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Subject: Hipóteses


Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 19:35:03 06/23/04 Wed
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Ainda o (malfadado) Federalismo (com estalinismo à mistura)" on 13:07:22 06/23/04 Wed

É verdade que é preciso rediscutir Trotsky.


Dizer que a revolução num só país é uma adulteração é um bocado chover no molhado quando, ao mesmo tempo, a revolução internacional não arranca. Não arrancando, os que a fizeram no seu país têm de fazer pela vida.

Contudo, o problema de dar grande ênfase à acção conjugada internacional na Europa, não tem a ver com o regresso às consignas de Trotsky, apenas. A questão é que a supranacionalidade ocupa um espaço económico e político crescentes na Europa e, portanto, a militância internacional pelo socialismo aumenta o seu peso. Por outro lado, mesmo que mudanças ocorram apenas em poucos países, elas não podem vingar sem a vigorosa acção popular internacional. Finalmente, há que pensar que transformações na Rússia isolada, com a sua imensidão e grandeza é uma coisa. Conceber esse tipo noutros espaços europeus mais pequenos é mais contingente. Por isso, podemos dizer que tudo se deve fazer agora para dar força internacional, sem desvalorizar o espaço nacional de luta. Isso pode parecer de facto um certo neo-trotskismo ou, para se ser mais rigoroso, representa a retoma da trradição internacionalista do Marxismo e de grandes ícones do comunismo como Lenine e Rosa de Luxemburgo.

Quanto ao PCP as minhas hipóteses são:

1 vitória de um ponto de vista pequeno-burguês de recorte nacionalista

2 - exprime-se na aplicação mecânica dos mecanismos de análise do Imperialismo. O anti-imperialismo de raiz leninista pressupõe relações de dominação pelas grandes potências mas desencadeia um tipo de resposta sobretudo de índole nacional. É o caso dos movimentos de libertação. OOseu programa anti-imperialistas visava e visa a conquista da indepência nacional e não tem por objectivo a reclamação avançada, própria dos operários, e que têm em vista o próprio fim do Estado e das divisões nacionais. O ponto de vista de reclamar a independência é uma consigna que representa a representação ideológica e política do campesinato e da pequena burguesia oprimidas pela dominação do grande capital. É justo ser apoiada e almejada pelos comunistas, mas estes não podem perder de vista que o seu programa revolucionário visa muito para além. A aplicação à realidade europeia da matriz de análise do sistema imperialista desencadeia um padrão de resposta eminentemente nacional e isso de certeza contamina o reflexo mental da Soeiro, penso eu.

Contraponho com a ideia de que se deve erguer a luta contra a dominação das nações e potências dominantes -o directório - mas em vez de isso redundar em programas nacionalistas, o que se deve exigir é uma outra integração com base na no projecto de uma outra europa - no fundo o programa do partido europeu da esquerda.

O lastro do ponto de vista "anti-imperialista" tem a ver com a cegueira teórica no marxismo português. De facto, desde 1917 que se imaginava que, com a presença aconchegante do grande URSO, o socialiso poderia ser conquistada à dentada "país a país". Era o optimismo da passagem iminente ao socialismo. Mas essa realidade mudou e portanto, aos trabalhadores só lhes resta o aconchego de uns para com os outros.

Por outro lado subsiste, por inércia, julgo eu, a ideia de que os capitalistas nunca serão capazes de integrar o que quer qu seja, e que esse tipo de ideias só poderão ser encaradas num quadro de correlação e forças muito diferente do actual. Estas ideias, tinham voga no tempo do Comecon, apontado como lanterna de um novo mundo. O que se verifica agora é que a supranacionalidade deu grandes passos e que afinal essa é uma realidade que superou o próprio comecon. Finalmente, para além do imobilismo de pensamento, a verdade é que podemos dizer agora que a melhor maneira de mudar a correlação de forças é começar desde já a lutar por uma outra europa e não insistir apenas em respostas nacionais.

Outra hipótese para explicar o imobilismo do PCP é a tentação fácil do criticismo e dapopularidade baseada na denúncia das violações da soberania. Isso tem um certo rendimento de curto prazo.

A outra hipótese, mais remota, eé estarem a seguir a linha de carta de Lenine "Acerca da consigna dos Estados Unidos da Europa". Esse texto levanta o problema de que "Estados Unidos" no quadro capitalista é algo de inatigível e a unidade internacional da Europa e do mundo só pode ser alcançada com a própria extinsão do Estado e o fim das nações. Sobre isto poderemos falar depois...

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Subject Author Date
A esquerda e a UEJorge Nascimento Fernandes23:19:42 06/23/04 Wed


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