Author:
Luís Miguel Viana
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Date Posted: 6/04/05 21:50:31
In reply to:
Luís Miguel Viana
's message, "A história deles contada pelo DN" on 6/04/05 21:10:16
Da cisão no PCP à dissolução no Bloco
Luís Miguel Viana, DN, 02/04/05
A UDP é herdeira da divisão que se seu no PCP na década de 60 devido ao conflito sino-soviético. Francisco Martins Rodrigues (...) foi o líder dessa ruptura (...). Apoiava as críticas chinesas à URSS, criticava a “posição recuada” do PCP face à guerra colonial e defendia a passagem à luta armada. (...)
Já em Paris, cria em 1964 duas organizações ligadas entre si: o CMLP e a FAP.
O projecto é refundar o “verdadeiro” partido comunista, que fará a revolução socialista: até lá a “frente” agrupará classes sociais que não são comunistas – pequena burguesia, campesinato, etc.
A FAP e o CMLP eram a representação dessa dicotomia – a qual, depois do 25 de Abril, será retomada pela UDP, e pelo PC(R ), este último apresentando-se como “comunista autêntico” contra o “revisionismo” do partido de Cunhal.
Entre os fundadores de Paris, na maioria antigos militantes (...) comunistas, destacam-se o médico João Pulido Valente (...) e Rui D’Epinay (...).
A FAP ainda consegue algumas acções no terreno, como uma bomba na escola da PIDE e um cocktail Molotov numa esquadra, mas Pulido Valente é preso pouco depois devido a uma denúncia de Mário Mateus (...). Da cadeia consegue enviar a mensagem com a identidade do delator. Então, elementos da FAP liderados por Martins Rodrigues conseguem atrair Mateus, levam-no para o pinhal de Belas, interrogam-no e, perante a confissão, executam-no a tiro.
Passado pouco mais de um mês quase todos são presos pela PIDE e as suas estruturas em Portugal desmanteladas. Sofrem torturas muito violentas na cadeia, em especial Martins Rodrigues (...). Não aguenta e faz declarações, tal como Ruy D’ Epinay. Só Pulido Valente resiste (...). Martins e D’Epinay ver-se-ão afastados de qualquer lugar de liderança.
Em Portugal a extrema-esquerda manterá então apenas alguma actividade no corredor S. João da Madeira-Vale do Ave, em que participam, por exemplo, Pedro Baptista e Pacheco Pereira (...). São estudantes que nunca tinham estado no PCP e que se fizeram políticamente no ambiente do Maio de 68. Esta vaga é muito contra o PCP (...) e com tendência a subdividir-se em novos grupos.
Martins Rodrigues cria então, a partir da cadeia o CARPML para tentar forçar a união das organizações que tinham sido criadas fora da sua influência. Essas iniciativas vão ser completadas após o 25 de Abril com um discurso de “unidade”. (...)
A UDP conseguiu, na prática, ser o pólo de atracção para aqueles que (...) não se reviam no PCP. Com a eleição de um deputado (...) a UDP passa a desempenhar um papel essencialmente tribunício para uma juventude muito radical (...).
Em certas alturas a sua acção torna-se quase folclórica, ocupando o espaço de um PCP (...) que, no fundo, procurava, tal como hoje, ir para o Governo com o PS.
Quando, a partir de 1979, começam a sair vagas de militantes, quase ninguém vai para o PCP. Muitos, como Acácio Barreiros vão para o PS (...). Quando Mário Soares ganha a primeira volta em 1985 a UDP apoia-o e muitos pintasilguistas chegam-se ao PS.
Após uma coligação falhada com o PSR em 1983, a UDP consegue reeleger Mário Tomé como deputado independente em 1991 nas listas da UDP (...). Será em 1999, com o BE que o partido regressa com Luís Fazenda ao antigo élan parlamentar, agora com menor carga ideológica.
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