| Subject: Re: Intervenção de Jerónimo de Sousa no Jantar com intelectuais |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 1/02/05 12:24:46
In reply to:
José Tanganho
's message, "Intervenção de Jerónimo de Sousa no Jantar com intelectuais" on 1/02/05 11:35:04
É uma intervenção digna de apreço e que ultrapassa as diatribes que, contra o PCP, alguns intervenientes do "forum" se aprestam em esgrimir.
Essa do PCP,propôr directa ou indirectamente a saída de Portugal da UE, é uma calúnia lamentável.Propôr determinadas revisões de dossiers e exigir uma mais cuidadosa e criteriosa negociação no futuro, são coisas diferentes da debandada pura e simples...
>Intervenção do Secretário-geral do PCP
>Jerónimo de Sousa,
>no Jantar com Intelectuais da CDU
>Lisboa, 31/01/05
>
>(...)
>
>A esfera da cultura compreende questões de enorme
>importância estratégica para a solução dos problemas
>nacionais e progresso do país.
>
>Portugal mantém uma posição desfavorável no contexto
>dos países desenvolvidos, nomeadamente no quadro
>europeu em indicadores de desenvolvimento nos planos
>educativo, cultural e científico que urge ultrapassar.
>Estão aí para o comprovar os nossos ainda
>insuficientes níveis de instrução, qualificação,
>criação científica, artística e literária e de fruição
>cultural.
>
>Contudo, nos últimos anos, sucessivos governos, pelas
>políticas que adoptaram, foram incapazes de tirar
>partido das capacidades e competências que o país tem
>e de atacar com determinação as nossas insuficiências.
>Têm sido tempos marcados por políticas de progressiva
>desresponsabilização do Estado nas áreas da cultura
>científica e artística, pelo subfinanciamento
>asfixiante nas áreas culturais, nas quais se incluem a
>da educação, pelo favorecimento de processos de
>mercantilização e elitização, pelo arrastamento da
>crise que se instalou em instituições fundamentais no
>plano da criação e da investigação que tiveram
>resultados desastrosos num país que precisa de romper
>com o seu relativamente baixo nível de desenvolvimento
>económico, social e cultural.
>
>Não é possível sustentar e realizar um projecto de
>profunda transformação democrática da sociedade
>portuguesa, um projecto de progresso e
>desenvolvimento, sem o indispensável contributo dos
>trabalhadores intelectuais e sem uma política dirigida
>à melhoria das suas condições de trabalho. Pela
>natureza do seu trabalho, pela importância dos
>sectores em que o exercem, sectores que lidam com as
>grandes necessidades sociais e nacionais - da produção
>ao ensino e à educação, à saúde, à ciência, à
>administração da justiça e à comunicação social - pela
>sua capacidade de assumirem uma responsabilidade
>solidária quanto à eficácia social do seu trabalho,
>têm um papel importantíssimo, que não pode continuar a
>ser subestimado seja na elaboração de propostas seja
>na concretização de um projecto alternativo para o
>desenvolvimento do país.
>
>Para a CDU, é necessário e urgente dar resposta à
>degradação das condições de trabalho e de vida de
>inúmeros profissionais intelectuais; ao gravíssimo
>problema do desemprego que atinge fortemente as jovens
>gerações de intelectuais; ao problema da precarização
>dos vínculos laborais, da instabilidade profissional e
>da degradação salarial; ao crescente fenómeno de
>desadequação do emprego à respectiva formação
>académica; ao desaproveitamento dos novos valores.
>
>É necessário uma política que, combatendo a degradação
>das condições de trabalho, favoreça a elevação dos
>níveis de autonomia relativa do trabalho intelectual e
>atenue e impeça a crescente pressão do capital para a
>instrumentalização do seu trabalho, pondo em causa os
>seus direitos sociais e civilizacionais.
>
>Para a CDU, é imperiosa a realização de uma política
>cultural verdadeiramente alternativa àquela que vem
>sendo aplicada, aumentando o apoio e financiamento
>adequado das actividades e instituições culturais e,
>sobretudo, praticando um entendimento da cultura como
>um instrumento de emancipação individual, social e
>nacional, como um factor de desenvolvimento e de
>transformação da vida.
