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Date Posted: 11:03:51 08/30/04 Mon
Author: José Maria
Subject: O papel da Ciência e da Tecnologia no mundo contemporâneo - Ronaldo Mota

O PAPEL DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO


Ronaldo Mota

Prof. Tit. Dr. do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Maria
Coordenador do Escritório Regional da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS)


INTRODUÇÃO

Para entender o papel da ciência e da tecnologia no mundo contemporâneo há que se permitir uma muito breve retrospectiva histórica, sem o que não somos capazes de localizarmo-nos ou compreendermo-nos adequadamente no tempo e no espaço.
As relações entre povos, e também entre grupos sociais de um mesmo povo, sempre apresentaram componentes econômicos como um dos elementos determinantes da dinâmica da sociedade e condicionantes de sua organização social e de suas expressões culturais. Nesse sentido, o trabalho está na base de todas as relações humanas, sendo uma atividade humana intencional que envolve formas de organização, objetivando à produção de bens necessários à vida. Tal organização e divisão de trabalho são determinadas pelo nível técnico e pelos meios existentes em cada época.
Para ficarmos inicialmente na história moderna, a partir da descoberta de nosso país pelos portugueses, houve um momento, no início da colonização, em que o controle de matérias primas - desde sua extração até o transporte e seu manuseio - eram vitais na definição de quem exercia o papel preponderante nas relações entre grupos ou entre países. O controle da mão de obra escrava também teve um período de presença marcante. A Revolução Industrial trouxe novos ingredientes, determinando que o controle do processo de industrialização, assim como os locais de instalação das unidades fabris, constituíssem-se nas principais referências definidoras da hierarquia entre os grupos sociais e entre nações.
Contrariamente à história passada, nos tempos mais recentes, evidencia-se que explorar não implica mais ter colônias ou controlar o fluxo de matérias primas; cada vez mais, dominar não impede a industrialização dos países menos desenvolvidos. Marginalizar não significa mais distanciar os países da ordem econômica internacional, mas sim incluí-los, desde que na lógica dos dominantes.
No mundo contemporâneo, que despreza matéria prima, que distribui indústrias em todo o globo, que menospreza a mão de obra, especialmente a não altamente especializada, assume-se claramente que não se abre mão é do saber científico e dos mecanismos que engendram tecnologia de ponta. Enfim, a técno-ciência é, de fato, a única mercadoria que tem valor decisório, sendo hoje um elemento diferenciador e definidor das relações entre nações.
Na esteira de tal processo evolutivo procurou-se fazer crer, especialmente aos que não estavam no controle dos elementos determinantes, que existiriam etapas obrigatórias para que os benefícios do desenvolvimento fossem distribuídos de forma mais homogênea posteriormente. Assim, cada nação teria um caminho a percorrer, umas antes e outras depois. O fundamental era (e tem sido) fazer crer que uma situação mais equânime seria gerada quase que naturalmente, fruto inequívoco do desenrolar natural da história da humanidade. Ledo engano.
Poderíamos buscar no passado inúmeros exemplos de que tal evolução natural constituiu-se num engodo. Além disso, não é nenhum absurdo afirmar que, embora a história humana seja marcada de desigualdades e desenvolvimentos não homogêneos, os tempos de hoje evidenciam fossos separando países em níveis sem precedentes na história moderna. Os elementos atuais apontam que estão se desenhando caminhos que solidificam desníveis com uma intensidade inédita.
É fundamental, portanto, para entender o mundo contemporâneo, conhecer-se adequadamente as histórias e os ingredientes dos processos da ciência e da tecnologia, desde a suas respectivas origens até juntarem-se na técno-ciência de nossos dias.




