Author:
antónio perez metelo
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Date Posted: 5/04/05 22:08:26
Para não andarmos a enganar-nos, partamos de um princípio irrefutável não é frequente, nem muito menos normal, ver a Comissão Europeia cortar para metade, no espaço de seis meses, as previsões de crescimento da economia de um país da União Europeia. Mesmo num cenário global de abrandamento das tradicionais potências económicas europeias, sobressai um tão drástico corte das expectativas para 2005 e 2006, o maior de entre os 25. Mas há pior. Mesmo tendo em conta todas as consequências orçamentais deste marcar passo económico face a 2004, a queda do crescimento real do produto dos 2,4% de Bagão Félix para os 1,2% de Campos e Cunha não chega para explicar a subida drástica do défice público dos 3,7%, previstos pela Comissão em Outubro de 2004, para os actuais 4,9% anunciados por Joaquín Almunia.
Foi, aliás, o próprio comissário europeu para os assuntos económicos a assinalar a gravidade da correcção, dando a entender que havia questões relacionadas com ela que ainda estavam por esclarecer. O mês de Maio, com o relatório da comissão independente e com o novo Programa de Estabilidade aprovado na Assembleia da República e apresentado a Bruxelas, vai ter de desfazer essas dúvidas.
Que nos arriscamos a ser vistos como a tartaruga europeia, enquanto a Leste as lebres reduzem os seus atrasos a velocidades de entre 4% e 7% de crescimento real ao ano, parece ser já um dado adquirido. A questão de novo actual, levantada pelas previsões da Comissão Europeia, é a de corrigir a política económica anterior que se desmoronou aos olhos de todos. Volta a estar em causa a credibilidade e a consistência do rumo traçado para sair da crise. Sem esse ganho não há Pacto revisto que nos valha. O Governo tem até ao Verão para convencer os portugueses e os nossos parceiros europeus de que sabe pôr a andar a máquina da economia ao mesmo tempo que administra a rédea curta o dinheiro de todos nós. Curiosamente, parece ser a CIP, pela voz do seu presidente, que mais confiante se mostra num resultado melhor do que o previsto pelo acréscimo de confiança que o novo Governo já terá conseguido grangear entre os investidores. Se não tiver razão, contrariamente à fábula, a tartaruga lusitana cortará penosamente a meta da melhoria de vida em último lugar.
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