>
>Uma política cultural, entendida no seu sentido mais
>amplo, que garanta o acesso à educação e ao ensino com
>a valorização da escola pública e o alargamento da sua
>oferta a todos os níveis de ensino, nomeadamente ao
>superior, visando a elevação cultural das camadas
>populares e o combate ao insucesso e abandono escolar.
>Uma política que apoie e potencie o trabalho de
>investigação científica e tecnológico com mais meios e
>melhores condições de trabalho nas instituições
>científicas, hoje a braços com enormes dificuldades
>para realizar o trabalho que é essencial para a
>aptidão científica e técnica do país.
>
>Uma política cultural que, no seu sentido mais
>restrito ligado às Artes dê respostas à criação e
>fruição artística, à salvaguarda e apropriação social
>do património cultural, ao apoio à criação e produção
>contemporânea e à efectiva profissionalização das
>áreas artísticas.
>
>O nosso programa avança com o conjunto de orientações
>e propostas que consideramos indispensáveis ao
>desenvolvimento das artes e da cultura artística,
>nomeadamente no que diz respeito à generalização do
>acesso aos bens culturais; à promoção de condições que
>permitam o acesso à criação, no respeito pela
>diversidade de opções estéticas e expressões
>artísticas; à reformulação e expansão do ensino
>artístico, à reformulação das condições de exercício e
>estabilidade profissional para os artistas; à criação
>de um novo regime fiscal; à revisão do Código dos
>Direitos de Autor; à defesa do apoio do Estado à
>actividade cultural independente; à defesa da
>prestação do serviço público nas diferentes áreas do
>espectáculo e da defesa e valorização dos organismos
>públicos da área da cultura; ao apoio à difusão da
>literatura portuguesa e à afirmação do português e
>cultura portuguesa na sua diversidade.
>
>Para nós, para a CDU, para o projecto político de que
>somos portadores para Portugal, um projecto
>transformador da sociedade portuguesa, que integra a
>dimensão cultural como uma componente inalienável na
>construção de uma sociedade democrática, a valorização
>do trabalho intelectual não corresponde a um interesse
>de circunstância, mas a um efectivo reconhecimento do
>seu papel na construção e participação na luta por um
>projecto nacional de democracia política, económica,
>social e cultural.
>
>Vivemos uma época em que se verificam grandes avanços
>científicos e técnicos que não são acompanhados pelo
>progresso social de milhões de seres humanos. Vivemos
>um tempo de forte ofensiva ideológica que ao serviço
>dos grandes interesses e dos grandes senhores do mundo
>tudo faz para naturalizar a exploração e dar suporte
>às políticas de regressão social com que milhões de
>homens são confrontados em todo o mundo.
>
>Um tempo de grande pressão social e ideológica que
>inculca, através de poderosos meios, a perspectiva de
>um único caminho, de uma única saída para os problemas
>- a solução que a matriz neoliberal oferece - com o
>seu reduzido leque de opções e escolhas que, no caso
>português, dá expressão a um empobrecedor rotativismo
>de executantes de uma mesma orientação dominante.
>
>É preciso romper com esta construção circular e
>redutora da esfera política, tornando visível e
>afirmando um verdadeiro projecto alternativo - o
>projecto da CDU - um projecto de esquerda, para
>retomar o caminho do progresso e do aprofundamento da
>democracia. Um projecto de participação e de esperança
>nos trabalhadores e no povo português, na sua
>capacidade e vontade para ultrapassar a crise em que a
>direita e as políticas de direita mergulham o país.
>
>A batalha eleitoral de 20 de Fevereiro é uma
>oportunidade para dar um passo no sentido da
>valorização do nosso projecto de ruptura com a
>política de direita.
>
>Portugal não pode prosseguir por mais tempo o já longo
>caminho de crescente fragilização, subordinação e
>dependência.
>
>Contamos convosco, com o vosso apoio, o vosso
>empenhamento e disponibilidade para levar o mais longe
>possível, a muitos outros homens e mulheres da
>cultura, a mensagem de esperança na possibilidade da
>mudança que o país precisa, afirmando os valores da
>liberdade, da justiça social, da igualdade, da
>soberania e independência nacionais que moldam o nosso
>projecto e que assume a democratização da cultura como
>uma componente essencial do nosso viver individual e
>colectivo.
>
>(...)
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