A BASE DA CIÊNCIA: O CONHECIMENTO RACIONAL

As sociedades primitivas organizavam-se no sentido de garantir o consumo mínimo de sobrevivência, sem a geração ou a preocupação do excedente. Foram os desenvolvimentos de técnicas e utensílios, associados a uma utilização adequada, os principais responsáveis por novas organizações entre os homens.
Nos primeiros agrupamentos humanos, por um longo período, as primeiras interpretações da natureza baseavam-se no medo e no sobrenatural [1]. O início do uso de um método de investigação, que não fosse baseado no misticismo, ocorre somente por volta do séc. VI A.C. com os filósofos gregos. Eles tomavam como referência a observação e a lógica, sem a necessidade, pela primeira vez, do sobrenatural.
Para compreender a civilização helênica há que se entender o papel do desenvolvimento mercantil e o escravismo, componentes fundamentais daquela civilização. Analisar o pensamento grego, e as condições em que ele foi gerado, são essenciais para entender o pensamento científico-filosófico [2].
Para os gregos, o conhecimento racional opunha-se ao mítico, à medida que sobre ele se problematiza e não simplesmente se crê. O conhecimento requer uma explicação, por meio de discussão, superando as visões de fés indiscutíveis. Na Grécia Antiga, a observação e a lógica são elementos essenciais. A experimentação, por sua vez, é atividade para artesãos, os quais raciocinavam na base do funciona ou não funciona, pouco interessados em perguntar porque funcionam. Tal divórcio de enfoques irá perdurar na história do homem ocidental por mais quase um milênio.
Um outro momento importante será abordado, também brevemente, neste texto em que as ciências e as técnicas tiveram relevante papel em modificar as sociedades das épocas de ocorrência: a segunda etapa da Idade Média.
O período associado à Idade Média corresponde aproximadamente ao período do séc. V (queda do Império Romano) ao séc. XV (tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos) [3]. Podemos, nesse período, destacar duas fases bem distintas: que vai do V ao XI, caracterizada por uma economia de subsistência e quase ausência de produção intelectual de qualquer natureza, e outra, que vai do séc. XII ao séc. XIV, onde começa a se observar uma fecunda atividade intelectual e artística. Neste último período florescem a arte gótica e a filosofia escolástica, apoiada, principalmente, em Aristóteles. Curioso observar que o conhecimento dos filósofos gregos, de certa forma abandonado durante o Império Romano (pós-Grécia Antiga e antes da Idade Média), é retomado por meio de contato com o mundo árabe. Assim, a obra de Aristóteles, por exemplo, não é traduzida diretamente do grego para o latim, mas sim do grego para o árabe e depois do árabe para o latim. O início da segunda fase da Idade Média, em torno dos séculos XI e XII, marca o reencontro da Europa com Aristóteles, Platão etc., tendo sido os árabes depositários do saber helênico por aproximadamente 15 séculos.
Também na segunda fase da Idade Média, ocorre o acesso às novas técnicas de plantio e armazenagem, assim como a introdução de formas avançadas de arados. Além disso, através do manuseio adequado do cavalo, da introdução de sistemas de rodízio e do aproveitamento correto das águas, gera-se um excedente agrícola.
Em decorrência do excesso de produtos agrícolas, há a demanda de comercialização. O comércio implica em entrepostos comerciais, os quais geram cidades. Por sua vez, nas cidades nascem, fruto daquele excedente e da existência de grupos abastados, embriões de centros universitários.
Mesmo dentro desse ritmo de ocorrências, comparativamente bem maior do que no período anterior (primeira fase da Idade Média), o conhecimento dos centros de saber apoiam-se na observação e na lógica, distante da experimentação e separado das inovações técnicas, abundantes no período,
A seguir, abordaremos em que contexto a ciência associa-se à técnica e juntas produzem a técno-ciência.



