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Subject: Gostei. Um belo apelo ao socialismo (o verdadeiro)


Author:
observador curioso
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Date Posted: 29/04/05 22:09:38
In reply to: Itelvino Rodriguez 's message, "A crise e a sociedade desnorteada!" on 29/04/05 0:15:21

Infelizmente a consciência colectiva ainda não é como a sua consciência individual. Senão muito aconteceria. Belo texto e belo apelo.
Apareça sempre.
Um abraço



>A crise e a sociedade desnorteada!
>
>
>Angústias, relações desfeitas, amores impossíveis e
>até as aquelas terríveis insónias, são óptimos
>afrodisíacos inspirativos para quase todos os autores
>de romances literários. Para um cronista minimamente
>revolucionário, é impossível que uma passagem na
>frontaria do IEFP, em que observa uma infindável
>quantidade de cidadãos em busca de um emprego, não se
>traduza numa terrível necessidade de expressar a sua
>revolta num agressivo texto em formato digital!
>Cronista, diga-se de passagem, do mundo marginal do
>espaço das “cartas do leitor” e de alguns fóruns
>subversivos que resistem na Internet. Dadas as
>circunstancias pós-eleitorais em que vivemos e o
>pavoroso pensamento presente de que nada vai mudar,
>esta redacção, é o resultado analítico da falta de
>esperança da maioria dos portugueses num futuro melhor.
>
>Ainda agora este governo iniciou a sua regência e
>podemos já, infelizmente, extrapolar o descalabro
>social que se abeira! Não se trata de futurologia,
>vidência ou de outro método de cariz duvidoso, mas só
>e apenas da análise e constatação dos factos! O
>governo Sócrates, que sem medo o caracterizo como o
>inimigo da classe operária, dos intelectuais de
>esquerda, dos progressistas e do povo português em
>geral, afigura-se acanhado, tacanho e cobardemente
>submisso aos baixos valores do capital e dos
>interesses financeiros! Este, com uma roupagem
>ligeiramente diferente da companhia de circo que o
>antecedeu, teima em prosseguir políticas ocas,
>inconsistentes e completamente inúteis para a maioria
>dos cidadãos! Por seu lado, os seus amigos
>capitalistas (cada vez mais ricos), esfregam as mãos
>de contentamento com as possibilidades de negócios e
>compadrios que se avizinham!
>No concreto, o governo de Sócrates virou as costas ao
>povo que o elegeu desde o primeiro minuto em que tomou
>posse: Recusou, desde logo, um aumento intercalar do
>SMN para os 400 euros, recusando assim uma medida
>urgente em responder ao galopante aumento do custo de
>vida. Prepara-se para rever o código laboral, sem o
>revogar, procurando manter na lei, artigos que
>comprometem a dignidade do ser humano no trabalho e
>que me levam a perguntar se estamos realmente no sec.
>XXI! Na questão do aborto, que por opção errada, vai
>ser levado a consulta popular, arrisca-se mais uma vez
>a que o povo se marimbe para com o seu dever cívico e
>coloque nos bancos do réus as mulheres vítimas deste
>sistema, retrogrado e conservador! E ainda... Por mais
> importante que seja para o nosso país e para mais de
>200 mil trabalhadores, o PS recusa-se a representar os
>interesses do povo e da nação e não assume,
>frontalmente, um combate cerrado pela defesa do sector
>têxtil! Prefere sim, protegido pela sua carapaça
>liberalista e de “esquerda moderna”, fechar os olhos
>ao desemprego e à miséria, abdicando das suas
>responsabilidades para com o povo que o mandatou
>através do sufrágio universal no dia 20 de Fevereiro!
>Tratam-se portanto, de medidas e políticas, de classe
>para uma classe: A grande burguesia! O Partido
>“Socialista”, converteu a sua absoluta maioria num
>total e praticamente assumido absolutismo, em prol da
>casta que o sustenta! Desta maneira, observamos uma
>administração que um dia se disse de esquerda, em
>total harmonia simbiótica com o neo-liberalismo
>ideológico de continuidade com seus antecessores da
>direita laranja. Consequentemente, concluo que este
>governo é muito pouco ambicioso e que nada mais
>podemos dele esperar, senão, de uma rude gestão da
>crise em que se encontra o nosso país, mais
>propriamente, a crise a que está sujeita o povo
>português!
