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observador curioso
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Date Posted: 8/01/05 20:02:02
In reply to:
Editorial, Avante, 06/01/05
's message, "«Nesses vinte e oito anos, tudo foi tentado para superar a crise, excepto... mudar de política»" on 6/01/05 22:27:30
O que faz falta é um novo PCP, não este que se contenta em aliciar os poucos eleitores que ainda tem para que tudo fique na mesma...apenas aumentando um ou dois deputados na CDU.
>Editorial, Avante, 06/01/05
>
>O QUE FAZ FALTA
>
>De um momento para o outro, a estabilidade passou a
>ser a grande questão nacional e a condição
>indispensável para superar a grave crise que o País
>atravessa. Por estabilidade, entendem, todos os que
>sobre o tema se têm debruçado – desde a generalidade
>dos comentadores e analistas ao serviço da política de
>direita, até ao Presidente da República – a criação de
>condições parlamentares para que o futuro governo,
>seja ele rosa ou laranja, cumpra, sem obstruções nem
>bloqueios, o próximo mandato. Nisso residiria, ao que
>parece, o caminho para a retoma da confiança, do
>optimismo ou, como é uso dizer-se, da auto-estima dos
>portugueses, já que, também ao que parece, a dita
>auto-estima (que havíamos reconquistado, com o
>Euro/2004) e, com ela, a necessária estabilidade,
>perderam-se não se sabe quando, nem como, nem porquê –
>tendo-se revelado vãs todas as tentativas feitas para
>as reconquistar. Erguemos «a maior árvore do Natal da
>Europa»; «Durão Barroso é a personalidade do ano na
>política»; jorrámos «a maior cascata de fogo de
>artifício do mundo»; «Sócrates convidou professores de
>Harvard e do MIT para as Novas Fronteiras»; antes de
>Sócrates, «era comum ouvir alguns socialistas dizer
>que Louçã seria o secretário geral ideal para o PS»;
>fabricámos «o maior bolo-rei do mundo»; «Zita Seabra
>encabeça a lista do PSD em Coimbra»; «Paulo Portas
>convocou os militantes do CDS-PP por SMS»; as
>«detenções por álcool a mais subiram 36,8%»; a «Quinta
>das Celebridades» foi o que se viu – e nem assim a
>desejada auto-estima e a sonhada estabilidade foram
>reconquistadas.
>O Presidente da República veio agora dizer-nos que o
>caminho para a estabilidade passa pelo cumprimento do
>«mandato de quatro anos, tempo indispensável para
>executar políticas consistentes e obter os consensos
>necessários».
>
>Ora, qualquer cidadão medianamente informado está em
>condições de lembrar ao Presidente da República, com o
>devido respeito, que nada indica que o caminho passe
>por aí e tudo indica que não passa. A experiência
>mostra que, de 1976 até agora (ou seja desde o ano em
>que se iniciou a política de direita que tem vindo a
>ser levada à prática até aos dias de hoje) já tivemos
>de tudo em matéria de duração de governos: mandatos
>inteiros e mandatos quebrados; mandatos de quatro anos
>(terminando em crise grave); mandatos de seis e dez
>anos (com crise ainda maior e com o acrescento da fuga
>dos principais responsáveis) – e nada de estabilidade.
>Pelo que, é mister procurar noutro lado as causas da
>crise e da instabilidade.
>A saída da crise e a reconquista da estabilidade
>também não parecem situar-se no «entendimento entre as
>principais forças políticas» constante no apelo
>lançado pelo Presidente da República. Partindo da
>ideia de que, ao falar em «principais forças
>políticas», o Presidente da República se refere,
>essencialmente, ao PS e ao PSD, também neste caso
>cumpre apelar à memória e relembrar que entendimentos
>desses não têm faltado ao longo dos últimos vinte e
>oito anos. Se não recorde-se: Governo PS sozinho de
>facto aliado à direita; governo PS/CDS; governo
>PS/PSD; governo PSD com maioria absoluta; governo
>PS/Queijo Limiano; governo PSD/CDS...
>Perante isto, duas perguntas e outra tantas respostas
>se impõem: que outros entendimentos é possível
>engendrar entre as «principais forças políticas»?:
>nenhuns, já tudo foi tentado, está tudo esgotado; e:
>quais foram os resultados de todos os entendimentos
>concretizados?: crise, agravamento da crise, crise
>grave.
>Assim sendo, também o «entendimento entre as
>principais forças políticas» não só não é solução mas,
>bem pelo contrário, constitui factor de agravamento da
>crise e da instabilidade.
>
>Recapitulando: a grave crise que o País atravessa e a
>instabilidade reinante, não radicam no não cumprimento
>dos mandatos governamentais e muito menos têm a ver
>com a imaginária inexistência de «entendimento entre
>as principais forças políticas». Antes pelo contrário:
>os muitos e graves problemas que afligem a imensa
>maioria dos portugueses; o aumento da pobreza e o
>crescimento das grandes riquezas; o processo de
>destruição sistemática do aparelho produtivo nacional;
>o empobrecimento crescente do conteúdo democrático do
>regime; a venda ao desbarato de pedaços da soberania
>nacional colocando os destinos do País nas mãos dos
>grandes e poderosos da Europa e do mundo – constituem
>algumas das consequências de vinte e oito anos de
>mandato cumprido ao serviço da política de direita e
>de um entendimento pleno, em todas as questões
>essenciais, «entre as principais forças políticas»,
>aliás, em permanente rota de colisão com a
>Constituição da República Portuguesa.
>Com rigor, pode dizer-se que, nesses vinte e oito
>anos, tudo foi tentado para superar a crise,
>excepto... mudar de política. E está à vista de quem
>não queira fingir que não vê, que é isso que faz
>falta, que é na mudança de política que está a solução
>para a crise e para a instabilidade existentes.
>É para isso, aliás, que importa alertar os eleitores:
>mais do que alimentar-lhes a ilusão de que «sempre têm
>revelado uma grande sabedoria nas suas escolhas»
>(facto que a realidade desmente exuberantemente) há
>que dizer-lhes e demonstrar-lhes que não estão
>condenados a sofrer eternamente as consequências da
>política de direita, que há soluções para vencer a
>crise, e que essas soluções passam, isso sim, por uma
>mudança de política séria e a sério. E que o primeiro
>passo para essa mudança consiste no reforço da votação
>e do número de deputados da CDU.
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