COMO CHEGAMOS À TECNO-CIÊNCIA

Contemporaneamente a técno-ciência é a palavra-chave a definir uma relação de poder básica: quem a detém tudo pode, quem não tem perspectivas de tê-la tem pouco futuro a negociar para si e para os seus. Curiosamente, os países que hoje se destacam na posse da tecnologia de ponta não são aqueles que estiveram associados ao berço da ciência. As origens do saber científico estão associadas à alquimia chinesa, à filosofia natural grega e ao conhecimento e à capacidade de transmissão dos árabes. Assim, dos gregos herdamos a astronomia ptolomaica, a geometria euclidiana, a matemática de Pitágoras, os pensamentos de Platão e Aristóteles. Da China, vieram os fundamentos para compreender as coordenadas astronômicas, a idéia de espaço infinito, a cartografia e invenções como a pólvora, o papel, a bússola, a correia de transmissão, etc. Da Índia, herdamos a base dos numerais, o zero, a álgebra, a teoria do atomismo e o conhecimento de ervas e minerais. Aos árabes, devemos a álgebra aperfeiçoada, a trigonometria, os laboratórios astronômicos.
Entender porque a ciência moderna surge na Europa e tem seu marco referencial em Galileu, no séc. XVI, e não naqueles países que deram os pressupostos do saber científico, implica compreender que, somente a partir de um certo ponto, a ciência é caracterizada como instrumento. Ou seja, através da tecnologia, pode-se, mais do que observar e entender, alterar o mundo à sua volta. O saber científico, produzido pela observação das leis naturais, é utilizado para criar aparelhos que permitem ao homem controlar a natureza. A ciência não se resume mais ao saber contemplativo e especulativo da natureza, mas sim como um instrumento de desenvolvimento e de definição econômica de supremacias e de dependência entre nações.
Os procedimentos metodológicos adotados por Galileu no séc. XVI são baseados na observação e na experimentação como teste para o conhecimento científico, o que se constitui em novidade em relação aos procedimentos adotados usualmente na Grécia e na Idade Média, onde a autoridade dos pensadores e a concordância com a fé religiosa costumavam ser preponderantes.
Dessa forma, podemos afirmar que, até o séc. XV, o método científico não estava completo, dado que o uso exclusivo da observação e da lógica, sem a experimentação, não era suficiente [4]. Os experimentalistas surgidos na Europa naqueles séculos duvidavam de sua prórpia lógica e, assim, a especulação deu lugar à experimentação. Nicolau Copérnico, Johannes Kepler e Galileu Galilei consolidam o método científico. Descartes [5] com o "Discurso do Método", em 1637, rompe com Aristóteles e com a Escolástica.
Estabelecer o método científico significa rigorosamente também separar conhecimento em geral de conhecimento científico. Nem todo conhecimento é conhecimento científico. Por exemplo, os conhecimentos religiosos e populares são respeitáveis, podem ser conhecimentos sem serem (às vezes, nem seguer se pretendem) científicos. Vejamos o que é conhecimento científico.
Inicialmente todo conhecimento é crença. Porém, é possível um conhecimento no qual se crê, e mesmo sendo verdadeiro, não ser científico? A resposta, por incrível que pareça, é sim. Para exemplificar, um sujeito está convencido (ele crê) que existam vidas em outros planetas e, suponhamos, por especulação, que de fato existam, no entanto nenhum contato foi ainda efetivado. Seria isso conhecimento científico? A resposta é não. Por quê? Simplesmente porque não há uma justificativa. Como exposto por Newton da Costa [6], conhecimento científico é crença verdadeira e justificada. Tem que ser crença, tem que ser verdadeiro e tem que ser justificado.
Assim, a tecno-ciência forma-se à medida que o saber científico, fruto da observação e da lógica, funde-se com o saber instrumental baseado no experimento e na comprovação [7,8]. Os filósofos e os artesãos encontram-se finalmente. Após milênios separados, esses saberes fundem-se, gerando um conhecimento transformado. Fruto do amadurecimento desses processo, eclode a revolução industrial que vem gerar nossos tempos.
Atualmente a concepção de técno-ciência ganha novas conotações. Não se resume mais em máquinas e equipamentos, sendo também tecnologia os mecanismos de organização, sistematização das atividades humanas e os modos gerenciais administrativos associados [9]. A chamada tecnologia física ou pesada apoia-se principalmente nas leis naturais e a tecnologia não física ou leve alicerça-se nas ciências do comportamento. Dessa forma, um sistema de gerência administrativa é uma tecnologia tanto quanto um dispositivo eletrônico. Uma discussão interessante acerca de tecnologias leves (e de como alguns países menosprezaram esta concepção) é apresentada por Castoriadis [10].



