| Subject: Objectivos enunciados e objectivos reais |
Author:
Vasco
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Date Posted: 3/02/05 10:36:48
In reply to:
Cínico em Pessoa
's message, "Re: Tu éque não quiseste perceber!!!.." on 2/02/05 21:36:41
É tão errada a oposição a medidas que venham da União Europeia, só por daí virem, como a da sua aprovação só por daí virem, ou por explicitarem objectivos correctos ou "bonitos". A maioria dos objectivos enunciados nas declarações políticas são "bonitos". As políticas de privatização da água, da saúde, da educação, etc, são sempre propostas com o acompanhamento de objectivos de melhoria da qualidade, da liberdade de escolha, da redução de custos. O se estar contra medidas tendentes à privatização da água, por exemplo, não significa, obviamente, estar contra a melhoria da sua qualidade, objectivo que estará certamente inscrito nos objectivos dessas medidas. Bem pelo contrário.
Analisar pois os objectivos reais da declaração de Bolonha não pode ser efectuada simplesmente na base dos seus objectivos enunciados, muitos dos quais correctos, mas também nas medidas que à sua sombra estão a ser implementadas em Portugal e noutros países.
O PCP tem travado alguma discussão neste âmbito e a sua posição é mais ampla do que a contida no programa eleitoral, onde apenas se salienta qual parece ser o sentido principal do processo de Bolonha, não o declarado, mas o real.
Esta conclusão está um pouco mais desenvolvidano na Resolução do Encontro Nacional do PCP sobre a situação da Educação em Portugal, onde se afrma:
A Declaração de Bolonha tem dois objectivos óbvios mas não declarados: a elitização
económica do Ensino Superior condicionando-o assim aos interesses do grande capital e a
privatização progressiva do ensino superior público.
A fragmentação do ensino superior em ciclos com custos acrescidos das propinas de cada
ciclo possibilitará uma maior coincidência entre as elites intelectuais e as elites económicas: o
acesso ao conhecimento será, ainda mais, um privilégio dos ricos.
Àqueles cujos escassos recursos económicos não permitirem a passagem ao segundo ciclo
será negada a formação integral que lhes poderia conferir as capacidades para assumir uma
posição consciente no controlo da economia e, ao mesmo tempo, as capacidades profissionais
para as tarefas do desenvolvimento e da inovação.
Por outro lado, através da estratificação do Ensino Superior em ciclos pretende-se acelerar o
processo da sua privatização. Com efeito, quanto mais os cursos forem estratificados mais
fácil se tornará a «produção» de tais pacotes pelo sector privado da educação. A ajudar ao
processo está a inviabilização do ensino superior público por subfinanciamento.
As declarações conjuntas dos ministros da educação da U E são assim uma verdadeira
declaração de guerra ao ensino superior europeu, a pretexto de «uma optimização do mesmo,
de forma a responder aos desafios da globalização».
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