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Date Posted: 22:27:08 10/24/04 Sun
Author: Ângela
Subject: Resumo nº10

Resumo nº10
GOFFMAN, Erving. Footing. In RIBEIRO, Branca & GARCEZ, Pedro (org.) Sociolingüística Interacional. Porto Alegreditora Age, 1998. (capítulo 5) p.70-97
Aluna: Ângela Spesiali Aroeira

Goffman apresenta seu conceito de footing como um desdobramento da noção de enquadre. Enquanto este formula a metamensagem a partir da qual situamos o sentido implícito da mensagem, o footing representa o alinhamento, a postura, a posição, aprojeção do “eu” de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção. Os footings na interação face a face representam o aspecto dinâmico dos enquadres e sua natureza discursiva e são sinalizadores da maneira como gerenciam a produção ou a recepção de um enunciado; são introduzidos, negociados, ratificados, ou não, co-sustentados e modificados na interação. Sinalizam aspectos pessoais, papéis sociais, papéis discursivos, por exemplo.

Em seu artigo Goffman desconstrói as noções tradicionais de Falante e Ouvinte. Ele prefere considerar as relações discursivas enquanto sua estrutura de produção – que diz respeito ao Falante e estrutura de participação que diz respeito ao Ouvinte.

Com um exemplo inicial Goffman demonstra como na interação face a face as identidades sociais emergem, e se constituem modificando o curso da interação. Por exemplo em um ato formal de assinatura de um projeto emergem, entre os participantes outras identidades que não se apresentaram incialmente por não serem próprias ao cenário, uma conversa informal, não mais entre uma autoridade e um jornalista, mas entre um homem e uma mulher,. Na medida que um participante modifica o footing, procede a alternância de código, muda–se o enquadramento, muda cenário, personagens e curso da transação.

Goffman ilustra o footing com 05 etapas em que ocorrem as suas mudanças: 1) O alinhamento, ou porte, ou posicionamento, ou postura, ou projeção pessoal do participante está de alguma forma em questão; 2) A projeção pode ser mantida através de uma faixa de comportamento que pode ser mais longa ou mais curta do que uma frase gramatical, de forma que a gramática frasal não ajuda, embora pareça claro que alguma forma de unidade cognitiva está minimamente presente, talvez uma oração fonêmica. Estão implícitos segmentos prosódicos, não sintáticos; 3) Deve ser considerado um contínuo que vai das mais evidentes mudanças de posicionamento às mais sutis alterações de tom que se possam perceber; 4) Quanto aos falantes, a alternância de código está comumente presente e, se não está, estarão presentes ao menos os marcadores de som: altura, volume, ritmo, acentuação e timbre; 5) É comum haver, em alguma medida a delimitação de uma fase ou episódio de nível “mais elevado” da interação, tendo o novo footing um papel liminar servindo de isolante entre dois episódios mais substancialmente sustentados. A mudança de footing implica uma mudança de alinhamento que assumimos para nós mesmos e para os outros presentes, expressa na forma em que conduzimos a produção e a recepção de uma elocução. A mudança de footing está comumente vinculada à linguagem, emso que seja apenas os marcadores paralinguísticos.
A desconstrução do paradigma tradicional, Falante-Ouvinte se inicia quando Goffman questiona estas categorias fixas de participantes; elas são definidas a partir do som que produzem ou deixam de produzir, enquanto a visão e, muitas vezes, o tato são organizadores da interação, isto é, além da produção de palavras, também a sua reconstrução e transformação são importantes. E isso se dá a partir da operação do canal visual, paralinguistico, gestual: as pistas visuais do ouvinte, a gesticulação, a sincronia da mudança do olhar, a expressão facial, a proximidade e a distãncia entre os participantes, etc.

