou a trabalhar como importadora de vinhos (foto Guaracy Andrade, Banco de Dados/ZH – 24/7/99)




Coroa na cabeça e pé na estrada. Mal recebem a faixa, as misses já dão início à maratona de viagens para atender a convites e participar de eventos. Finais de semana livres passam a ser um luxo. A rotina se transforma em uma correria sem fim, mas com direito a muitos mimos.

– Os convites eram tantos que eu não fazia as malas, apenas refazia. Mas ainda lembro dos banquetes enormes e eu sentada no meio da mesa, sempre em frente a arranjos de flores – conta Rosa Maria Gallas, 51 anos, Miss 1964.

A cada nova cidade, festas e homenagens, desafiando a miss a manter o penteado em ordem.

– Às vezes, vinha uma kombi às 3h para me levar ao Interior. Eu tinha de chegar maravilhosa, mas ficava um caco – diverte-se Madalena Sbaraíni, 45, Miss 1977.

Nos anos 50 e 60, não havia tantos hotéis, então era comum as misses se hospedarem em casas de família, geralmente a do médico ou do prefeito. Os cafés da manhã reuniam a família com fila para autógrafos. Numa ocasião, Clara Sfoggia, 54, Miss 1966, conheceu a família do futuro marido, e o namoro começou:

– Foi um ano tumultuado, quase não podíamos nos ver. Quando eu menos esperava, ele aparecia.


Fama e assédio

Miss já foi sinônimo de fama instantânea. A menina que até o concurso era uma simples estudante se transformava em alvo de fãs, curiosos e pretendentes. Maria José Cardoso, 63 anos, lembra que o título conquistado em 1963 tornou inviável sua rotina de ir ao Instituto de Belas Artes de bonde, como costumava fazer. Em pouco tempo, nem os estudos ela conseguiu manter:

– Tive de interromper a faculdade ou ninguém mais estudaria.

A casa da porto-alegrense eleita Miss Brasil virou ponto turístico, onde se acumulavam dezenas de pessoas para ver a jovem ou lhe homenagear com serenatas. Outros foram mais ousados e chegaram a assustá-la:

– Um homem mandou uma carta dizendo que eu era uma bela flor em um jardim com grades muito altas e, que se ele não pudesse me ter, me mataria e se mataria depois.

Muitos aproveitavam as maratonas de viagem das misses para pedi-las em casamento.

– Nas cidades, sempre tinha um pretendente me esperando, um fulano de sobrenome longo. Acho que os candidatos se acertavam com o prefeito – conta Janeta Hoeveler, 49 anos, Miss 1974.

Quando a fama das misses extrapolava as fronteiras, era comum receberem propostas para estrelar filmes em Hollywood ou fazer desfiles e comerciais no Exterior. Invariavelmente, recusavam em nome da família e de um futuro casamento:

– Nos Estados Unidos, me disseram que eu era exatamente o tipo de moça que buscavam para um filme. Disse que não, que tinha um namorado no Brasil – lembra Maria Bernadete Hemmann Betty, 50, Miss 1970.



A eterna majestade


Miss nunca perde a majestade. Até hoje, anos, décadas depois do título, as misses são cobradas a se portar como se ainda estivessem ostentando a faixa e o manto.

– Há pouco tempo, na academia, de manhã, uma senhora me cobrou por que eu não estava usando batom – conta Deise Nunes, 33 anos, Miss Brasil 1986.

A cobrança, no entanto, não é feita só pelos outros. As próprias ex-misses fazem questão de manter a imagem conquistada.

A bageense Rosa Alarmon Barcellos, 64, Miss 1955, gaba-se de manter os mesmos 57 quilos da época do título. Mesmo depois de três filhas e cinco netos. Janeta Hoeveler, 49, usou no último aniversário o mesmo vestido exibido no concurso, em 1974. Segundo ela, o título faz da beleza um dever:

– Mesmo depois de ter passado a faixa, não conseguia ir à faculdade como as outras, de jeans. Achava que tinha obrigação de estar arrumada.

Se a cobrança pós-reinado ainda era forte, durante o ano do título era uma imposição diária.

– Dormia com os cabelos enrolados com grampos e cobertos por um lenço sempre para estar impecável no outro dia – lembra Rosa Maria Gallas, 51, Miss 1964.

– Saber envelhecer é uma vitória. Idade significa feiúra, que significa perder o trono. Mas uma miss não perde o trono. Foi o que percebi ao ser lembrada nesta entrevista – emociona-se Maria José Cardoso Trussardi, 63, a primeira Miss Brasil gaúcha.


http://zh.clicrbs.com.br/caderno/donna/pagina4.htm

Obrigado pela dica, Arthur!

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