| Subject: Re: BE A Mania das Grandezas |
Author:
Cínico em Pessoa
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Date Posted: 4/02/05 21:36:15
In reply to:
JC
's message, "BE A Mania das Grandezas" on 4/02/05 20:55:07
Zangam-se as comadres...
>Jorge Cordeiro, Avante, 03/02/05
>
>BE
>A mania das grandezas
>
>Não será o momento para uma caracterização exaustiva
>do BE, da sua origem, das suas características e
>matriz ideológica. Nem para nos fixarmos ou dar
>excessivo valor à indisfarçável inveja que
>repetidamente o Bloco manifesta pelo que o PCP,
>enquanto grande força de esquerda, representa na vida
>política nacional traduzida no repetido recurso à
>menorização do papel do PCP como principal e mais
>combativa força de oposição à política de direita, na
>reiterada adulteração das suas posições, na campanha
>de desvalorização da intervenção do PCP.
>
>O que de momento mais importa é não deixar que a
>mentira alastre. O que de momento mais importa é
>registar esta mania das grandezas ostentada pelo Bloco
>que, sem ponta de vergonha e recorrendo à
>falsificação, procura a todo o custo pôr-se em bicos
>de pé para parecer ser o que não é, mesmo que para
>isso, tenha que amesquinhar ou caricaturar
>adversários. Lendo e ouvindo os principais dirigentes
>do BE ser-se-ia julgado que antes deles seria — em
>matéria de iniciativa política, defesa de causas e
>valores, oposição às políticas de direita — o deserto
>de ideias, de convicções e de combatividade. Ou que
>antes deles fosse o tempo das trevas que a sua
>iluminada presença por fim eliminara. Na história
>recente da vida política nacional rescrita pela mão do
>BE, é como se a iniciativa e o papel não apenas do PCP
>mas também de numerosas organizações sociais com
>intervenção ao longo de décadas em torno de alguns das
>áreas e temas, que agora o Bloco pretende apropriar
>como suas, nada valesse ou nunca tivesse existido.
>
>É recorrente na atitude e discurso do BE a tentativa
>de, tendenciosa e falsamente, se afirmar como
>percursor de todas e cada uma das causas ou temas
>políticos.
>
>Ouvindo e lendo dirigentes do BE, acreditar-se-ia
>terem sido eles a introduzir e a impor na agenda
>política nacional temas como a despenalização do
>aborto, a luta contra os off-shore ou pela quebra do
>sigilo bancário e por uma reforma fiscal, ou a
>introduzir a noção de toxicodependente como doente e
>não como criminoso, quando se sabe ser de 1982 o
>primeiro projecto de lei do PCP sobre a despenalização
>do aborto; que de há muito, mais do dobro da idade do
>BE seguramente, o PCP luta contra os paraísos fiscais
>ou realizou os seus primeiros encontros sobre
>toxicodependência. Ou, ainda, como recentemente um dos
>seus principais rostos afirmou seria «o BE o único a
>referir que continua a haver a necessidade de revisão
>do Pacto de Estabilidade», quando como se sabe , ainda
>o BE estava na incubadora, já o PCP se pronunciara
>contra o Pacto quer desde logo, em 1997, na sequência
>do Tratado de Amsterdão, que o instituiu, quer
>posteriormente em muitos outros momentos de que são
>testemunho programas eleitorais e outras posições onde
>se reclama a revisão do Pacto.
>
>A mania das grandezas é tal que o candidato pelo Porto
>e actual deputado do BE afixou um cartaz em que
>anuncia só ele ter apresentado 118 projectos de lei.
>Descontando o truque de apresentar como seus, e
>implicitamente associados ao Porto, todos os projectos
>do Bloco na legislatura, e descontado que seja o facto
>de conseguir apresentar como projectos seus um número
>superior ao total do que o seu partido apresentou,
>sobeja o pormenor ocultado de que quanto ao distrito
>em que foi eleito a coisa se resume a 4 projectos e 2
>propostas na discussão do Plano de Investimentos da
>Administração Central. Dir-se-á que não sendo muito,
>foi de boa vontade. E sobre isto nada haveria a
>objectar se a «mania da grandeza» não o tivesse
>levado, desleal e enganosamente, a afirmar que foi o
>seu deputado do Porto que mais trabalhou!
>
>Não por qualquer espírito competitivo mas por
>elementar respeito pela verdade informa-se que o
>deputado do PCP Honório Novo eleito pelo círculo do
>Porto apresentou, respeitante àquele distrito, 10
>Projectos de Lei e 33 propostas de alteração ao PIDDAC.