Aperfeiçoando o paradigma tradicional: É preciso reconhecer que qualquer momento da conversa pode sempre ser parte de uma conversa, mesmo quando não esteja acontecendo nenhuma conversa, existe um “estado de conversa”. O mesmo pode se dizer dos rituais de saudações e despedidas, que ratificam o encontro social. Embora possa se entender que seja preciso observar o todo, para fins de análise é preciso que se se isolem momentos de fala sem, no entanto, rotulá-los de conversação, conversa ou discurso.
Revendo a noção de ouvinte, ouvidor, interlocutor. Goffman detalha esta noção em ouvinte ratificado, cuja participação está autorizada pelo encontro social e o ouvinte não ratificado, ou seja, o circunstante que, intencionalmente ou não, acompanha a a conversa. Se não há intenção, o circunstante procede à retirada ecológica e sinaliza ao Falante que não desejamos e não vamos ouvi-lo. A noção de circunstante altera o ponto de referência estudado que deixa de ser encontro social e passa a ser situação social. Entre os ouvintes oficiais há aqueles que são endereçados e os que não são endereçados, e que são identificados pelas pistas visuais, além dos vocativos. Uma vez revisto o paradigma Falante/Ouvinte, e admitindo-se circunstantes mais de um ouvinte pode-se definir a comunicação subordinada – jogo paralelo (comunicação subordinada de um subgrupo de participantes ratificados); jogo cruzado (comunicação entre participantes ratificados e circunstantes que vai além das fronteiras do encontro dominante); jogo colateral (palavras respeitosamente murmuradas, trocadas exclusivamente entre circunstantes. Segundo Goffman, as comunidades têm seus próprios marcadores gestuais distintos e padronizados que sinalizam os jogos correntes. A dissimulação da comunicação subordinada se traduz em conluio. A insinuação ocorre quando o falante dirige palavras a um interlocutor encobrindo suas reais intenções, que são percebidas por alguns mas não por todos. Goffman comenta ainda que a participação ratificada abrange também o ato em que participantes tanto aderem quanto abandonam a conversa.
Revendo o contexto da fala. A fala pode estar presente na conversa (mas não necessariamente) e pode tomar a forma de monólogo expositivo ( discursos, palestras, recitações, leituras de poesia). Essa constatação sugere a necessidade de diferenciar platéia, de companheiros de conversa. O papel da platéia é apreciar as observações e não responder de forma direta.
Revendo a noção de Falante: Ele é a máquina de falar, um corpo envolvido numa atividade acústica, um indivíduo engajado no papel de produzir elocuções. Quando ele seleciona as palavras e sentimentos da elocução ele é autor. Quando ele motiva os outros a falar é animador e quando ele representa a fala de alguém, seus sentimentos e suas palavras ele é responsável. Essa diferenciação permitirá elucidar o formato de produção de uma elocução.
Embora o autor sustente que a estruturação da participação e o formato da produção fornecem a base estrutural para a análise da mudança de footing sua importância para a estrutura das elocuções ainda está para ser discutida e respondida pela Lingüística e não mais pela Sociologia. Como as afirmações são construídas, seu encaixamento, em um tópico espinhoso. Por exemplo, quando inserimos alguém na nossa fala, mudando de “eu” para “ a gente” ou “ninguém”, estamos mudando o nosso footing.
Finalmente Goffman discute a ritualização de estruturas de participação exemplificando a situação de concluio, não mais entre participantes de uma conversa, mas entre um grupo de amigos em que ninguém é excluído do cochicho, em que o gesto carcterístico da fofoca é realizado de forma a mostrar o caráter confidencial do tópico.

ANTAKI, Charles, DÍAZ, Felix, COLLINS, Allan. F. Keeping your footing: Conversational completion in three part sequences.

O texto versa sobre como a completação de enunciado de um Falante, em uma seqüência de três partes, se dá pelo Ouvinte não apenas do ponto de vista gramatical, mas do ponto de vista do footing realizado no enunciado prévio. Assim Os autores apresentam fragmentos de vários trechos e mostram como a aceitação ou rejeição da completação se dá pelo Falante como autor, transmissor ou principal, segundo terminologia de Levinson.
1. Footing e status do participante: O que A (falante) ratifica ou rejeita não é simplesmente a acuracidade e precisão das palavras utilizadas por B, e sim a perspectiva utilizada para a completação.
2a. Aceitação ou rejeição como Autor: marcadores de concordância aberta como Isso (correspondendo ao Yes) na terceira parte; anáforas. Pode ser que B mantenha o footing de A mas escolha erradamente as palavras. Nesse caso, a rejeição se dá por falsos começos. Quando B não mantém o footing de A mesmo que sintaticamente B tenha preenchido a fala, A rejeita com marcador tipo iniciação Mais correção, por exemplo: é, mas.
2b. Transmissor: representa a fala de alguém sem motivação pessoal: a aceitação vem em forma de sobreposição exata de falas, como no caso de leitura de instruções; eco de enunciado, token de concordância (oh yes) são marcadores de aceitação de A à completação de B.
2c. Principal-responsável: responsabilidade conjunta de forma e motivo. Bons exemplos podem ser extraídos de interações em que há tarefas conjuntas.: painelista que colabora (conforme Sacks) com o outro painelista completando seu enunciado.
3.Administração da aceitação ou rejeição do footing: a)Para concordância: tokens de concordância; ecos de completação, marcadores de apreciação. B) para erros no mesmo footing: ou o reparo por A por um iniciador Mais correção ou por auto reparo;c) rejeição explícita por parte de um outro participante que não A ao desafio de B em mudar o footing. Quando A entra na conversa sua rejeição segue o padrão com uma iniciação de correção ( Eu acho que não);
4. Achados emergentes a) completações que mantém o chão: A simplesmente não apresenta uma terceira parte relevante; b) apreciação zero na terceira parte da seqüência: A simplesmente se ausenta na terceira parte; c) footing como Autor não parece facilitar correção; d) como lidar com ambigüidade: é completação de B o que ocorre após A ou há uma intromissão de B na fala de A provocando ou tentando mudar o footing?
Como os autores finalizam , seu objetivo foi argumentar que o elo que completou duas declarações (como uma sentença, ou turno) foi sempre acompanhado por outro tipo de elo: a orientação do footing no qual a declaração foi emitida. Os autores acompanham os trabalhos de Levinson principalmente sua noção de status de participante que vai além do autor, incorporando o transmissor e co-autor.

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