| Subject: De acordo. Belo texto de reflexão |
Author:
Augusto Mendes
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Date Posted: 12/04/05 18:33:36
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "As "fraquezas" da direita" on 12/04/05 15:32:38
E um bom recado para aqueles que defendem o proteccionismo dos empreendedores nacionais com o pretexto muito louvável mas ineficaz de travar o desemprego.
Aliás urge dizer que a defesa do assalariamento por parte dos partidos que se assumem como marxistas é um contra senso.
O PCP - e não só - agarra-se como uma lapa àquilo a que chama as conquistas dos trabalhadores e chegou ao ponto de, no recente debate sobre o código do trabalho, dizer que englobava nessas conquistas leis de 1969, isto é, do tempo de Marcelo Caetano.
Face à nova era da informação global e às novas tecnologias que estão já a revolucionar o sistema produtivo, não se vê um único estudo, uma única análise por parte dos teóricos do PCP. Agem como se estivessem nos primórdios da industrialização.
>Têm-se multiplicado, nos últimos tempos, as
>declarações inflamadas sobre as derrotas dos partidos
>da direita, sobre o hiato nas direcções desses
>partidos e até sobre a necessidade, ou mesmo a
>possibilidade, de refundar a direita em Portugal.
>
>A meteórica governação santanista e as tragicomédias
>dos congressos do PSD e do CDS servem de pasto aos
>comentadores mediáticos e os dirigentes de esquerda,
>navegando nas mesmas águas, espalham entre os incautos
>uma confortável, mas perigosa, sensação de alívio e de
>bonança.
>
>Impõe-se perguntar:
>- será que os interesses da direita estão sob ameaça
>séria ?
>- as principais teses da direita, a fundamentação das
>injustiças em que se baseia o seu poder, estão
>realmente em regressão ?
>
>Infelizmente a resposta a tais perguntas é negativa.
>Nenhum partido de esquerda perspectiva atacar os
>interesses materiais das classes dominantes. Todos
>eles concentram as suas propostas no plano das
>prestações sociais sem beliscar a organização social
>da produção e sem questionar a propriedade ou as
>relações de produção próprias do capitalismo.
>Os “empreendedores capitalistas” são unanimemente
>considerados os únicos capazes de promover o
>desenvolvimento económico, autênticos “salvadores da
>pátria”.
>
>A distinção tradicional, em que a direita defendia o
>status quo e a esquerda pretendia destruí-lo,
>passou à história.
>
>Assim sendo cabe indagar a razão de tanto alarido nas
>hostes da direita.
>
>É verdade que um partido como o PSD tem dificuldade em
>afirmar uma clara identidade ideológica e em
>diferenciar inequivocamente as suas propostas mas tal
>deve-se, no essencial, ao facto de o PS ter
>despudoradamente invadido o seu espaço político. Por
>isso as fronteiras são cada vez mais imprecisas e a
>refrega desliza para questões secundárias e
>arrevesadas.
>
>A direita diz que é preciso controlar as despesas da
>“máquina do Estado” mas só para evitar que os impostos
>dos trabalhadores, que têm sido os principais
>pagadores do sistema, deixem de ser suficientes e que
>alguém tenha a “peregrina ideia” de fazer pagar também
>os poderosos. Daí resultam alguns acessos de gritaria
>liberal e as consequentes pressões e chantagens que,
>como é costume, levarão o PS a moderar os ímpetos da
>campanha eleitoral logo que estejam ultrapassadas as
>eleições autárquicas
>
>Por outro lado as classes dominantes temem os perigos
>que o girar do mundo continuamente desenvolve; quer se
>trate da ameaça dos baixos preços chineses, dos
>galopantes preços do “crude” ou do impetuoso
>desenvolvimento da tecnologia essas classes não
>acreditam que o governo socialista, por incompetência,
>esteja em condições de salvaguardar os seus interesses.
>O “choque tecnológico” é uma graçola que ninguém leva
>a sério.
>
>Em suma, as grandes ameaças que pendem sobre os
>interesses da direita têm origem externa, independente
>da vontade e do controle dos partidos de esquerda e
>estes, se ameaça constituem, é mais no plano da
>incompetência para entenderem o que está em jogo do
>que pela existência de algum plano próprio para
>criarem uma realidade social alternativa.
>
>Por isso as grandes discussões que se avizinham, em
>que os partidos de direita se preparam para lançar
>todas as forças do campo “académico” e da “consultoria
>internacional”, são apenas as do papel e dimensão do
>Estado na sociedade e também do peso relativo dos
>sectores produtivos (têxteis ou turismo ?) e das
>“opções estratégicas” nos transportes e na energia.
>
>Triturados pelos imperativos da dependência económica
>os partidos de esquerda lá irão a reboque das
>“decisões inevitáveis” e não poderão ter outra
>estratégia que não seja a de proteger os
>“empreendedores nacionais” sob pena de ver desaparecer
>os empregos e minguar as receitas fiscais.
>
>Sem equacionar este falso dilema e sem romper este
>“círculo vicioso” no plano ideológico será impossível
>transformar o mundo em que vivemos.
>É necessário demonstrar a viabilidade de novas
>relações de produção, esse é o tipo de inovação de que
>mais precisamos.
>Em vez de funcionários precisamos de cidadãos
>empenhados em construir um novo universo produtivo, um
>novo modo de produção.
>
>Trata-se de um caminho difícil mas sem alternativa.
>
>Por isso em vez da refundação da direita precisamos,
>isso sim, é de refundar a esquerda.
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