>
>Mais depressa se apanha quem mente...
>
>Em vésperas de eleições, o BE não resistiu à repetição
>daquele conjunto de imprecisões e falsidades
>conhecidas, algumas das quais com honra de figurarem
>por escrito em materiais de campanha. O que obriga a
>deixar aqui registado que, à excepção da questão das
>medicinas alternativas em que se não nega a sua
>iniciativa, um conjunto de factos indispensáveis para
>que a verdade prevaleça.
>
>A mania... a mentira... e os factos...
>
>Foi com o Bloco de Esquerda que...
>
>... a mentira...
>
>... começou a reforma fiscal.
>
> ... e os factos:
>
> Sem trazer à memória as inúmeras intervenções e
>propostas do PCP produzidas ao longo dos anos,
>designadamente em sede de discussão dos Orçamentos de
>Estado, quando esse raio de luz que dá pelo nome de BE
>ainda não resplandecia, e para que a mentira não
>perdure, registe-se que mesmo em matéria de
>iniciativas legislativas os primeiros projectos
>apresentados são do PCP ( PL 62/VIII de 1 de Julho de
>2000) e não o do BE (PL 283 /VIII de 4 de Setembro)
>como a elementar verificação da data e do número dos
>projectos provam.
>
>
>... a mentira...
>
>...começou a resposta à violência doméstica contra as
>mulheres.
>
> ... e os factos:
>
> Remonta a 31 de Maio de 1991 o primeiro projecto
>de Lei (PL 770/V) apresentado pelo PCP na Assembleia
>da Republica sobre a matéria e que esteve na origem da
>aprovação da Lei 64/91, de 13 de Agosto, que veio a
>consagrar medidas de protecção às mulheres vítimas de
>violência. Já posteriormente, em Março de 1999 e em
>Janeiro de 2000, respectivamente o PEV e o PCP
>apresentaram iniciativas legislativas destinadas a
>reforçar estas medidas de protecção.
>
>
>... a mentira...
>
>... o toxicodependente começou a ser tratado como
>doente em vez de ser preso.
>
> ... e os factos:
>
> É de Junho de 1992 o primeiro Projecto Lei
>apresentado pelo PCP na Assembleia da República (PL
>479/VI) rejeitado então pela maioria parlamentar do
>PSD. Já posteriormente, o PCP apresentou os PL29/VII
>(Junho de 1995), PL 176/VII (Junho de 1996), PL
>334/VII de Abril de 1997 e PL 543/VII (Junho de 1998)
>que visavam designadamente a criação de uma rede de
>serviços públicos para o tratamento e reinserção de
>toxicodependentes, a definição dos princípios gerais
>da política nacional de prevenção e a assunção pelo
>Ministério da Saúde das suas responsabilidades no
>atendimento e tratamento. Para que se registe, o PCP
>apresentou na VII Legislatura, em Junho de 1996, pela
>primeira vez na Assembleia da República um projecto
>que propunha a exclusão absoluta de penas de prisão
>por consumo de drogas.Em Março de 2000, o PCP
>apresentou, entre outras, uma iniciativa destinada à
>despenalização do consumo de drogas (PL 120/VIII) que
>esteve na origem da aprovação da Lei 30/2000 de 29 de
>Novembro.
>
>
>... a mentira...
>
>... se fez frente às direitas no poder.
>
> ... e os factos:
>
> Como se pode comprovar na atitude do BE de,
>durante largo tempo, dar por adquirido a
>inevitabilidade da coligação de direita governar até
>2006 e de considerar «irrealista» a inscrição pelo PCP
>do objectivo de exigir a demissão do governo e a
>convocação de eleições antecipadas.
>
>... a mentira...
>
>... se inscreveu na agenda política o combate pela
>despenalização do aborto.
>
> ... e os factos:
>
> Sem necessidade de se repor nestas linhas a
>apresentação das inúmeras iniciativas legislativas que
>desde há duas décadas o PCP vem apresentando, e
>passando ao lado da ziguezagueante orientação do BE
>quanto aos caminhos para assegurar a despenalização da
>interrupção involuntária da gravidez, nada melhor para
>responder ao pretenso vanguardismo do Bloco na luta
>pela causa, do que a confissão plasmada no texto da
>resolução da sua 1ª Convenção (Janeiro de 2000) no
>sentido de que «irá entregar o seu projecto, na
>sequência (sublinhado nosso) do que o PCP já
>apresentou».
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