| Subject: cooperativismo |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 9/02/05 19:33:39
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "falam, falam, falam mas ninguém os vê fazer nada..." on 9/02/05 14:09:04
1 - sobre o "falam, falam" é uma observação pouco objectiva; aonde queres chegar? Que eu não tenho estado envolvido no processo? Só se avaliarmos os CVs é? Acho que isso é pouco interessante.
2 - sobre cooperativas é preciso ser cuidadoso, porque as cooperativas têm uma grande plasticidade. No essencial, "é muito difícil distinguir uma cooperativa de uma sociedade comercial por cotas", diz um economista da minha preferência; sobre a via cooperativa para o socialismo, sabemos das grandes objecções a essa visão - segundo ouvi dizer haverá uma interessantíssima polémica António Sérgio - Álvaro Cunhal, no Diabo e que está esquecida; A primeira questão é qual o âmbito da cooperativa, quem devem ser os cooperantes, e se esta envolve a propriedade dos meios ou apenas a sua gestão, sem direitos patrimoniais, portanto. Eu não complicava. Eu apenas desenvolvia um sistema de autonomia económica, segundo contratação de produção pelo seu valor, com direito à administração autónoma dos saldos e direita à negociação interna dessa margem com os profissionais. Isso é estimular a "cooperação" sem ter que necessariamente recorrer ao edifício jurídico do código cooperativo e comercial. O objectivo não é a "cooperativa" mas a cooperação e sobretudo o controlo do sobretrabalho. Isso pode ser feito sem o salto daquilo que geralmente se chama cooperativa. Há neste momento uma proposta da direita para os centros de saúde poderem ser geridas por cooperativas. Estas contudo não obrigam a incluir a totalidade dos profissionais, mas podem ser dois ou três a tomar conta dos outros assalariados. Esta linha é vista, provavelmente com razão como o pretexto da privatização, porque esta também é expressamente contemplada. Só que se adoça a boca a alguns médicos dando-lhes a chance de arrematarem alguns centros de saúde, a par dos Mellos. A ideia parece ser dar a espaço a algum capital médico, e depois, quando este der com os "burrinhos na água" então privstizar. Só falo nisto para ilustrar como é escorregadio este terreno.
A proposta comunista (e aceite por muitos socialistas) tem sido: criar autonomia económica (direito a gerir saldos, repercutir esses montantes na negociação interna de forma a reformar as retribuições e gerar um ambiente onde a remuneração esteja ligada à produção. Assentar numa forte regulação das agências de contratação, as quais funcionariam como representantes dos interesses dos financiadores contribuintes. E vigiriam, a boa execução dos contratos.
Nos momentos críticos em que houve oportunidade de avançar no caminho comunista, uma coligação burguesa e muita inconpreensão da esquerda, derrotaram esta pprspectiva. O primeiro a derrotá-la foi o ministro das finanças que recusa instituições autónomas. O ministro das finanças só aceita autonomia para os capitalistas - por exemplo o AMadora Sintra. Só quem arrisca capitais próprios tem o direito de ser autónomo. Os que jogam com capitais alheios, não tem direita a nada e devem trablhar segundo o comando do ministro das finanças, segundo o assalariamento. Os capitallistas, odeiam a ideia de instituições públicas a operar com toda a plasticidade e ganhos de eficiência que a autonomia económica possibilita. O capitalismo não quer essa concorrência. O capitalista quer hospitais a trabalhar sob asfixia.
Em resumo, nós não temos ido pela ideia do cooperativismo, com toda a carga jurídica e conceptual que ele tem em Portugal, mas temos tentado abrir soluções de cooperação que permitam controlar o sobretrabalho por quem o trabalha.
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