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observador curioso
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Date Posted: 20/01/05 21:43:50
In reply to:
Aurélio Santos
's message, "Maiorias «pronto a comer»" on 20/01/05 21:37:44
Que arrasoado sem sentido, pleno de chavões e sem substância alguma. É o PCP no seu melhor - ou no seu pior.
>Aurélio Santos, Avante, 20/01/05
>
>Maiorias «pronto a comer»
>
>Processos seguros para garantir estabilidade
>governativa a políticas impopulares é velha ambição
>das forças sociais mais reacionárias.
>
>Salazar assegurou-lhes isso durante meio século:
>tiveram maiorias absolutas num parlamento que garantia
>suportes imbatíveis a governos política e
>ideologicamente «puros», directamente dependentes das
>classes dominantes, sem terem de prestar contas a
>oposições incómodas.
>
>Hoje não se atrevem a exigir tanto. O 25 de Abril
>interrompeu o sonho, mas a reacção portuguesa há 30
>anos que se afadiga para o recuperar, seguindo o
>modelo de democracia burguesa que o capitalismo
>moderno pretende impor como padrão universal. Ou seja:
>governar com respeitabilidade democrática através de
>maiorias de apoio, absolutas se possível, de partidos
>políticos gravitando na órbita do capital.
>
>Nas últimas semanas, tendo como pano de fundo a
>reclamação de maioria absoluta lançada pelo PS como
>slogan eleitoral, foram largados vários balões de
>ensaio nesta direcção. Primeiro foi o «pacto de
>regime»: ou seja, dar a legitimidade de contrato
>matrimonial à promiscuidade em que PS e PSD têm
>coabitado, revezando-se no leito governamental com a
>mesma política.
>
>Agora outro balão foi lançado: uma revisão da lei
>eleitoral que legitime o trapaceamento das promessas
>eleitorais substituindo-as pelo próprio trapaceamento
>dos resultados eleitorais, com novas leis que,
>falseando-os, garantam «maiorias absolutas» ao partido
>«a» ou «b», atribuindo-lhe mais mandatos com votos
>roubados a outros partidos.
>Por detrás destes apelos flutua o velado anseio de um
>«bloco central» que «una a classe política» para
>«resolver os problemas do país»... com políticas de
>direita.
>
>Mas em tudo isto há um enorme equívoco que inquina à
>partida o anseio da estabilidade a todo o preço. Não
>há estabilidade que salve uma má política.
>
>Só uma avestruz de cabeça na areia não vê que a crise
>da política portuguesa (como aliás está acontecendo em
>muitas das chamadas democracias ocidentais) resulta
>não de instabilidade governativa mas da manutenção
>estável e continuada de políticas de crise social
>conduzidas por partidos subordinados a interesses
>privados.
>
>Esta é a verdadeira crise do modelo degenerado de
>democracia de classe que a dominação do capital
>financeiro transnacional quer impor a ferro e fogo ao
>mundo inteiro.
>O povo português teve o mérito e a coragem de criar um
>modelo de democracia que quebrou o torniquete de
>dominação do poder político pelo poder económico.
>
>É um património que vale a pena defender. Eis uma
>causa que, ela sim, pode unir pessoas de variadas
>opções políticas. Contra maiorias de plástico, modelo
>política de direita «pronta a comer».
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