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| Subject: Liberdade de pensamento | |
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Author: Um cidadao qualquer |
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Date Posted: 05:42:30 07/29/05 Fri É costume a Imprensa Nacional zurzir nas diatribes do Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira e destacado dirigente do PSD - Partido Social Democrata. Talvez tenham razão em apontar-lhe alguns excessos verbais. O que não se lhe poderá apontar é a falta de coragem ou a frontalidade. Ou que defende intransigentemente os interesses da Madeira e das suas populações. Há pelo País fora caso peculiares em que autarcas investigados pela Justiça concorrem às Autarquias e muito provavelmente ganharão as eleições. Já aconteceu no passado e acontecerá no futuro. A política em Portugal é muito parecida com o futebol. Numa como noutra, do estado de excelência passa-se para o estado de bestialidade tão rápido como um estalar de dedos. Certos autarcas que em Outubro serão eleitos, principalmente os Independentes, impedidos que estão pelos Estados Maiores dos Partidos para concorrerem com as suas cores, caso a Justiça lhes venha a aplicar mão pesada, rapidamente passarão a bestas depois de nos ombros do Povo se terem passeado como bestiais. Esta mudança de humor de acordo com as conveniências tem as suas raízes em 50 anos de ditadura. O medo de represálias dos caciques locais ou dos bufos criaram hordas de gente subserviente, pouco disposta a pôr emm causa os seus privilégios, egoísta e pouco sensível às questões sociais. Não sabe sequer o que é o Estado Social. Este clima de ignorância generalizado, para o qual também contribui o alto nível de analfabetismo, cria condições para que, mesmo trinta anos após a instauração do regime democrático, não seja possível discutir ideias, avaliar problemas ou apontar soluções. Cria ainda condições para que freguesias abandonadas há anos pelos autarcas funcionem bastiões a sua popularidade. Em Abril de 1974 Portugal era um País rural, pobre e quase analfabeto. Não havia tecido industrial ou agricultura. As condições de vida das populações eram muito, muito más. Principalmente as do interior. Mas curiosamente, num ambiente quase feudal, de rendeiros e proprietários rurais, a lealdade do servo pelo senhor era um dos factores de segurança e estabilidade do sistema. Nem sequer contribui para a queda da ditadura. Quase se poderá dizer que era um dos pilares da ditadura. A propaganda do regime fazia o resto. Vivemos hoje numa nova sociedade mais moderna. Mas a estrutura das relações sociais, no essencial, mantiveram-se. Há outros senhores feudais e há novos servos. Os novos senhores feudais ocuparam o poder e nele se eternizam à custa de novos e leais servos, alimentados pela ignorãncia e pela necessidade de evitarem uma orfandade que ameaça a sua rede social. Tudo gira á volta do aparelho das Autarquias. São os novos "latifúndios". Os novos "servos" são os que, amordaçada a raiva e silenciada a revolta, os defendem. Entre estas servos há sempre uma percentagem de "capos" cujo objectivo é manter o rebanho junto ou "auscultar" as populações, entre outras tarefas, algumas bem pouco dignificantes. Os "capos" funcionam como uma espécie de braço armado do Poder. Não t`^em uma tarefa definida. Contratados para limpar valetas é normal vê-los com um dossier A4 debaixo do braço, rua acima ou rua abaixo. Frequentam as Associações Locais. Ouvem e partilham a informação com o Chefe. Denunciam. São os novos bufos, os novos PIDE's. Face às novas tecnologias de informação, o Poder e os novos senhores feudais interiorizaram a necessidade de controlar os fluxos de informação que se escapa entre os dedos. Adquirem jornais ou rádios locais manipulando a informação. Na World Wide Web espalham notícias difamatórias, boicotam sites alheios e divulgam a propaganda do senhor feudal. A insistência de aqui se colocar um texto do Diário Económico ilustra bem o grau de imaturidade cívica de quem o colocou. Não só porque é evidente que não percebe o seu conteúdo, mas porque pretende disfarçar essa mesma ignorãncia com um grau de academismo que não lhe assenta. Se o contrário fosse verdade, em vez de copiar um artigo de jornal à venda nas bancas, desenvolveria sobre ele um raciocínio e trá-lo-ia até nós para discussão. Infelizmente não é assim. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
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