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Date Posted: 13:17:04 09/08/01 Sat
Author: MBMB
Subject: 50 ANOS DE MISS UNIVERSO: uma análise do missólogo Arthur Furtado

Date Posted: 00:45:27 05/11/01 Fri

OS ANOS 50


No início da década de 50 tínhamos o mundo dividido em dois blocos principais: o mocinho personificado por John Wayne yankee e seus aliados e os "comedores de criancinhas" vindos do leste europeu.
O mundo livre girava em torno do glamour de Hollywood e principalmente pela rainha das piscinas: Esther Williams. O sucesso dela foi tão grande que a natação virou o esporte favorito das moçoilas e freqüentar a piscina de um clube era programa obrigatório nos verões dos anos 50, além disso, sua figura incrementou a industria de maiôs e acabou gerando o próprio concurso de Miss Universo.
A Catalina Swimsuits era patrocinadora do Miss América e a vencedora tomava parte no style-show da empresa através dos Estados Unidos. Entretanto, em 1950, Yolande Betbeze, logo após ser eleita Miss América, declarou que não tinha a menor intenção de desfilar maiôs através do país e preferia atividades que mostrassem sua capacitação. O presidente da Catalina, E.W. Stewart, exigiu que ela cumprisse o contrato ou fosse desqualificada. A direção do Miss América apoiou Betbeze e assim a Catalina retirou o patrocínio, juntando-se a Paramount Pictures na criação do certame de Long Beach. Os primeiros resultados do Miss Universo, demonstram um equilíbrio entre os continentes. A própria imprensa da época já reforçava o caráter político destas escolhas.
O tipo esportivo inspirado por Esther Williams dominou os primeiros resultados de Long Beach. Armi Kuusela, Hellevi Rombim e Carol Morris eram tipos totalmente esportivos – inclusive Carol era campeã de natação. Miriam Stevenson era híbrida mas dentro do protótipo. A única exceção à regra foi Christiane Martel que fazia mais o tipo “fatale”, mas sua vitória foi muito contestada nos Estados Unidos, sendo inclusive uma das justificativas para a vitória de Miriam em 54.
Havia uma discrepância muito grande entre as latinas e as européias; as primeiras faziam a linha boas moças virgens de família, já as segundas, na grande maioria, vinham em busca do estrelato. Houve um favorecimento da virgindade sobre o estrelato e, assim, muitas européias caíram por terra.


A DÉCADA DE 60




Entramos na década de 60 em Miami Beach, Florida. Alguns países católicos começam a enviar candidatas e as finlandesas fazem um arraso com suas deusas hitchcockianas. O sucesso da Finlândia, em que pese a supremacia de suas candidatas, muito se deve ao fato das questões militares que envolveram o norte da Europa. Miami tem um quê de latino e o MU buscou novos perfis de Rainhas.
O repentino triunfo da Tailândia se dá no período crítico dos conflitos na Indochina. E, Marlene Schmidt, mesmo se não fosse linda, cairia como uma pluma no trono em 1961; afinal, em ano do Muro de Berlim, era refugiada da Alemanha Oriental. O Brasil sob o pior momento político da história faz semi finalistas ano após ano com duas MU no currículo (1963, 1968). Casualmente às vésperas do Golpe de 1964 e no Ano do AI5.
Com o televisionamento, o concurso se popularizou e é impossível não esperar a manchete e a cruzeiro do Miss Brasil e MU. Assistir o MU sob vários cobertores, tomando quentão e comendo muita pipoca.... E o contraponto com aquele mar da Florida, suas praias e maios catalina. É difícil não imaginar a MU posando ao lado de seu troféu a beira da praia de Miami. A política continua dominando nos anos 60.

A DÉCADA DE 70



Na década 70 o concurso é colorido (vi o primeiro em cores em 78) e se internacionaliza. Porto Rico, Grécia, Filipinas, El Salvador, Hong Kong, Rep Dominicana, México, Australia e Coréia. Vemos Líbano, Espanha, Australia, Israel, Trinidad, África do Sul e Venezuela vencerem pela primeira vez.
As negras até então esquecidas tomam lugar dos "queridinhos" de outrora e Ils Virgens, Aruba, Haiti, Belize, Bermuda fazem bonito. O Brasil definha sob um modelo arcaico de manto, cetro e coroa. Enquanto o MU se abre para novos estilos estéticos de beleza e de produção, o Brasil se fecha no eixo Sudeste- Brasília e com o ritmo do Miss Brasil 58.


OS 80s




A Venezuela faz história, arrebenta e redefine o MU na década de 80. Mulheres barbies, cabelos over, laços, pedrarias, rabos, mangas bufantes, corpetes e sobre-saias, azul turquesa ou rosa bebê, roxo ou vermelho sangue; o MU viaja por países mais satélites impossíveis (Panamá, Singapura, Cancun - MEX) mas os cenários funcionavam bem e tinham uma preocupação em reforçar um caráter urbano, associado ao país que servia de sede. As Little Sisters funcionaram num primeiro momento, o grande problema foi que duraram demais; e a guerra por míseros decimais. A beleza traduzida em pontos.


ANOS 90



Entramos a década de 90 sem televisionamento, sem Miss Brasil nas capas de revista, sem finalistas no MU. As pessoas preferem as divas do axé -bunda ou modelos de "fino trato" nas capas de revista do que suas belezas nacionais. O MU segue com o formato das little sisters até 95 mas entramos na era das entrevistas intermináveis e da média. Isso mesmo, a MU é eleita pela média. Basta ter um padrão normal que vc chega lá. 9.4 de todos e vc é a nova MU.
A India aprendeu a lapidar seu potencial bruto. Se ninguém levava melhor uma estola de peles do que Lauren Bacall, ninguém caminha com a postura de uma indiana. Elas só chegaram aonde mereciam. A latinização é total com candidatas profissionais da Venezuela, Colômbia, México, Porto Rico e até países periféricos como Panamá, Bolívia, El Salvador e Rep. Dominicana. África do Sul retorna com muito brilho e sem apartheid e o nível de candidatas parece ser mais homogêneo.
A partir de 1995, o concurso se torna temático com o ritmo de uma montanha russa e a seriedade de uma gincana. Profissionalismo é tudo e temos as Mu 89, 92, 99 que passaram pelo MW, a MU 93 passou pelo MI e a MU 2000 que foi Miss Intercontinental. A Internet reascende (pelo menos no Brasil) o gosto pelos concursos e a partir de 98 temos a Miss Brasil timidamente na mídia e o RGS se tornando a Venezuela brasileira. As européias desaparecem e ser miss num país subdesenvolvido é uma forma de ascensão social e sobretudo profissional. Os fãs se apaixonam por candidatas de países sem nenhuma tradição nos concursos de beleza como Gana, Ils Cook, Botswana, Nigéria, Bulgária.

Que rumo o concurso dará para o novo milênio?

Como será o MU de 2011?

Que formato?

Quais serão as beldades de nossas fantasias?


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Por falha minha não inseri no texto acima uma observação importante de Arthur: PS: ESTE TEXTO FOI FEITO POR MIM COM A AJUDA MUITO APROPRIADA DO AMIGO BETO! (NT) -- DIL, 15:36:56 05/11/01 Fri

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