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Date Posted: 05:15:28 10/18/04 Mon
Author: Ângela
Subject: Resumo nº9

Resumo nº 9 – Semana de 18/10 a 22/10
Conversational Organization: interaction between speakers and hearers. New York: Academic Press, 1981.cap1
GOODWIN, Charles
Aluna: Ângela Spesiali Aroeira

O texto é o capítulo introdutório de seu livro onde o autor delimita seu estudo na observação dos comportamentos de Falantes e Ouvintes, como se dá sua troca de papéis e, principalmente a função do olhar na tomada e distribuição de turnos, falas simultãneas. Especificamente o autor argumenta que um modo pelo qual quem não está falando indica que está atuando como ouvinte é pelo olhar dirigido a quem fala. No entanto, Goodwin reconhece que há outras formas para se testar o estado de audição do Ouvinte.
Neste capítulo Goodwin se dispõe a discutir as definições vigentes para conversação, tipos de participantes, turnos/unidades de fala apontando as dificuldades destas definições em abranger todos os fenômenos. Enquanto o silêncio pode ser visto como gap a partir de um teórico, outro pode visualizá-lo como pausa, dependendo de se ele está sendo observado a partir de uma posição incluída, um turno desmembrado, ou se é observado da perspectiva de uma posição absoluta.
Ao comentar os autores que trabalham na linha da análise do discurso/conversação o autor opta por adotar as definições de Sacks, Schegloff e Jefferson como sendo aquelas que permitem estudo mais preciso e acurado do fenômeno da conversação.
O capítulo descreve estados específicos de orientação mútua entre Falante e Ouvinte que são relevantes para a estrutura de turno. Estes participantes possuem técnicas específicas para alcançar e manter estados apropriados de orientação mútua e seus movimentos corporais produzem fenômenos específicos em suas falas.
Goodwin investiga especificamente a interação entre Falante e Ouvinte dentro do turno e propõe que um modo o qual a parte que não fala está agindo como ouvinte é através do olhar. Seus dados sustentam que as ações de Falante e Ouvinte, juntas, constituem um tipo particular de seqüência Summons-Answer (chamado-resposta)
Goodwin argumenta que esse estudo tem relevância para a pesquisa em interação humana, para questões metodológicas e teóricas da lingüística, para a psicologia e sociologia, para a comunicação humana.
O autor faz a revisão de vários teóricos que tentam definir turno e sua tomada e conclui que a tarefa é complexa. Opta, então, por uma definição mais flexível como a proposta por Sacks, Schegloff e Jefferson que apontam como característica chave da construção de turno a possibilidade de projetar a unidade que virá pela idéia de finalização do enunciado e sinalizar que a mudança de turno está por vir. Essa propriedade de reconhecimento de finalização tem como conseqüências a troca de turno e os limites no direito de fala. Ao reconhecer o ponto relevante para transição o Falante indica seu sucessor, ou outro que se auto seleciona ( regras de 1ª-1c em vigência) e se ninguém se seleciona a regra 2 passa a vigorar. O Falante toma novo turno e o conjunto de regras passa avigorar novamente até que novo ponto relevante para troca seja reconhecido. É esta visão que descaracteriza o turno como estrutura estática. Essa perspectiva demonstra as propriedades de administração local, administração entre partes e a interacionalidade do sistema além de redefinir silêncios como pausas ou intervalos do Falante, ou do Ouvinte, e o reconhecimento de falas simultâneas ou como novo turno ou como seqüência interposta.
Unidades de enunciados: discussão sobre a unidade como oração fonêmica e a importância de outros aspectos como a linguagem corporal, os movimentos dos participantes que ocorrem dentro dos turnos. Vários pesquisadores são mencionados, especificamente os trabalhos de Condom and Ogston que demonstram ser a linguagem mais do que um modo de expressão do Falante mas uma forma de organização social, implícita na coordenação do comportamento das diferentes partes presentes. Na perspectiva de Goffman, a fala é tida como forma de organização social sustentada pela interação, alacançada pela ação coordenada de participantes vários e inclui tanto o fenômeno vocal quanto o não vocal.
Neste aspecto o Olhar assume o status de ato social. Ele tem relaevância na maneira como os participantes se colocam na conversa. Por exemplo: o vis-a-vis permite a interação enquanto posicionamento lado a lado envolve arranjos de orientação mútua em direção a uma terceira parte. O Olhar é estudado por Goodwin como aspecto relevante para a construção do turno. Por ora sabe-se que o Falante, ao iniciar, não fixa seu olhar em alguém, dirigindo-o a um outro à medida em que se aproxima um ponto relevante para troca de turno. O Ouvinte olha o Falante no início e desvia seu olhar ao se aproximar a troca. Contatos via olhar entre Falante e Ouvinte são raros e muito curtos. Em pontos de hesitação o Falante desvia seu olhar de ouvintes até que o fluxo de fala seja recuperado. O Ouvinte olha mais para o Falante do que vice-versa. Embora o olhar seja importante na construção do turno, parece que outros eventos exercem papel semelhante. A ausência do canal visual nas conversas telefônicas não causam problema na transição de turnos.
Dados: Goodwin apresenta minuciosamente a questão de registro de dados, tanto em relação à tecnologia disponível: mais cara, mais acessível, mais precisa, menos acurada quanto em termos de suas consequências para a coleta de dados, se mais ou menos invasivas e portanto prejudiciais à coleta. Além do mais menciona aspectos éticos que devem ser considerados ao se decidir por coleta em que informantes não têm conhecimento dela de como se posiciona Eibl-Eibesfeldt (1974:21).
Goodwin prefere trabalhar com fala corrente real, seguindo a corrente naturalística que tem Labov como destaque. É dele a seguinte justificativa (1972b:xiii): “Há um crescente reconhecimento de que o conhecimento da intersubjetividade na lingüística deve ser buscado na linguagem falada- a linguagem que é usada no dia a dia dos membros da ordem social, esse veículo de comunicação no qual [esses membros] discutem com suas esposas, gozam seus amigos, enganam inimigos.” (p.35)
Transcrição: Goodwin utiliza convenções correntes para a transcrição de falas ( Jefferson, Ochs) e propõe convenções para a transcrição da direção do olhar, a partir de sugestões de Kendon (1967) e Jefferson. Finalmente o autor problematiza sobre o que exatamente é transcrito como Olhar: contato olho a olho, ou movimento da cabeça em direção ao Falante?

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