OS TEMPOS MODERNOS

O liberalismo clássico baseia-se na crença da eficiência das forças do mercado. A bem da verdade, nos primórdios do capitalismo, o liberalismo surge na defesa dos interesses de indivíduos de uma classe ascendente contra governos absolutistas. Assim foi no caso da Revolução Inglesa no séc. XVII, no caso da Revolução Francesa, um século mais tarde, de onde estabeleceram-se as bases do mundo moderno nos próximos 200 anos.
O livro de Adam Smith, "A Riqueza das Nações", de 1776, torna-se o livro sagrado dos economistas clássicos. Consolida-se a visão da mão invisível do mercado enquanto promotora do desenvolvimento.
No entanto, em que pese todos esses conceitos, nesse período, na prática, a presença do estado no suporte à iniciativa privada, visando gerar desenvolvimento, foi sempre muito forte. Por exemplo, nas primeiras décadas do séc. XVIII, a Inglaterra investe no mapeamento do litoral sul-americano, diretamente interessada no comércio potencial dos portos da região. Ou seja, o conceito de que informação é poder vem de longa data. Assim, contraditoriamente à concepção, no nível do discurso, de não interferência estatal na economia, a verdade é que, há muito tempo, em todos esses países do primeiro mundo o desenvolvimento econômico esteve diretamente associado à produção de ciência e tecnologia, fortemente financiadas pelo Estado.
Em 1703, Inglaterra e Portugal celebram um tratado que perdurará até 1835, através do qual abriam-se os mercados portugueses (Brasil incluído) à próspera tecelagem inglesa em troca de acesso do vinho português na Inglaterra. Foi um mecanismo, de muito interesse para a Inglaterra, para repassar para os seus cofres o ouro extraído do Brasil, com passagem breve por Portugal.
Assim, Portugal das epopéias das descobertas, da grande Escola de Sagres, vira entreposto comercial, renunciando a qualquer projeto autônomo de desenvolvimento industrial.
Em várias outras oportunidades, tanto Portugal como Brasil, optaram por caminhos diferentes daqueles que permitiriam o desenvolvimento de uma base científica e tecnológica própria que amparassem uma sociedade dinâmica, em condições de enfrentar o atraso, a miséria e a falta de soberania.
Em particular, nos nossos tempos, chegamos a mais uma encruzilhada. Essa talvez mais perversa que as demais anteriores. Se a prioridade e a essencialidade da técno-ciência, assim como o acesso em escala geral a uma educação de bom nível, forem minimizadas certamente não podemos esperar no futuro por situações diferentes das dificuldades que caracterizaram o passado.



