| Subject: Re: Portas versus Louça |
Author:
ASL
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Date Posted: 25/01/05 20:16:00
In reply to:
visitante atento.
's message, "Portas versus Louça" on 21/01/05 13:33:37
Público, 23/01/05
Ana Sá Lopes
A velha esquerda moralista ao ataque
O que Francisco Louçã disse no frente-a-frente com Paulo Portas, na SIC-Notícias, é de uma gravidade extrema.
Tão grave e significativa da cultura de grupo foi a pronta solidariedade com que os principais dirigentes do Bloco de Esquerda se apressaram a acudir ao desvarío do “líder” (ver Público de ontem), reflexo do pensamento mais conservador em que está estruturado o partido alegadamente “fracturante” e da clara dificuldade (ao contrário do que ocorre no resto do espectro partidário português) em encontrar fracturas internas.
Retirar o “direito” a Paulo Portas de se pronunciar sobre a despenalização do aborto ou sobre “o direito à vida” pelo facto de nunca ter gerado uma, como o fez Francisco Louçã, é uma afirmação que radica no mais básico dos populismos e num dos mais extremos conservadorismos.
Deliberadamente ou não, o Bloco de Esquerda fez o jogo da direita mais conservadora e ultramontana, colando-se a ela nos seus valores e preconceitos (e basta passar os olhos por alguns blogues de direita para perceber como a minoritária direita monteirista se babou com o brinde inesperado que Francisco Louçã lhes atirou para o colo).
O uso da vida privada de cada um com objectivos políticos é uma arma sempre populista e quase sempre indecorosa.
A “filha de Louçã” ficará para a história desta campanha como a vez em que o Bloco de Esquerda arremessou à cara de Paulo Portas a sua condição de “não pai” como argumento para uma qualquer capacidade diminuída para ter opinião na matéria de despenalização do aborto.
A força do argumentário de Louçã para com Portas (“O senhor não sabe o que é gerar uma vida! O senhor não sabe o que é gerar uma vida! Não tem a mínima ideia sobre o que isso é! Eu tenho uma filha! Eu sei o que é o sorriso de uma criança!”) veio, curiosamente, a ser reforçado por outro dirigente do Bloco de Esquerda, o deputado João Teixeira Lopes, a quem saiu, nas declarações que fez ao Público de ontem, esta verdadeira pérola: “Há um limiar de hipocrisia muito forte da parte de Paulo Portas, que constrói uma fachada de conservador, de homem de Estado, mas que depois não a leva até às últimas consequências” (??!!!).
O que está o Bloco a fazer? A pedir a Portas que case, tenha filhos, de modo a prosseguir a carreira política para satisfação do Bloco de Esquerda? O estado civil de solteiro é incompatível com o conservadorismo, segundo a cartilha do Bloco? O Bloco arvora-se, doravante, em escrutinador da vida privada de cada um e da sua conformidade com os princípios e a moralidade...do próprio Bloco, presume-se? O casamento - e a procriação -, segundo o Bloco, são o único estatuto social que dá direito a “falar” ou a defender princípios conservadores?
A velha esquerda polícia de costumes ressurgiu, em todo o seu esplendor, na ira de Francisco Louçã e nas declarações de João Teixeira Lopes.
A gravidade, a intolerância e a cultura anti-democrática que daqui resultam são profundas e vão deixar marcas no potencial eleitorado do Bloco de Esquerda. Jornalista
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