| Subject: Re: Mudanças» de Lampeduza Como Dialéctica |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 14:54:38 04/13/04 Tue
In reply to:
Carlos Gonçalves, Avante, 08/04/04
's message, "Mudanças» de Lampeduza" on 21:31:55 04/08/04 Thu
>Carlos Gonçalves não compreendeu,muitos não compreendem , o que não é o caso do realizador marxista italiano , dos anos 60,quando decidiu adaptar ao cinema o livro de Tomasi di Lampeduza ,o épico histórico O Leopardo , que de uma forma dialéctica mostra-nos a história da Sicilia centrada no século XIX, quando era dominada pelo ramo espanhol dos Bourbons. O príncipe de Salina começa a perceber que a actuação de Garibaldi iria alterar de forma inexorável a estrutura do poder então dominante na Sicilia e na aristocracia local. Quando acontece o desembarque de cerca de mil voluntários garibaldinos e a ameaça se torna iminente,Tancredi, sobrinho do príncipe, sussurra para ele a fórmula mágica : " se quisermos que tudo continue como está, é preciso que mude alguma coisa". Assim, ele também participa da luta pela unificação da Itália ,garante a continuidade da influência da familia no poder e ao mesmo tempo a sua própria sobrevivência social,casando-se com a filha do latifundiário local.Era a velha aristocracia aliando-se à força ascendente da nova época : a nova aristocracia latifundária e burguesa. Visconti não fala e não retrata nenhum oportunismo ,mas dialécticamente explana com fidelidade cientifica os antecedentes que geraram a decadência da nobreza siciliana e a sua adaptação aos novos tempos.
Quando se tem esta abordagem dos acontecimentos históricos dificilmente se cai nas ilacções primárias e abusivas...
>
>Mudanças» de Lampeduza
>
>Manuel Alegre, em «Sinais de mudança», no Público de
>02.04, sobre as eleições em Espanha e França,
>defendeu, entre muitas opiniões que não acompanho, a
>evidente necessidade «para a esquerda... de propor e
>assegurar uma verdadeira alternativa».
>
>Há um bom par de anos que por cá travamos essa luta.
>Para tornar a alternância – concerto chato e comprido
>em que dois ou três solistas tocam, sucessivamente,
>variando num sustenido, a partitura da desgraçada
>política de direita – numa alternativa efectiva – uma
>nova sinfonia de democracia avançada e justiça social,
>tocada por uma nova orquestra de naipes à esquerda.
>
>E a questão é que, aqui e agora, para chegar à
>«verdadeira alternativa», há mudanças urgentes, mas
>sobre elas Alegre fica-se pela proposta construtiva
>das políticas a seguir, mas nada diz sobre quem e como
>– que alternativa política – as vai concretizar.
>
>Das duas uma: ou, como mais nada adianta, é ao PS que
>assiste «propor e assegurar a verdadeira alternativa»,
>ou então, como Alegre dizia «há oito anos», «os
>socialistas... não fazem outra política... porque não
>podem, porque não há uma estratégia comum... que
>permita contrapor ao modelo ultra-liberal... o
>projecto de uma Europa mais democrática, mais
>social...».
>
>É este o absurdo a que chega Alegre – a alternativa é
>não haver alternativa. Ou porque, como ele próprio o
>admitiu muitas vezes e se comprova à exaustão, o PS é
>incapaz de a assumir de facto, ou porque não há
>«estratégia».
>
>Porque são curtas as «mudanças» dum discurso que,
>agora «na oposição», diz o contrário do que faz no
>governo, e que, se abandonou finalmente(!?) a
>ortodoxia do Pacto de Estabilidade, continua juntinho
>à direita na «Constituição Europeia», na continuidade
>da GNR no Iraque, etc.
>
>Porque são inaceitáveis as «mudanças» que propõe ao
>Governo (remodelado) da direita para continuar até
>2006, após um «cartão amarelo» nas europeias.
>
>Porque são erradas as «mudanças» numa candidatura
>europeia que visa adesivar ao PS apoios de direita.
>
>Porque são mentirosas as «mudanças» de apelo ao voto
>«útil» no PS do eleitorado à esquerda para «derrotar a
>direita».
>
>Com perdão das «boas intenções» de Alegre, estas
>mudanças do PS são até ver como as d’«O Leopardo» de
>Lampeduza, para «que tudo fique como está» - conforme
>o paradigma do oportunismo.
>
>E também por isso é útil e necessário votar CDU, para
>que aconteçam de facto as mudanças que abram caminho à
>alternativa.
>
>• Carlos Gonçalves
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