PODER, TÉCNO-CIÊNCIA E CRIATIVIDADE

Uma característica central de nossos tempos é a penetração da ciência e tecnologia em todos os setores institucionais da sociedade, patrocinando uma racionalização progressiva em nome do progresso científico [9].
Habermas [11] alertava há algum tempo que a aplicação tecnológica pode constituir-se no mais sofisticado mecanismo de exercício de poder elaborado pelo homem. Uma dominação metódica, científica, calculada e calculadora. Ao contrário de períodos remotos da sociedade humana, onde os poderosos primitivos buscavam suas afirmações através do apelo à tradição cultural, utilizando imagens místicas, religiosas e metafísicas, a tecnologia constitui-se enquanto poder em si mesmo, sendo ela própria dominação. Enquanto nas sociedades capitalistas tradicionais o exercício da dominação se dá principalmente a partir da base do trabalho social, nas sociedades de alta técno-ciência pretende-se instaurar algo semelhante baseado em normas de racionalidade científica. Tal objetividade extrema pretenderia convencer racionalmente cada indivíduo de seu ajuste particular, enquanto subsistema acoplado e dependente de forma inexorável ao todo.
Nesse contexto, a submissão do homem à técnica e pela técnica dar-se-ia através de sua alienação, fruto principalmente do contato e da utilização, sem consciência e sem conhecimento adequado, de novas tecnologias. Muito embora seja impensável a qualquer cidadão, mesmo nos países mais avançados, estar completamente atualizado com tantas inovações no campo da técnica, as dimensões desse descompasso entre o conhecer e o uso será muito mais sensível naqueles países que não tiverem um lastro educacional compatível minimamente com a dinâmica da evolução e implantação de novidades tecnológicas.
A tendência nos países periféricos, com camadas expressivas da população desprovidas de educação científica compatível, marginalizadas do contexto cultural onde brotam os novos saberes técno-científicos, será de estabelecer uma separação radical entre os níveis de decisão e de execução. Ou seja, o contato ignorante e inconsciente com tecnologias avançadas por parte de indivíduos despreparados tende a gerar pessoas sem iniciativas, sem criatividade e sem capacidade de crítica. Há, sem dúvida, o risco de nesse nível de modernização tecnológica atingir-se profundamente a estrutura do tecido social, eliminando resquícios de valores culturais próprios.
Assim, em um mundo em que o poder e o nível de desenvolvimento não se definem mais a partir da extensão territorial do país, nem sequer pelas suas riquezas naturais, mas essencialmente pela capacidade de produzir conhecimento e técnica de ponta, o nível de perversidade que pode estar associado a tal processo de dominação faz com que os modelos anteriores sejam ante-salas de preparação para a intensidade de exclusão social que esses elementos permitem.
A criatividade é, por certo, o maior capital dos países ricos. A capacidade de criar, por sua vez, depende um equilíbrio delicado entre razão e emoção, entre fantasia e senso prático. Sendo assim, a criatividade não é potencialmente exclusividade de ninguém. Como bem apontado pelo sociólogo do trabalho, Domenico de Masi, não basta ser criativo, há que se ser empreendedor. Há cinco séculos Michelângelo Buonamoti coordenou milhares de trabalhadores na cúpula da Basílica de São Pedro em Roma.
Nesses termos, se a questão atual, em termos de produção de ciência e tecnologia de ponta, remete diretamente à capacidade de criar, a pergunta é quais são as condições e receitas associadas ao ato criativo. Descobrimos então que, ao longo dos últimos séculos, aprimoramos, uns mais e outros menos, o nosso saber acerca de como produzir bens materiais. No entanto, sabemos ainda muito pouco como se produzem os ambientes nos quais podem brotar idéias.
Parece ser uma constante no processo de criação o espírito de equipe, em contraposição à tradição anterior de trabalhos geniais isolados. Em geral, nos grupos mais criativos observa-se a convivência na mesma equipe de pessoas com personalidades e características gerais bastante díspares. Certamente é necessário um ambiente acolhedor, tal que o trabalho não seja tão rigidamente separado do lazer e vice-versa. Ao contrário da inflexibilidade no cumprimento de prazos e metas, costuma-se incentivar a flexibilidade e o sincronismo.
Por um lado, é bem estabelecido que a ciência e a tecnologia impõem separações claras, quase cristalizadas. Por outro, a sua evolução está diretamente ligada à capacidade criativa e aos processos a ela associados, o que ainda contém elementos a serem desvendados, portanto ainda não consolidados. Assim, o mundo contemporâneo abre perspectivas para mudanças de rumos, seja para indivíduos, grupos sociais ou nações.
As receitas para gerar uma sociedade que se caracterize por produzir idéias ainda não existe. No entanto, certamente os caminhos que passam necessariamente por uma educação científica e tecnológica abrangente e generalizada para toda a população. Não há rumos se não forem contempladas estratégias de superação da miséria, tornando amplo o espectro de consumidores e, potencialmente, produtores de novas tecnologias. Finalmente, o despertar do potencial criativo é portanto condição indispensável de um exercício pleno de soberania e satisfação. Seja no plano individual, coletivo ou universal.



Referências:

[1]MOTA, Ronaldo. Magia, ciência e ceticismo. Ciência & Ambiente. Santa Maria: Ed. da UFSM, vol. 14, pág. 43, 1997.
[2]ANDERY M. A. e outros. Para compreender a ciência. São Paulo: EDUC, 1999.
[3]KOYRÉ, Alexandre. Estudos de história do pensamento científico. Brasília: Ed. UnB, 1982.
[4]DE MEIS, Leopoldo. O método científico. Rio de Janeiro: Ed. Academia Brasileira de Ciências, 1997.
[5]DESCARTES R. Discurso do método e meditações. São Paulo: Abril Cultural. Coleção Os Pensadores, 1988.
[6]COSTA, Newton C.A. O conhecimento científico. São Paulo: Ed. Discurso Editorial, 1997.
[7]O'HEAR Anthony. Karl Popper: filosofia e problemas. São Paulo: Editora UNESP, 1997.
[8] POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Editora Cultrix, 1998.
[9]MOTA, R.. Tecnologia, ter, saber e poder. Ciência & Ambiente, Santa Maria: Ed. da UFSM, vol. 2, pág. 41, 1991.
[10]CASTORIADIS, C. Revolução e autonomia. Belo Horizonte: Cooperativa Editora de Cultura e Ciências Sociais Ltda., 1981.
[11]HABERMAS, Jürgen. La technique et la science comme ideologie. Paris: Ed. Gallimard, 1973.


http://www.ufsm.br/antartica/Palestra%201.htm

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