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Subject: Tanta e tão pouca esquerda


Author:
PEDRO ROLO DUARTE
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Date Posted: 3/05/05 14:06:10
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "As "fraquezas" da direita" on 12/04/05 15:32:38

O dr. Paulo Portas colocou ontem, à sua frente, aquele velho cartaz da televisão a preto e branco que rezava "Pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos." Recusando a condição de senador, mas também a de comentador, rejeitando ser um futuro Manuel Monteiro ou Freitas do Amaral, Portas deixou nas entrelinhas o recado essencial: "Um dia destes eu volto." Pena é que se tenha esquecido da noção básica de solidariedade. "Contem comigo!", disse o ex-líder, aplaudido de pé pelos congressistas. Mas não explicou como. "Amanhã estarei aí, na plateia", garantiu. Mas não vota e alimentará o silêncio. "Não tenham medo", gritou. Mas foi ele o primeiro a abandonar o barco.

No fim, o recado "tablóide" de que tanto gosta "Nunca houve no nosso país tanta esquerda e tanta esquerda radical." Ficou por explicar porquê. Talvez valha a pena recordar ao dr. Paulo Portas que, a ser verdade que nunca houve tanta esquerda a "andar por aí", tal facto não se deve a uma consciencialização política dos portugueses, ou sequer a um reconhecimento da competência da esquerda na governação. Deve-se, sim, a dois Governos de direita, de que Paulo Portas fez parte, e que desfizeram em pó o capital de credibilidade e esperança que os eleitores depositaram (pelo menos) no primeiro desses executivos. Foi apenas e simplesmente a desastrosa e desastrada acção dos ministros de Durão Barroso, Santana Lopes e Paulo Portas que empurrou os portugueses para a esquerda. Não por ser "a esquerda", mas por ser a alternativa. Não por ser melhor, mas na esperança de que seja diferente. Ora, Paulo Portas exclama aos militantes a sua indignação por haver "tanta esquerda", mas sabe bem que a verdade é outra e passa pelo PSD e pelo PP. Sabe que a esquerda é bem mais pequena do que os votos que obteve. E sabe que as conjunturas é que determinam o lado para o qual balançam os eleitores. Por isso, sabe que depois da travessia do deserto virá o oásis. E que à esquerda só pode, mais tarde ou mais cedo, suceder a direita. Para virar a balança, Paulo "interrompe o programa". Mas esperar é também uma virtude - e, num futuro qualquer, ele vai tirar da frente o cartaz. O programa seguirá dentro de momentos. E Paulo Portas poderá voltar com as mãos lavadas pelo tempo.

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