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Date Posted: 07:20:05 08/30/04 Mon
Author: MARIA CONCEIÇÃO ALVES DE LIMA
Subject: A NOVA LINGUAGEM DIGITAL

Ainda não recebi o livro-texto do curso (moro no fundão do Mato Grosso do Sul e o correio parece vir a cavalo), mas como conheço alguns textos do Prof. Marcuschi sobre o assunto, sou leitora assídua do Pierre Lévy e pesquisadora dos hipertextos, propus-me a participar deste debate colocando algumas idéias a respeito.

A tecnologia digital representa uma nova mudança de paradigma no processamento da informação, de modo semelhante ao que aconteceu com o advento da tecnologia da escrita, especialmente após a disseminação da imprensa. Até então, as sociedades orais, embora vivessem num fluxo interativo vivo e contínuo, a sua capacidade de gerar informações era pobremente localizada e restrita aos membros da “aldeia”. A escrita ampliou infinitamente o alcance dessa interatividade, mas, em contrapartida, descontextualizou a linguagem e a engessou nos cânones gramaticais do “sentido único, geral e irrestrito”. A digitalização da linguagem possibilitou a junção das características mais importantes de ambas as modalidades linguageiras: o contexto vivo, online, em tempo real, acoplado à expansão “infinita” da informação. Além disso, as infinitas possibilidades intertextuais possibilidades pelos links dos hipertextos, aliadas à disponibilidade simultânea de todas as formas de semiótica (texto, imagens, sons, animação, simulação, realidade virtual etc) criou uma nova forma de textualização que não se confunde nem com a oralidade ou com a escrita pura e simples, mas que deve ser encarada como uma nova modalidade, a linguagem digital. E, embora entre as três modalidades linguageiras (oral, escrita e digital) não haja propriamente uma ruptura (uma vez que todas se fundam no mesmo código lingüístico) e todas se constituam num “continuum” de base verbal, elas se tornaram distintas entre si, a ponto de a Lingüística Textual, nos moldes atuais não mais dar conta de explicaá-las cabalmente. Está, assim, a nascer um novo ramo, a Hiperlingüística ou Ciberlingüística.

O hipertexto em geral (sob todas as suas novas tipologias) mudará a face da leitura e da escrita, exigindo competências cognitivas que o texto impresso podia perfeitamente dispensar. Primeiramente, a fragmentariedade e a volatilidade da linguagem digital, em que cada link pode remeter a um percurso completamente diferente a cada nova leitura. Em seguida, a questão da coerência textual fica inteiramente subvertida: o texto da Web não tem começo, meio ou fim hierarquizadamente dispostos como num texto impresso. Da mesma forma, os processos coesivos que pressupõem toda a coerência global ficam também alterados.

Não se trata de melhorar ou piorar a linguagem: trata-se de um modo novo de lidar com a textualidade, principalmente um modo novo de ENSINAR a textualidade num novo meio, a Web. Também as novas tecnologias da Web vão se impor inexoravelmente no processo educacional, quer seja ele feito presencialmente (EOL – Educação On Line), quer seja feito à distância – EAD. Aliás, uma das características desse novo paradigma digital é o advento da cibercultura ou sociedade do conhecimento, em que o dilúvio e a instabilidade das informações nos obrigam a nos atualizarmos a vida inteira num processo colaborativo que inaugurou uma nova inteligência coletiva.

Para o bem ou para o mal, a rede mundial dos computadores veio para ficas e, como em tudo o mais no que concerne à existência humana, há o lado bom e o lado negro. Teremos de conviver com ambos e lutar pelos nossos ideais do Bem. Rejeitar a nova tecnologia é um contra-senso.

Também os “novos gêneros” emergentes da Web não são mais ou menos inovadores: todos inovaram , em termos do antigo paradigma da oralidade e da escrita. Alguns já estão mais divulgados, outros não, muitos outros ainda vão surgir. Do ponto de vista do ensino da linguagem, vejo que ler e escrever na Web se imbricaram de tal modo, que na mais como distinguir o autor do leitor (isso não é novidade também na conversação oral, onde a co-autoria é ponto pacífico). Há um aspecto, porém, que é novo nesta nova modalidade linguageira: a co-autoria vai demandar agora uma equipe multidisciplinar para se ler/escrever/ensinar na Web.

Penso também que a literatura enfim poderá concretizar as idéias inovadoras de Derrida, Barthes e Foucault, muito antes do advento da Net: um texto muito mais interativo, “desestruturado” segundo os cânones da escrita clássica, muito mais criativo.

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