| Subject: Re: Curiosa coincidência |
Author:
observador
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 30/12/04 19:05:52
In reply to:
Fernando Guedes
's message, "Curiosa coincidência" on 30/12/04 17:38:58
Não só curiosa mas muito oportuna esta coincidência!
>Às vezes as coisas são engraçadas: reparem bem como o
>texto do Cipriano Justo acaba por ser parecido com o
>que Vítor Dias publicou oito dias antes no «Semanário».
>
>"Pensando bem..."
>Vítor Dias no "Semanário"
>23 de Dezembro de 2004
>
>Se faltassem outros sinais – e eles infelizmente até
>sobram – bastariam algumas passagens de três textos
>publicados no passado fim de semana no «Público» para
>se perceber como são fortes os interesses, vastas as
>pressões e grandes as esperanças de que a quase certa
>mudança de ciclo político não traga mudanças
>significativas em relação às políticas fundamentais da
>direita ainda governante.
>
>No sábado, um editorial de José Manuel Fernandes,
>adaptando um célebre discurso de Churchill em 13 de
>Maio de 1940, não fazia a coisa por menos do que
>afirmar que “o governo que sair das próximas eleições
>terá apenas para oferecer «esforço, lágrimas e suor» e
>o país, no estado em que está, tem perante si «muitos,
>muitos meses de luta e sofrimento». Meses não: anos”,
>o que bem podia ser resumido na ideia “volta discurso
>da tanga, que estás perdoado e reabilitado !”.
>
>No mesmo dia, abrindo muito mais o jogo, era o dr.
>Correia de Campos, ex-Ministro da Saúde do último
>governo de Guterres a vir fustigar o que chamou de
>“clamores da viradeira” e a proclamar que, com os
>governos de Barroso e depois de Santana, “coisas houve
>que representam enérgicas reformas e que devem ser
>respeitadas”.
>
>O antigo ministro do PS não se ficava por
>generalidades e logo adiantava, como exemplos de
>coisas que deviam ficar imunes à “viradeira”, o
>enquadramento dos institutos públicos, os
>hospitais-empresa, as parcerias público-privadas
>(autoestradas e hospitais), as propinas no ensino
>superior, as portagens na CREL, a avaliação do
>desempenho na função pública, parte da lei das rendas.
>
>Dois dias depois, em entrevista ao «DN», o dr. Correia
>de Campos viria aliás a desvendar ainda mais o seu
>pensamento, permitindo-nos perceber que, quanto ao
>congelamento de salários na função pública, só tinha
>para nos dizer que “é uma questão conjuntural”; que
>defende que, quanto à construção dos novos hospitais
>em parceria público-privados, nos que “estão na calha
>não se deve tocar”; que é favorável à gestão privada
>também dos centros de saúde; e que entende que “o
>plafonamento das pensões tem de ser obrigatório,
>porque se não ninguém adere”.
>
>E, para finalizar a sequência de textos a que nos
>referimos, diga-se ainda que, no “Público” de domingo,
>quem se chegava também à frente era Augusto Santos
>Silva, sentenciando que “a campanha remunerará quem
>não prometer mundos e fundos, nem fizer jura de virar
>tudo do avesso” .
>
>Dados estes exemplos da artilharia que diariamente
>dispara contra uma real mudança de políticas ( a que
>se deve juntar o folhetim das viabilizações de um
>governo do PS que só serve para que se discutam
>cenários em vez das políticas necessárias e urgentes),
>é agora tempo de sublinhar que todas estas vozes
>esgrimem propositadamente contra fantasmas para melhor
>esconderem os seus reais objectivos e anseios.
>
>É que, em boa verdade, ninguém anda a defender
>himalaias de promessas nem que se vire tudo, mas tudo,
>do avesso e, por isso, se tem de concluir que o que
>realmente preocupa e desasossega estas e outras
>personalidades é a justa reclamação de profundas
>rectificações e revogações da multiforme ofensiva que
>a direita no poder desencadeou desde Abril de 2002 ,
>muitas vezes também debaixo da crítica – sincera ou
>não, adiante veremos – do próprio PS.
>
>Mas, pensando bem, talvez tudo se compreenda na
>perfeição. Afinal, foi o dr. Correia de Campos que,
>ainda o Governo Durão Barroso não tinha iniciado
>funções, já estabelecia um magnífico plano para o PS
>na oposição, ao explicar (em entrevista ao
>«Independente» de 5.4.2002) que achava «muito bem que
>nos próximos três anos, o pensamento político do PS
>passe por recuperar os valores da esquerda. Depois no
>quarto ano, teremos ocasião de lançar pontes à
>direita». Ora como a legislatura de quatro anos foi
>interrompida e encurtada em um ano, é inteiramente
>natural que o dr. Correia de Campos e outros tenham de
>acelerar no lançamento de «pontes à direita».
>
>De qualquer forma, bem podia o dr. Correia de Campos
>estar mais tranquilo e menos preocupado com o que
>chamou de «viradeira». É que palpita-nos que a sua
>nenhuma fome de significativas rectificações na
>política do Governo PSD-CDS se vai juntar, nessa
>matéria, à nenhuma vontade de comer do Eng. José
>Sócrates e da sua equipa.
>
>É claro que, escondendo-se ainda debaixo de outras
>enganosas etiquetas, alguns recentes aguadeiros
>eleitorais do PS, esquecidos de tudo o que escreveram
>há apenas cinco ou dez anos, não hesitarão em
>classificar estas linhas como mais um sinal de uma
>suposta “dureza”, “sectarismo” e “inflexibilidade” do
>PCP.
>
>Mas olhem que não. Embora, a nosso ver, defendendo
>falsas soluções e esgrimindo erroneamente contra o
>perigo de um próximo “bloco central” entendido como
>uma solução orgânica PS-PSD para o governo do país,
>por alguma razão até o Eng. João Cravinho (“DN” de
>21/12) acaba de avisar, naturalmente em termos
>cuidados e moderados, que “o pior que o PS poderia
>fazer” seria pensar que evitaria tal perigo “matizando
>suficientemente a sua governação com elementos típicos
>do bloco central”, porque, concluía ele, “em política,
>a imitação é sempre pior que o original”.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |