| Subject: Re: Os Falsos Dilemas da Esquerda - Publico / Privado |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 28/01/05 12:24:00
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Os Falsos Dilemas da Esquerda - Publico / Privado" on 20/01/05 16:58:13
>Não me parece existir um dilema que "atormente" a Esquerda.
Desde a Revolução francesa que principiaram a desenha-se caracteristicas marcantes relativamente à Esquerda.
Desde logo a publicisação da actividade social,a regeição teórica em sectores do pensamento , do principio da lucratividade ,os principios corporativos que tolhiam a afirmação das classes médias e da competitividade, uma crescente intervenção mutualista ,já com pendores socializantes.
A defesa do sector Público é ,pois, um apanágio da esquerda,sem prejuizo de uma gestão económica que não engeita a filosofia do Custo/Eficácia. Público ,portanto, não é sinónimo de cultura do desperdício mas é a submissão do interesse particular e privatistico ao interesse colectivo.
Numa exigente intervenção Estatal na defesa dos direitos sociais da Comunidade ,o cooperativismo não tem ,em numerosas áreas,possibilidade de se adaptar e conviver com a Administração do todo comunitário que se quer universal.
Por outro lado,parece pacífico ,que um Estado que salvaguarde a área social da comunidade não terá que admitir um assistencialismo,uma caridade, em regime de supletividade...
>Conto nos próximos tempos tratar dos "Falsos Dilemas
>da Esquerda", que tolhem e confundem as políticas de
>esquerda, a saber:
>
>1. Público / Privado
>2. Populismo / Corporativismo
>3. Liberalismo / Assistencialismo
>
>Hoje vem a propósito a reclamação comum ao BE e ao PCP
>do "regresso ao sector público dos Hospitais SA".
>
>Fala-se disto como se fosse uma evidência, como se ser
>de esquerda fosse necessáriamente exigir isto, e não
>se explica porquê. O cidadão comum não perceberá
>certamente o que é que isso tem a ver com a sua
>qualidade de vida...
>
>Está subjacente a ideia de que a gestão privada dos
>hospitais, mesmo que trate bem os utentes, só serve
>para engordar os capitalistas.
>Esta lógica omite uma terceira hipótese de tipo
>Cooperativo; nesse caso os hospitais não seriam nem
>uma "repartição pública" nem um empresa capitalista
>mas sim cooperativas de profissionais de saúde.
>
>Somos levados a pensar que o Serviço Nacional de Saúde
>não tem nada a ver com os impulsos pecaminosos que
>impelem os capitalistas para o lucro. Se analisarmos
>os Custos Operacionais do SNS
rel=nofollow target=_blank >href="http://www.dotecome.com/politica/Textos/custos_op
>er_sns_2002.htm" target="blank">(clique aqui para ver
>o quadro) Chegamos à conclusão que está longe de
>ser assim.
>
>54,4 % da fabulosa soma de 1300 milhões de contos
>(Custos Operacionais de 2002) são gastos com
>fornecimentos provenientes na sua quase totalidade de
>empresas privadas, CAPITALISTAS....
>
>Os medicamentos, só por si, constituem um chorudo
>negócio de 440 milhões de contos e os "meios
>complementares de diagnóstico e de terapêutica", cujos
>proprietários são em geral médicos, ascendem a um
>volume de negócios de cerca de 115 milhões de contos.
>
>É caso para perguntar porque razão os defensores do
>"público contra o privado" não exigem a nacionalização
>dos laboratórios farmacêuticos e a inclusão no sector
>público dos laboratórios de análises clínicas e outras
>empresas prestadores de serviços ao SNS (que segundo a
>imprensa são "useiras e vezeiras" nas fraudes e na
>fuga ao fisco). Realmente as somas fabulosas que estão
>em jogo fazem milagres de esquecimento mesmo dos,
>aparentemente, mais radicais.
>
>Muitas propostas aparentemente revolucionárias são,
>consciente ou inconscientemente, formas de desviar a
>atenção destes chorudos negócios. Também não serão
>alheias às tentativas de manter as posições de onde
>são emitidas as encomendas de tão volumosos contratos.
>
>
>O que fica provado é que a verdadeira exigência da
>esquerda deveria ser a da máxima qualidade dos
>cuidados prestados com os menores encargos para o
>erário público quer se trate de usar os meios
>próprios quer se trate de aquirir produtos ou serviços
>ao exterior.
>
>.
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