>Desta maneira, com esta fraca qualidade de políticos
>governantes, não me espanto que a sociedade portuguesa
>esteja tão incrédula quanto à capacidade destes nos
>proporcionarem um qualquer tipo de acréscimo à nossa
>qualidade de vida!
>
>Não só, mas também, cúmplices e culpados desta
>maralhada e do pensamento crítico esvoaçante da
>população portuguesa no julgamento dos seus
>dirigentes, são os iluminados periodistas/opinadeiros
>de economia, negócios e afins. Esta espécie, cada vez
>menos rara e cada vez mais medíocre, resolvia se assim
>o pudesse (Alá queira que nunca!) todo e qualquer
>problema da humanidade! Sem sequer terem de se
>levantar do seu púlpito televisivo, apenas e só,
>expressando as suas brilhantes teorias
>macro-económicas, as quais, seguidas à risca por um
>governo de um qualquer país, trariam uma riqueza
>inimaginável para o seu território! Abençoadas
>criaturas estas, filhas da pátria Portuguesa!
>Tratem-nas, por favor, com o devido respeito que
>merecem e enviem-nas, o mais rapidamente possível,
>para aquela quinta onde só entram celebridades! Estou
>também certo, que em falta de espaço nas instalações,
>os animais que habitam naquela fazenda não terão
>relutância alguma em partilhar o seu leito com tão
>distintos indivíduos!
>Não duvidemos, que à falta da “conversa da tanga”, são
>hoje, estes novos interlocutores do capital (por sinal
>bem próximos e muito obedientes) eficazes missionários
>da ditadura do neo-liberalismo! São estes senhores,
>que numa linguagem extremamente capitalista e
>empresarial, transformam as pessoas em números:
>operáveis, desmembráveis e dispensáveis! Ao povo,
>sobra apenas, o resto matemático da divisão da riqueza
>produzida! É um acto de auto-ilusão, acreditarmos que
>os problemas desaparecem quando não falamos neles! É
>ainda, muita ingenuidade, pensarmos que nos segredos
>dos deuses (leia-se conselho de ministros) se magicam
>fórmulas milagrosas que nos elevarão para fora desta
>crise! Acredite-se no que se vê e observe-se
>atentamente! Certas tomadas de posição, anunciadas
>pomposamente e definidas num dialecto muito próximo do
>“futobolês”, como “contra o sistema” ou “contra os
>interesses instalados”, servem simplesmente para
>enevoar o espírito crítico da sociedade civil. Dê-se
>como exemplo, a legislação que possibilita os
>hipermercados venderem medicamentos que não estejam
>sujeitos a receita médica. Na verdade, ao invés da
>quebra contra corrente que se apregoa, em efeitos
>práticos, nada mais é que cedência de interesses a
>outras entidades financeiras, eleitas ocultamente, no
>mesmo pack que obtemos no dia da vitória do Partido
>“Socialista”. Estas instituições, que ilegalmente se
>colocam paralelamente ao sistema democrático,
>patrocinam a campanha deste e daquele partido, vindo
>mais tarde para cobrar a juros altíssimos o dinheiro
>que investiram. Esses dividendos, não há dúvidas, são
>totalmente pagos por nós!
>
>Numa altura em que as condições de vida se encontram
>nas ruas da amargura, das quais, em muitos países da
>América Latina, resultariam em violentas
>manifestações, custa-me compreender como é possível
>que o nosso povo continue, ano após ano, tão sereno e
>apático acerca do tortuoso curso que está a ser
>obrigado a percorrer. Ao invés de lutarmos pelos
>nossos direitos e nos preocuparmos com a nossa
>qualidade de vida, andamos entretidos com esta
>nova/velha homilia sobre a economia e a produtividade!
>Mas para que é que perdemos tanto tempo em conversas
>superficiais sobre a economia nacional, quando aquilo
>que nos afecta directamente são as oportunidades de
>emprego com salários e condições dignas e não, a
>riqueza em bruto deste ou daquele capitalista? O cerne
>do debate, nunca se pode cingir ao aumento da
>produtividade ou sequer ao aumento da produção, e
>muito menos à cega ideia que o turismo pode salvar o
>país! Uma sociedade é constituída por pessoas e são
>para elas que os esforços devem ser apontados!
>
>Nunca o povo português será livre enquanto viver sob a
>ditadura do mercado!
>
>
>Itelvino Rodriguez, V.N. Famalicão
>http://www.carapau.pt.vu

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