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Subject: Anónimo Blanch, não estás à altura.


Author:
observador curioso
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Date Posted: 7/01/05 22:59:15
In reply to: Luis Blanch 's message, "Re: POUCAS Laranjas POUCA cultura" on 6/01/05 15:10:46

Neste interessante duelo o Anónimo Blanch, pese embora ter a razão do seu lado, levou faltal estocada. Não está minimamente à altura do Mestre Laranja, que da esgrima tem conhecimentos bem mais profundos.
E poucos aqui estarão, diga-se desde já, eu me incluindo nesse grupo dos que dificilmente poderão deter os laranjais argumentos.
É que o Laranja tem um enorme trunfo do seu lado: a História.
Desde o advento da burguesia, nos finais do sec XVIII, nenhuma outra classe social conseguiu ser a vanguarda motora do desenvolvimento. Aliás todas as revoluções operárias foram dirigidas sem excepção por intelectuais burgueses. Para combater o Laranjas - que é perigoso, admitamo-lo - é preciso fugir aos estereotipos habituais do intelectual de formação marxista; é preciso combatê-lo no seu próprio terreno e, quiçá, surpreendê-lo.
O Blanch, pauvre andouille, não está à altura.
Outro duelista precisa-se. Talvez o Guilherme, talvez mesmo o Macaco Velho.

>Missas para já é consigo. Você é que está
>longe
>
>
>da realidade e anda lá por cima vêr se
>entende o evoluir do mundo.
>
>
>Para si a história e o processo de
>desenvolvimento andam ao sabôr das contingências
>,Como a meteorologia.
>
>O Homem com maiúsculas ,para si é zero não
>"pinta nada"como dizem os espanhóis. Só Deus
>nosso senhor tem uma palavra a dizer...
>Você acredita mesmo no que escreve? Você
>realmente despreza ,qual direitista ,a capacidade
>do homem para se libertar das contingência do
>meio,de criar e dominar o seu próprio destino ?
>
> A Direita e a Esquerda existem mesmo...a da
>Missa confesso que não percebo. Quanto ao
>processo histórico ser resultado das condições
>sociais e materiais dos povos é caso para lhe
>dizer que V.precisa é de se cultivar um pouco,
> só um pouco, porque deixe que lhe diga : são
>as massas populares que conduzem a história.
>Claro que há homens geniais que sabem
>interpretar o pulsar das gentes...
>
>
>
>
>
>>Senhor Luis Blanch.
>>
>>As minhas poucas laranjas só poderiam dar pouco sumo.
>>Deixe-me dizer-lhe, porém, que a sua prosa é um
>>arrasoado sem sentido, revelador de que V.Ex.ª não só
>>não consegue discernir o que se passa actualmente na
>>sociedade, e o que nela se passou no passado, como,
>>ainda por cima, não entendeu o seu mentor, que coraria
>>de vergonha com as barbaridades que diz em seu nome.
>>
>>V.Ex.ª tem o desplante de apresentar o efeito do
>>processo histórico - o desenvolvimento económico e
>>social - como sua causa, e diz tal barbaridade com
>>impressionante desfaçatez. E, para cúmulo, apresenta
>>essa banalidade marxista de que o "movimento social só
>>se tem proposto, na esteira de Marx, aquilo que está
>>em condições de resolver" como se algo de importante
>>se tratasse.
>>
>>Que se saiba, é nos manicómios que se encontra a gente
>>que persiste em imaginar que pode resolver o que lhe
>>der na real gana independentemente das condições, e
>>nada resolve, a começar pela sua insanidade; e outros
>>líricos do mesmo jaez, afectados embora por uma
>>paranóia colectiva, atribuindo à fé e ao desejo das
>>massas dos deserdados assalariados o poder de
>>implantar uma sociedade de plena harmonia, de
>>fraternidade universal e de abundância material, e até
>>lá apenas clamam contra a triste sorte que nos tem
>>proporcionado o capitalismo, povoam os partidos
>>comunistas. Pela sua conversa, V.Ex.ª parece-me
>>pertencer a este último grupo, a não ser que por
>>engano meu pertença ao primeiro.
>>
>>Não é de hoje que o capitalismo esmaga as economias
>>mais débeis, etc., etc., tal como não são de hoje as
>>múltiplas contradições que o caracterizam. De hoje são
>>apenas a maior dimensão, visibilidade, velocidade de
>>ocorrência e outras formas de manifestação de tais
>>fenómenos, que V.Ex.ª, de forma arbitrária, designa
>>por "grande crise de sustentabilidade", o que não
>>passará de desejo seu.
>>
>>As contradições e as crises de sustentabilidade que
>>geram, quer do capitalismo, quer de outras formas de
>>organização económica e social que o antecederam, são
>>produto precisamente do carácter aleatório, não
>>programado, como emergiram e se desenvolveram, e
>>constituem também os factores de mudança constante que
>>tem caracterizado o processo histórico. A evolução
>>social, a sua transformação e desenvolvimento, tem
>>sido marcada pela aleatoriedade condicionada pelos
>>contextos, precisamente o contrário daquilo que V.Ex.ª
>>afirma tão levianamente, em demonstração eloquente de
>>que nada compreendeu da história, nem tão pouco da
>>visão esquemática esboçada pelo seu mentor.
>>
>>Numa coisa, V.Ex.ª aproxima-se da realidade: os
>>fracassos históricos mais estrondosos têm decorrido da
>>pretensão insensata de construção artificial da
>>realidade económica e social, produto da
>>racionalização e do controlo absoluto das vidas das
>>pessoas, que se podem designar por totalitarismo, de
>>que o último e mais flagrante exemplo foi o
>comunismo.
>>
>>Mas o mais caricato dos fracassos políticos tem sido a
>>prática dos partidos comunistas. Crentes numa profecia
>>idalista - a sociedade comunista - e num instrumento
>>voluntarista para implantá-la - a revolução proletária
>>- uma e outro do domínio da fé, esse dom de acreditar
>>em fenómenos sem causas e em entidades supra humanas
>>omnipotentes, transposto no caso para o desejo dos
>>deserdados e para o poder infalível da vontade das
>>massas, e que com as suas permanentes prédicas contra
>>o mal (o capitalismo) e com as ameaças apocalípticas
>>da catástrofe iminente a que o mal nos conduz, acabam
>>desempenhando papel semelhante ao das igrejas.
>>
>>Tenha V.Ex.ª um resto de dia proveitoso.

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