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Date Posted: 06:07:14 03/07/02 Thu
Author: Neinfo
Subject: Paternidade da Web vira disputa judicial


A British Telecom volta a reivindicar na Justiça norte-americana o direito exclusivo sobre o hipertexto, o que vale dizer de boa parte da Internet

Paulo Humberto/BVDA

ROBSON PEREIRA

Algumas disputas judiciais parecem fadadas ao insucesso, independentemente do resultado que se possa obter nos tribunais. E não é preciso sequer entrar no mérito de nenhuma dessas pendengas para perceber que estamos diante daquilo que a sabedoria popular definiria como nó cego, aquela situação cujo desembaraçar é praticamente impossível. Vejam o exemplo da British Telecom, que voltou a reivindicar na Justiça norte-americana a paternidade sobre o hipertexto, o que vale dizer de boa parte da Internet.

Hipertextos são, de maneira simplificada, aqueles links incluídos em páginas web que permitem ligação direta com outras áreas da própria página ou de outros sites. É o que, de fato, permite a você ler sobre a vitória do seu time e, de forma simultânea, acessar a tabela de classificação, conferir a disputa pela artilharia e votar a favor da convocação do Romário, tudo em um mesmo ambiente. Sem este recurso você teria de digitar vários endereços no browser para saber mais sobre assuntos de alguma forma relacionados, o que resultaria em uma navegação linear, como o texto de um livro, estruturado para uma leitura página após página.

Para a British Telecom, aquela história de que a Internet não tem dono, freqüentemente alardeada por aí, não é bem assim. A empresa garante que a tal patente foi requerida em 1976 e confirmada pelo órgão responsável nos Estados Unidos em 1989. Como a licença e o reconhecimento ocorreram antes da fase Web da Internet, o alcance da medida era muito limitado. Talvez por isso, o documento tenha adormecido por mais de uma década nos arquivos da seção de patentes da BT, perdido em meio a milhares de outras licenças.

Apenas no segundo semestre de 2000, os responsáveis pelo setor descobriram a mina de ouro que supostamente tinham nas mãos e saíram à luta para tentar fazer valer os pretensos direitos. A primeira tentativa fracassou. Um comunicado enviado aos principais serviços online dos EUA foi solenemente ignorado ou recebeu respostas indignadas.

Agora, com a volta da polêmica, uma nova decisão terá de ser tomada pela Justiça. Quais as opções possíveis? Se a ação for rejeitada, fica tudo como está. Se a validade da patente reivindicada pela British Telecom for confirmada, também. Ou alguém tem dúvida de que não dá mais para voltar atrás?

Pouca gente acredita em uma vitória da British Telecom, por não concordar com o seu principal argumento (a autoria, a invenção do hipertexto) ou por não conseguir enxergar uma forma de a empresa fazer valer o que supostamente teria direito. O fato de a ação se limitar ao uso do hipertexto nos Estados Unidos, único país onde a patente da BT ainda não expirou, significa pouco e de certa forma complica ainda mais essa história. Se não dá para imaginar uma Internet sem o hipertexto, o que dizer sobre a tentativa de conceber "meia Internet" sem os tais recursos.

Os links da discórdia A expressão hipertexto, fruto da polêmica descrita acima, foi utilizada pela primeira vez em 1965 por Theodor Holm Nelson, mais conhecido como Ted Nelson, autor de um complexo projeto denominado Xanadu (www.xanadu.com.au), não concluído até hoje. Vinte anos antes, conceitos semelhantes foram propostos por Vannevar Bush, um pesquisador do MIT, que chegou a desenvolver um sistema voltado à associação de informações. Entre um e outro, tivemos Doug Engelbart, o inventor do mouse, autor também do primeiro Sistema Hipertexto Operacional.

Mas foi apenas em 1991, com o surgimento da primeira versão de códigos HTML (de Hypertext Markup Language) e do HTTP (Hypertext Transfer Protocol), que nasceu, de fato, a Web. E foi Tim Berners-Lee, um engenheiro inglês que na época trabalhava em um laboratório de Física, em Genebra, o responsável por um e outro. O HTML como a linguagem reconhecida por qualquer computador, indiferente do sistema operacional utilizado, e o HTTP, como o sistema que nos permite localizar qualquer endereço na rede.

"Vannevar, Ted e Doug estavam demasiado avançados para a sua época. Coube a mim juntar as idéias deles", afirmou modestamente o inglês criador da WWW no seu livro Weaving the Web, publicado em 1999. Esta é a história que a própria Internet se encarregou de consolidar. A da patente da British Telecom é um capítulo que mais do que o reconhecimento de um tribunal precisaria ter tamanha ou maior legitimidade para se sustentar - ou ser sepultada de vez, dependendo da decisão judicial que deverá ser anunciada nas próximas semanas.

Exemplo prático Quem quiser aprofundar os conhecimentos nesta área, existem diversas opções na Internet. Sugiro duas, pelo menos: O Gênio de Sausalito, do jornalista português Jorge Nascimento Rodrigues, em www.janelanaweb.com/gurus/alquimistanelson.html; e História do Hipertexto, do pesquisador Miguel Said Vieira, em www.eca.usp.br/prof/mylene/cje-566/hipertex/hiper.htm. Digitar tais endereços, por si só dará boa amostra da importância do trabalho de Vannevar, Ted, Doug e Berners-Lee, entre outros, para o desenvolvimento da Internet.

http://www.estado.com.br/editorias/2002/03/07/cad027.html

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