| Subject: Vacas Sagradas |
Author:
Honório Novo
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Date Posted: 22/01/05 11:07:51
Vacas Sagradas
por Honório Novo, deputado do PCP, JN, 22/01/05
Existem hoje teorias que nos querem transformar em verdades intocáveis certas abordagens relativas ao nosso modelo de desenvolvimento.
Uma dessas vacas sagradas tem a ver com o peso da despesa pública em Portugal. Dizem que tem um peso brutal, que há que reduzi-la drasticamente para poder sanear as contas públicas. Rodeiam-se de argumentos técnicos aparentemente inatacáveis. São quase todos tecnocratas do CDS, do PSD e do PS, autênticos meninos do coro a cantar em uníssono a ladainha do corte das despesas públicas. Só que o peso da despesa pública é o resultado de opções políticas. Nos países nórdicos (onde ninguém contesta os níveis de vida, dos serviços públicos ou da Segurança Social, as reformas e os apoios à terceira idade ou à infância, ou os níveis de formação e de escolaridade), o peso da despesa pública supera os 60% do PIB, bem mais que os cerca de 50% do nosso país. Então, como é? Vamos cortar nas despesas públicas em Portugal, onde elas se justificam tanto mais quanto os nossos atrasos são enormes? E quem será prejudicado com tais cortes?
Outra vaca sagrada é a teoria da tanga recauchutada a prioridade nacional é a contenção do défice abaixo dos 3%, dizem, acenando-nos de novo com um Pacto de Estabilidade (reconstruído) que nem França nem Alemanha cumprem. De novo a mistificação! A verdade é que só apostando num acentuado crescimento da riqueza se pode combater o desemprego, qualificar activos e aumentar a escolaridade, promover o investimento reprodutivo, aumentar o rendimento das famílias, promover o consumo interno e, com o consequente aumento das receitas fiscais... equilibrar as contas públicas.
Conhecemos os efeitos destas vacas recessão, falências, desemprego, manutenção dos privilégios. Por isso espero que, em Fevereiro, haja mais gente a duvidar das quintas das celebridades!
Honório Novo escreve no JN, quinzenalmente, aos sábado
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