| Subject: Análise demasiado simplista e estereotipada. |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 13:32:40 04/16/04 Fri
In reply to:
Albano Nunes, Avante, 15/04/04
's message, "O Iraque e o Vietname" on 23:02:27 04/15/04 Thu
Longe de mim qualquer aprovação pela ocupação do Iraque pelas forças dos EUA e seus lacaios. Mas fazer agora uma retirada total sem encontrar um plano de pacificação para o povo (melhor dizendo, para os povos) do Iraque será um gravíssimo erro. Lá teremos mais um estado fundamentalista mulçumano, mais um Irão, com todos os perigos que isso representa. O grande erro for terem deposto o Saddam Hussein e afora vamos todos pagá-lo bem caro.
A análise de Albano Nunes peca por demasiado estereotipada e apegada a uma determinada estratégia há muito ultrapassada. Primeiro há várias facções na resistência iraquiana, depois onde está o campo socialista?
Para dizer o que disse mais valeria que tivesse ficado calado.
>
>O Iraque e o Vietname
>
>Comparar o Iraque ao Vietname faz realmente sentido.
>Mesmo considerando que à luz de critérios de análise
>marxista existem profundas diferenças de situação.
>
>No Iraque falta uma força nacional aglutinadora
>conseqüentemente anti-imperialista, que na pátria de
>Ho Chi Minh foi o Partido Comunista.
>
>Falta uma perspectiva revolucionária, um projecto de
>sociedade, que dê todo o sentido à luta de libertação
>nacional, projecto que no Vietname era o socialismo já
>em construção na parte norte do país.
>
>Falta à resistência a rectaguarda segura e o apoio
>material, político e diplomático, que a URSS e o campo
>dos países socialistas representaram para o Vietname.
>
>Mas mesmo assim a comparação justifica-se.
>
>Pela amplitude e coragem da resistência popular.
>
>Pela violência dos combates e as criminosas operações
>de terra queimada praticadas pelas forças de ocupação.
>
>Pelas brechas que se abrem no campo colaboracionista.
>
>Pelo atoleiro em que o Iraque está a transformar-se
>para os EUA.
>
>Como no Vietnam o que se anuncia um ano após a invasão
>é uma insensata escalada na guerra, com o envio de
>mais tropas, operações de retaliação de grande
>envergadura, novos e ainda mais monstruosos crimes
>contra o povo iraquiano como está a acontecer em
>Falluja.
>
>Para conquistar a sua Libertação do imperialismo
>americano o Vietname necessitou de quinze anos de luta
>duríssima e tiveram de tombar nada menos de 3 milhões
>de vietnamitas.
>
>Que preço terá ainda o povo iraquiano que pagar para
>pôr fim à ocupação da sua pátria milenária?
>
>É urgente agir para atar as mãos do imperialismo
>norte-americano e impedir que se consume no Iraque uma
>tragédia da dimensão da tragédia vietnamita.
>
>É necessário continuar a apontar o dedo acusador ao
>governo de Durão Barroso e a exigir que cesse o
>envolvimento do nosso país nesta guerra injusta.
>
>E a alertar para os riscos que correm os soldados da
>GNR no Iraque, tornados carne para canhão dos sórdidos
>interesses do imperialismo norte-americano, combatendo
>com firmeza novos actos de servilismo perante a
>estratégia agressiva do imperialismo.
>
>É necessário desmascarar os projectos, em acelerado
>processo de realização, visando simultaneamente
>reforçar a ocupação e dar-lhe uma aparência de
>«legalidade» internacional.
>
>Ou seja, fazer avançar para o Iraque mais tropas e de
>mais países, fazer mesmo avançar a NATO (que sob
>comando da Alemanha já está no Afeganistão), tudo isto
>com a cobertura do Conselho de Segurança da ONU
>através de uma nova resolução que «reconheça» um
>governo fantoche «iraquiano», que por sua vez
>«solicite» às forças de ocupação «ajuda» para a
>«estabilização democrática» do país.
>
>Precisamente o que preconizam argutos analistas como o
>Gn. L. dos S.: «é preciso acelerar a passagem para a
>ONU da tutela política de todo o processo, com um
>mandato para uma força multilateral, sob comando
>americano» (Público,10.04.04).
>
>É importante desmontar esta cínica operação de socorro
>ao imperialismo americano e que, perante o crescente
>clamor internacional contra a guerra, visa facilitar
>velhos e novos envolvimentos de outros países no
>teatro de operações, tal como os EUA desesperadamente
>reclamam.
>
>A este respeito será particularmente significativa a
>posição que o governo espanhol de Zapatero vier em
>definitivo a adoptar.
>
>É necessário prosseguir por todos os meios ao nosso
>alcance a luta contra a guerra e desenvolver activa
>solidariedade com a resistência patriótica do povo
>iraquiano.
>
>Tal como no Vietname também no Iraque a luta
>libertadora assume formas muito agudas, com um povo
>que não se resigna à opressão estrangeira, impondo às
>forças de ocupação reveses políticos e militares que
>suscitam admiração, simpatia e solidariedade por todo
>o mundo.
>
>Tal como no Vietname a força da solidariedade
>internacional e internacionalista é indispensável para
>por fim à guerra e derrotar o imperialismo.
>
>• Albano Nunes
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