| Subject: "Discurso Radical e Moralista" |
Author:
ASL
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 30/01/05 12:54:47
Jerónimo Ataca "Discurso Radical e Moralista" do BE
Por ANA SÁ LOPES, Público
Domingo, 30 de Janeiro de 2005
O secretário-geral do PCP acusa o Bloco de Esquerda de ser uma força que corre "atrás do foguetório mediático", "disserta acerca de tudo e nada", "passa a vida a apresentar propostas originais que têm anos de vida e de combate pela mão do PCP e da CDU, seja em relação à despenalização do aborto, seja ao combate aos 'off-shores', à quebra do sigilo bancário, seja na exigência de uma política de saúde dirigida à toxicodependência".
O PCP afirma-se empenhando "em confrontar os eleitores, particularmente o eleitorado que vota à esquerda, com as pseudo-alternativas e as falsas terceiras vias que, a coberto do discurso radical e moralista, deixam na penumbra a resposta a problemas essenciais que são suporte de uma verdadeira política alternativa de esquerda".
Segundo o PCP, os dirigentes do Bloco de Esquerda "fazem tudo para iludir e desvalorizar o insubstituível papel do PCP na quotidiana tarefa de anos e anos de árduo trabalho, quantas vezes invisível ou mediaticamente irrelevante, no apoio à luta dos reformados, das mulheres e dos jovens, na defesa dos seus mais genuínos interesses". E esta defesa é, afirma Jerónimo, "o traço mais distintivo que nos separa daqueles que fazem da palavra fácil e à boca de cena o centro da sua actividade política, que são notícia e vivendo da notícia passam ao lado da vida real".
Bloco acusado de "branquear PS"
Para Jerónimo de Sousa, o Bloco de Esquerda tem "branqueado o percurso e a prática política do PS". Discurso directo: "É preciso claramente dizer que não há soluções alternativas à esquerda que (...) fujam à clarificação do papel que o PS tem assumido na concretização de políticas de direita, como o faz o Bloco de Esquerda, branqueando o seu percurso e a sua prática política, para de seguida menorizar o papel do PCP como a principal e mais combativa força de oposição à política de direita".
O secretário-geral do PCP condenou a política europeia do Bloco de Esquerda, insistindo em que "é preciso dizer que não há verdadeira alternativa de esquerda quando se aceita uma política de integração europeia, como o faz o Bloco de Esquerda, iludindo a sua orientação marcadamente federalista e neoliberal e que os sucessivos governos submissamente têm adoptado como suas".
Naturalmente, não foi o Bloco - que está neste momento bem colocado nas sondagens e disputa com o PCP os votos à esquerda do PS - o único bombo da festa de Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP começou a sua intervenção por lembrar que "PSD e CDS são co-responsáveis pela grave situação a que conduziram o país, independentemente das manobras de última hora e dos esforços do CDS-PP para fazer crer que é insignificante a sua responsabilidade na acção governativa".
Jerónimo afirma que "é a consciência dessa inevitável derrota que leva o CDS não só ao distanciamento prudente e calculista em relação à sua presença na governação, como o leva a jogar já em todos os tabuleiros com o objectivo de se manter no poder". Para o PCP, "com um pé ainda na actual coligação, o CDS passou a dar sinais de que não enjeita a possibilidade de poder viabilizar uma nova solução de governo agora com o PS".
Mas o PS - e a "inadmissível chantagem sobre o eleitorado" que, segundo o líder comunista, constitui o apelo à maioria absoluta - foi também convenientemente "maltratado" no comício. Para Jerónimo, "a mais perigosa mistificação que hoje corre é a fantasiosa ideia da necessidade de uma maioria absoluta de um só partido que, nestes últimos dias, assumiu contornos de inadmissível chantagem sobre o eleitorado".
O secretário-geral condenou a "excessiva dramatização com a perspectiva ameaçadora e inevitável espectro de uma crise de regime, como afirma Manuel Alegre, para forçar a todo o custo uma maioria absoluta para o PS". Dirigindo-se ao eleitorado mais à esquerda do PS, que Manuel Alegre se tem encarregue de nos últimos dias mobilizar, Jerónimo lembrou que "era bom que alguns percebessem de vez que não fazemos política por rótulos ou contra rótulos e, em vez de se fazerem profissões de fé sobre a sua condição de esquerda, fizessem uma avaliação da política do PS baseados na avaliação dos factos e das realidades, sobre os seus conteúdos reais e concretos e a quem servem as alianças sem princípio que o PS tem seguido".
A frase
"É preciso dizer que não há verdadeira alternativa de esquerda quando se aceita uma política de integração europeia, como o faz o Bloco de Esquerda, iludindo a sua orientação marcadamente federalista e neoliberal".
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |