Author:
bloguista sabichão
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 19/04/05 12:10:52
In reply to:
João Laveiras
's message, "Dantes, este fórum era assim" on 18/04/05 16:55:52
Sim Senhor, bela análise.
>Fui aos arquivos e fartei-me de encontrar mensagens
>que se distinguem das babsoeiras actuias e das
>grosserias inqualificáveis de alguns pelo seu nível.
>Como mero exemplo eis aqui uma crítica à tese da
>democracia avançada no limiar do sec XXI que por lá vi:
>
>"A democracia avançada no limiar do século XXI
>proposta pelo programa do PCP leva-nos inelutavelmente
>aos ideais do socialismo utópico que apareceram no
>século XVIII e que tiveram o seu epílogo e a sua
>derrota com o socialismo científico herdeiro da
>dialéctica de Hegel e do materialismo histórico de
>Engels e de Marx, no século XIX.
>Vejamos então essa democracia avançada que o PCP se
>propõe construir:
>1. Assenta essa democracia num regime de liberdades,
>direitos e garantias individuais, o qual está já
>consagrado na actual Constituição da República e que é
>apanágio de qualquer sistema social democrata moderno.
>Aqui nada de novo.
>2. Assenta na subordinação do poder económico ao poder
>político. Aqui é que já a porca torce o rabo. O
>sistema capitalista, quer se trate de uma social
>democracia moderna, quer se trate de um liberalismo
>mais ou menos mitigado por preocupações sociais,
>caracteriza-se exactamente pelo seguinte: o poder
>político é a emanação do poder económico. Isto
>significa que a classe ou classes detentoras do poder
>económico porque possidentes dos meios de produção e
>do capital , são aquelas que estão maioritariamente
>representadas na superestrutura do Estado, através de
>representantes que elas (classes dominantes)
>escolheram e organizados em forças políticas por elas
>criadas e financiadas. Neste quadro como é que o PCP
>quer resolver esta quadratura do círculo? O programa
>não nos esclarece.
>3. Assenta igualmente numa economia mista. Essa
>economia mista caracteriza-se pela existência de três
>sectores: sector empresarial do Estado (dominado pelo
>poder político, logo pelo poder económico como se viu
>supra), sector privado (dominado pela classe detentora
>dos meios de produção como é óbvio, e o sector
>cooperativo e social, no qual o programa do PCP quer
>ressuscitar a reforma agrária. Esta divisão da
>economia em sectores produtivos segundo quem os detém
>é já processo largamente experimentado e cujos
>resultados foram desastrosos. Primeiro porque esse
>sector empresarial do estado, num sistema capitalista,
>só serve para dar prejuízo e para alimentar o sector
>privado, esse sim, verdadeiramente lucrativo para os
>capitalistas. Se, por acaso for lucrativo, é logo
>privatizado abaixo do seu real valor, como já se viu à
>exaustão. Depois, numa economia globalizante, esse
>sector cooperativo e social não tem a mais pequena
>hipótese de sobrevivência porque será sempre um sector
>descapitalizado e incapaz de adopção das novas
>tecnologias por falta de poder de investimento. Resta
>pois o sector privado e lá se vai a economia mista.
>E aqui temos, ainda que necessariamente sumariada, a
>análise dessa democracia avançada.
>Resta ainda referir o seguinte: nesta democracia
>avançada - antecâmara do socialismo - que lugar existe
>para a luta de classes, que papel desempenham os
>explorados e como é que se combatem as classes
>exploradoras?
>No quadro do pluripartidarismo referido nesse programa
>parece evidente que, ao atingir-se semelhante utopia,
>as classes trabalhadoras, defendidas nas mais amplas
>liberdades e direitos fundamentais, afastado o medo do
>desemprego e da miséria, possuidoras igualmente de
>meios de produção (sector cooperativo e social),
>convivendo pacífica e harmoniosamente com a grande
>burguesia respeitadora desses direitos, se estariam
>borrifando para o socialismo e para o seu partido.
>A democracia avançada no limiar do século XXI
>conduziria assim à extinção do PCP.
>Felizmente - ou infelizmente, consoante cada um - nada
>se passará assim. Nem a classe dominante vai ceder uma
>polegada que seja, nem as classes exploradas vão ir
>nesses contos de fadas mais próprios de sociais
>democratas do que de comunistas.
>Pelo que esta meta a que se propõe o programa do PCP
>mais não passa daquilo a que os franceses chamam de
>"foutaise"."
>
>E agora comparem isto com o que hoje se escreve aqui.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|