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Date Posted:22:55:14 07/12/04 Mon
O adversário directo de quem deseja uma alternativa de esquerda ao actual governo é... não o presidente da República mas o actual governo e os partidos de direita que lhe dão corpo.
O governo deixar de ser liderado por Durão Barroso para passar a ser liderado por aquele que era o nº 2 do seu partido é um pormenor. Pois o que interessa verdadeiramente é a política que é aplicada e não uma personalidade.
Que todos esses canhões, que todas essas energias, que toda essa insatisfação com o actual estado de coisas, que neste momento ainda se gastam a bater em Jorge Sampaio, se apontem antes para o verdadeiro adversário e para a construção de uma alternativa.
Essa alternativa... não tenhamos ilusões sobre ela. Perante a correlação de forças entre os partidos do campo centro-esquerda, perante a correlação de forças entre ideologias e classes sociais que impera em Portugal, na Europa e no mundo... essa alternativa não será propriamente de esquerda mas de centro-esquerda.
E terá que assentar num programa claro e moderado, de defesa dos serviços públicos, dos direitos laborais (nomeadamente apostando numa mudança de paradigma de desenvolvimento económico - não mais assente numa mão de obra barata e desqualificada mas na inovação, na qualidade e numa mão de obra mais qualificada (e assim mais forte para defender os seus direitos)... e ainda no aprofundamento da democracia e dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos... Sobre esta matéria creio que vale a pena ler e discutir o post do dirigente do Bloco de Esquerda Daniel Oliveira reproduzido neste fórum (A questão da governabilidade)
Uma alternativa de governo à esquerda nunca será uma panaceia. E pode bem ser insuficiente para concretizar o moderado programa que já mui fugazmente aflorei.
Como já escreveram Karl Marx e F. Engels no Manifesto do Partido Comunista, a revolução será obra da própria classe operária. Quero com isto dizer que é fundamental contrabalançar o peso do capital e das suas associações com um reforço do peso da classe trabalhadora e da cidadania. Passo fundamental para uma alternativa à esquerda é assim apostar no desenvolvimento dos movimentos sociais e da sua autonomia e independência face aos partidos políticos. Particularmente os sindicatos.
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