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Date Posted: 19:34:14 04/10/06 Mon
Author: Woodson
Subject: Kd o português dk gnt??? :-DO blog, a gramática e o professor

Esse texto tem, como objetivo, subsidiar a prática pedagógica de professores de língua portuguesa, buscando compreender como são usados e como se estruturam os recursos lingüísticos na construção do gênero blog. Ocorre que, segundo a autora, alguns professores vêm expressando sua preocupação com a possível interferência desse gênero na produção de textos escolares.
A autora se diz inserir-se numa perspectiva enunciativa, cujo objeto de estudo é a linguagem, seu contexto sócio-histórico, fruto da interação de sujeitos. Ela, então, procura se aproximar da corrente funcionalista, em oposição à corrente formalista, para pensar nos usos de linguagem pelos falantes de acordo com seus propósitos e objetivos. Assim, segundo Bakhtin (apud 1997), a linguagem só se realiza por meio de gêneros textuais que assumem características temáticas, composicionais e estilísticas próprias por estarem relacionados diretamente com diferentes situações sociais.
Para a autora, não há dúvida de que o computador mudou nossa maneira de produzir e interpretar textos. A integração da linguagem escrita, da imagem e do som de forma conjunta e não-linear permite ao leitor acessar as informações de forma multi-sensorial e sinestésica, gerando várias formas versáteis de gêneros internéticos. Ao incorporarem-se traços da oralidade a esses recursos, expandiram-se os recursos expressivos da escrita convencional, por permitir a desconstrução da noção de oposição tradicional entre a fala e a escrita.
Observa a autora que o blog obedece uma ordem de publicação inversa da canônica, em que os textos mais recentes aparecem no topo e que há um espaço de interlocução numa seção de apresentação pessoal ou através de um guestbook. Citando Komesu (2001), a autora observa que a linguagem usada nesses blogs é de caráter fático, em que o escrevente projeta uma imagem pessoal (de “herói”) que pretende ser simpática, ao simular uma intimidade com o suposto leitor, já que muitos autores de blogs também são ávidos leitores do gênero. Tal procedimento mascara a confiscação da palavra que permite ao escrevente se expressar, desde que usando recursos da modalidade escrita, de certas marcas de enunciação, de sinais gráficos e de léxico específicos.
Julgando haver outros traços característicos dessa linguagem, Eliana Ruiz buscará algumas marcas gramaticais a fim de ampliar o estudo feito por Komesu. Para tal, ela dispôs em um quadro, elementos do corpus retirados de dois blogs individuais de adolescentes e um de adulto, bem como, dois blogs coletivos adolescentes e um de um adulto, coletados em um mecanismo de busca em março de 2004. Esse recorte pretendeu compreender a linguagem do gênero contrastando as faixas etárias. Em colunas, dispôs em cada quadro, respectivamente, diante do corpus, a tradução, os recursos gramaticais característicos do gênero e seus respectivos propósitos interacionais.
Eliana Ruiz constatou que houve uma migração das formas lingüísticas típicas do chat, muito embora a troca de mensagens, no blog, seja assíncrona. A autora apontou, entre outras, duas categorias importadas do chat, a formas: que objetivam a agilização da escrita – supressões de acentos gráficos,de pontuação, de vogais; abreviação de palavras e substituição de palavras por símbolos e números ¬e estratégias de oralização da escrita – elementos de conversação, reforço da pontuação expressiva, uso de maiúsculas, emoticons e tentativa de criação de um alfabeto fonético. Além desses, constatou a produção de estilo próprio, gírias, empréstimos do inglês, formas de registro formal e canônicos, dêiticos e pronomes de primeira e segunda pessoa.
Notou-se, embora não se tenha comprovado, uma maior incidência do formato acima descrito nos blogs de adolescentes que de adultos. Supõe-se que à medida que os usuários vão mudando de faixa etária, mudam, igualmente, o seu foco de interesse interacional e temático. O domínio da língua materna também se reflete nessa forma de linguagem, permitindo àquele que o possui, maior flexibilidade entre gêneros textuais. O aparente esvaziamento temático dos textos dialogais em blogs adolescentes, se deve ao uso da língua para a manutenção de um vínculo entre os componentes de uma comunidade discursiva. O tema, muitas vezes, é proposto em hipertextos ou colagens de outros textos.
Já os textos dos adultos buscam uma maior reflexão pessoal, ao estilo da mídia impressa e procuram formas que busquem salvaguardar sua própria imagem.
Quanto as implicações para o ensino da língua, a autora procura balizar as preocupações excessivas daqueles a quem chama de puristas e as reais preocupações quanto ao uso desse bloguês. Considera a possibilidade do maior uso de traços de oralidade nas redações daqueles praticantes do bloguês e avalia a possibilidade disso ser determinado por um processo de auto-afirmação e rebeldia ou por um processo de aquisição da linguagem. Mesmo que se constate essa interferência, a autora propõe que o objetivo do trabalho da escrita em sala de aula não se restrinja a remediar esse problema, mas a mostrar que esse bloguês é resultante de uma intensa reflexão lingüística que lança mão de diversas estratégias de linguagem. O professor deve, então, procurar fazer o aluno atentar para adequação do uso dos estilos nos diversos e-contextos.

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