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Luís Delgado, DN, 10/02/05
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Date Posted: 12/02/05 9:31:20
Três campanhas
Luís Delgado, DN, 10/02/05
Se fosse um especialista em campanhas eleitorais, e olhando apenas para as dos três partidos mais pequenos, diria que Paulo Portas e Jerónimo de Sousa são os que melhor têm gerido as suas aspirações e convicções, embora cada um no seu lado do espectro político.
Portas está empenhado em passar a mensagem de um CDS/PP como partido insubstituível num governo de estabilidade, do qual já não se pode prescindir.
Tem razões para isso, e a sua máquina eleitoral, pelo que se percebe da agenda, cartazes e acções de campanha, está montada ao milímetro, numa mistura entre o populismo que sempre deu votos a Portas e a atitude de Estado, mais circunspecta, que quer passar, por direito próprio.
Quanto a Jerónimo de Sousa, o estilo e a forma é outra. (Um aviso como vou dizer bem dele e da sua campanha, acrescento que não é estratégia para puxar pela CDU. É o que é!) É um líder de uma empatia excepcional, verdadeiramente interactivo, e capaz de estar num local com fato e gravata, e no momento seguinte de camisa aberta e botas de operário. Esta metamorfose ajuda-o, e muito. Tem uma campanha personalizada, o que é raro no PCP, e isso demonstra que o partido, sendo ele um ortodoxo, afinal até está mais centrado do que nunca. Sabe que tem de ganhar à esquerda e à direita, e afirmar-se como secretário- -geral. É, talvez, a campanha mais serena destas eleições, o que pode dar frutos.
O Bloco de Esquerda está como sempre capaz do melhor, do mais inesperado, do mais sério e do mais cómico. Umas vezes radicaliza, outras dilui o discurso, e na maior parte dos casos mantém os tiques de um reduto político que ainda não resolveu a sua esquizofrenia: não pode, ao mesmo tempo, estar no sistema, e viver dele, e ter uma face anarquista, destrutiva e radical. Pode dar votos, mas rapidamente atingirá o seu patamar máximo de subida, como aconteceu com congéneres, noutros países democráticos. E Louçã, sendo um orador brilhante, e uma inteligência fulgurante, como Portas, diga-se, passa rapidamente da calma explicativa à fúria explosiva. Tem dias.
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