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VASCO PULIDO VALENTE
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Date Posted: 4/02/05 12:09:21
Não há cão nem gato que não ande por aí a lamentar a frivolidade da campanha. Aparentemente, a campanha não se ocupa das "questões que interessam o país". Isto, de certa maneira, não deixa de ser verdade. Com Santana Lopes não é possível ter uma conversa seguida sobre coisa nenhuma. Nos melhores momentos, o homem não excede o desenvolvimento mental dos quatro anos. Além disso, os jornalistas da imprensa e da televisão, principalmente os da televisão, só fazem perguntas sobre o "caso da hora" (e Santana arranja de facto um "caso" de hora a hora) ou sobre as minúcias tácticas de que se consideram especialistas. Ainda anteontem, por exemplo, Judite de Sousa, cheia de risinhos de superioridade, atazanou Paulo Portas com as trapalhadas da aliança PP-PSD e esqueceu tudo o resto. Mas, no fundo, existe outra razão, e uma razão óbvia, por que se não discutem as tais "questões que interessam o país".
A inocência pública continua a presumir que os políticos compreendem, em geral, os problemas da sociedade portuguesa e que lá num cantinho remoto do seu cérebro sabem como os resolver. Nada justifica este optimismo. Pelo contrário. Sempre que abrem a boca os políticos mostram abundantemente que estão fora de pé, sem uma única ideia substantiva de governo. Reconhecem com dificuldade a evidência: a desgraça do défice, o atraso da economia, o peso do Estado, a desordem da justiça, o desemprego, a pobreza, a desigualdade e por aí fora. E anunciam "reformas", que pertencem à categoria da especulação infantil: o "como", o "quando" e o "a que preço" ficam invariavelmente de fora, no vasto reino da ignorância e da vigarice. Por isso, e por que é preciso disfarçar, apareceram também algumas panaceias com nomes de livrecos de futurologia: "O Choque Tecnológico" (grande "best-seller" em Alcabideche) e "O Choque de Gestão" (grande "best-seller" em Tortozendo). São bolos para enganar os tolos. Na altura do pão, pão, queijo, queijo, volta fatalmente a velha mezinha, que já falhou e tornou a falhar: a educação, a educação e a educação, eventualmente decorada com uma patetice ao acaso (diminuir o desemprego, "reduzir" o Estado, salvar o ambiente: o trivial). Não admira que ninguém leve a sério a lengalenga. Mesmo a insistência em discutir as "questões que interessam o país" não passa de pura (e estafada) propaganda. Os políticos têm a cabeça infinitamente vazia, admitindo, por muito favor, que têm cabeça.
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