Author:
Guilherme Statter
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 18/01/05 22:37:54
Como é evidente nenhuma pessoa (singular ou colectiva) pode (ou deve) gastar mais do que ganha...
Evidente?!...
Como é evidente que é o Sol que anda à volta da Terra.
Nos tempos dos regimes esclavagistas ainda era possível "pôr as pessoas a trabalhar" à conta da violência física.
Depois com os tempos do capitalismo florescente veio o incentivo da "cenoura" dos lucros e de melhores condições de vida para todos (ou quase todos...). E até tem funcionado, menos mal.
O problema é que o sistema económico continua a precisar de uns "incentivos" ou de uns "empurrões" para continuar a mexer-se. É da inércia...
Já aqui neste forum creio ter uma vez utilizado a expressão
"O défice é como o colesterol: há o bom e há o mau. E quando é demais é sempre mau".
(É minha. Paga direitos de autor...)
Por causa das eleições e da renegociação do Pacto de Estabilidade (que determinará as novas regras para o défice orçamental de cada Estado membro da Eurolandia), lembrei-me de uma outra analogia, se calhar mais operacional.
O défice é como o acelerador de um automóvel. Se acelerarmos demais, arriscamo-nos a estampar-mo-no na primeira curva. Se não se acelera de todo - se tirarmos o pé do acelerador - o carro acaba mesmo por parar".
Isso é mesmo das leis da Física, eh eh eh
A conversa "tatcheriana" (trazida para Portugal pelo sr. Cavaco Silva) de "menos Estado melhor Estado" quer também significar "reduzir o défice a zero"...
E tal desiderado é-nos apresentado como uma espécie de lei da Física.
Só que, como dizem alguns economistas, se é verdade que é possivel "puxar uma carroça com uma corda", a corda não serve para nada quando se trata de ter que empurrar a carroça.
Pois bem, o défice pode às vezes funcionar como uma "corda" (cobrar menos impostos para haver mais vontade de investir ou disponibilidade para consumir - dizem eles...).
Mas, por vezes, o défice tem mesmo é que funcionar como um pau (com que se pode empurrar, gastando mais em "obras públicas de genuíno interesse estrutural").
Claro que para tudo isto é preciso ter uma visão estratégica do papel do Estado e descer um bocadinho abaixo das platitudes e lugares comuns com que "eles" gostam de encher a boca.
Ou pensarão "eles" que os Portugueses não seriam capazes de entender aquilo que se lhes dissesse, se se lhes dissessem coisas "mais profundas" do que os tais lugares comuns?...
Fico-me por aqui.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|