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Subject: Re: Posso meter uma colherada? -


Author:
Luis Laranja
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Date Posted: 12/01/05 19:27:22
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Re: Posso meter uma colherada? -" on 11/01/05 20:17:03

Sr. Statter.

Não compreendo os lamentos de V. Ex.ª acerca da duração destas conversas. Que eu saiba, foram conversas de circunstância, não aprazadas, nas quais V. Ex.ª achou por bem meter colherada, tendo eu respondido a uma ou duas dessas suas colheradas. Como se vê facilmente por esta e por outras conversas que passam neste fórum, a substância é fraca e não dá para que com ela se perca muito tempo.

Lisonjeia-me V. Ex.ª incluindo-me no grupo dos que se deram ao trabalho de o esclarecer sobre o funcionamento da “ideologia bem pensante da nossa sociedade”. Creia, contudo, que não tive pretensão de tal, já que devo ser um mau representante dessa ideologia bem pensante. Mas aceito como natural a sua confusão, semelhante a muitas outras confusões a que V. Ex.ª me habituou no curto tempo destas conversas. Para evitar no futuro algumas delas, recomendo a V. Ex.ª leituras mais frutuosas do que aquelas donde respigou as citações que pespegou numa outra sua intervenção. Talvez com elas passe V. Ex.ª a ter um pensamento mais ordenado, sem saltos e lacunas, proveniente de leituras mal digeridas e de incompreensões não resolvidas.

Está V. Ex.ª muito enganado quando afirma que retiro aos outros, e a V. Ex.ª, “o direito de terem concepções próprias sobre o mundo”. Longe de mim a veleidade de pretender cercear o uso de tal direito, mesmo quando o que chama concepções próprias não passam de concepções alheias parcamente apreendidas. Simplesmente, causa-me já um certo enfastiamento o discurso comunista, não tanto sobre os amanhãs que cantam – que a isso se referem cada vez menos, agora que andam à procura de novas roupagens para a sua descabelada utopia – mas sobre as críticas sem sentido que dirigem ao capitalismo enquanto modo de produção. Faz-me lembrar o discurso dos críticos (literários, artísticos, etc.), que não passando de criadores falhados e incompetentes são exímios no apontar de deficiências às obras dos verdadeiros criadores.

O caso dos críticos comunistas, grupo no qual V. Ex.ª parece enquadrar-se, é talvez um pouco mais grave. Os outros tipos de críticos criticam os autores e a sua pretensa incapacidade para criar obra de valor, face às regras do ofício; os críticos comunistas, ao contrário, criticam as regras do ofício, como se elas, embora toscas e datadas, fossem as causadoras dos falhanços no desenvolvimento. Todas as críticas dirigem-nas ao capitalismo, não às burguesias que deveriam ter o engenho e arte de implementá-lo e de geri-lo, aproveitando as oportunidades que ele lhes permite e inventando outras, e demonstram uma manifesta incapacidade, contentando-se com os lugares subalternos que outros seus apaniguados, quiçá mais poderosos, lhes reservam, ou enveredando pelos meios mais fáceis da corrupção e da trapaça mais ignóbil; muito menos, criticam os trabalhadores, que se deixam passivamente extorquir, acomodando-se a situações de miséria.

Paradoxalmente, nuns lados, o capitalismo é o causador da riqueza e da opulência; noutros lados é-o da miséria. Como se o capitalismo tivesse preferências e como se as suas potencialidades – que constituem precisamente alguns dos defeitos que lhe são apontados pelos comunistas – não tivessem feito diversificar aqueles que dele mais têm vindo a beneficiar ao longo do tempo. Basta saber olhar para a História para ver que EUA e Japão, por exemplo, não foram desde sempre os mais desenvolvidos; e, modernamente, é paradigmático o caso da China, que de país subdesenvolvido caminha a passos largos para alcançar os níveis de desenvolvimento das maiores potências. O capitalismo não traz em si qualquer maldição, antes pelo contrário; cabe aos povos – às suas elites e aos seus trabalhadores – aproveitarem as potencialidades que ele lhes coloca à disposição e demonstrar se são capazes de alterar substancialmente o seu estádio de desenvolvimento. Não é necessário apontar exemplos de falhanços longínquos; basta pegarmos em exemplos europeus que há cem ou menos anos eram países atrasados, alguns mais atrasados do que o nosso, e são hoje, graças ao capitalismo, países desenvolvidos.

Porque partem dum preconceito, além do mais não demonstrado, de que os excessos do capitalismo, nomeadamente de desperdício e de aleatoriedade, constituem males em si, e de que o seu projecto económico-social de uma economia regulada ao ínfimo pormenor e de relações sociais tuteladas por burocracias todo-poderosas incontroláveis constitui alternativa viável mais eficiente e mais eficaz, os comunistas já demonstraram sofrerem duma irremediável incapacidade de análise da realidade social. Dessa sua incapacidade deriva o hiper-criticismo que revelam e, mais modernamente, as suas variantes da teoria da conspiração sobre as catástrofes que nos têm assolado (da sida ao tsunami do sudeste asiático) e do discurso apocalíptico da catástrofe iminente a que nos conduz o capitalismo, que resumem na sua risível palavra de ordem: socialismo ou barbárie!

Por estas e por outras é que tenho recomendado a ida à missa a alguns intervenientes comunistas que aqui me têm interpelado, de modo a encontrarem a paz de espírito que parece faltar-lhes. E porque V. Ex.ª já demonstrou comungar de algumas dessas alucinações, desejo-lhe igualmente que tenha um resto de dia proveitoso indo à missa.

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