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Público, 19/03/05
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Date Posted: 19/03/05 7:51:31
BE recusa aliança com PS para a Câmara do Porto
"É impensável participar numa coligação que inclua a CDU, diz Teixeira Lopes
Filomena Fontes e Margarida Gomes, Público, 19/03/05
O Bloco de Esquerda rejeitou ontem a possibilidade de uma aliança autárquica com o PS para a Câmara do Porto, mas não fechou a porta a um acordo pós-eleitoral com os socialistas. "Há razões nacionais e locais para não fazermos uma coligação no Porto. A estratégia geral de orientação do Bloco, tirando Lisboa, que é uma situação muito particular, é a de concorrer autonomamente, embora abertos a independentes e activistas sociais", explicou ao PÚBLICO o deputado João Teixeira Lopes, anunciando que o BE deverá apresentar os seus candidatos no próximo mês de Abril.
De acordo com este dirigente, a posição foi assumida pela comissão permante do BE e transmitida ontem ao líder do PS-Porto, Francisco Assis, pelo próprio Teixeira Lopes, num encontro realizado ainda no âmbito dos contactos informais que dirigentes socialistas têm vindo a manter com o objectivo de viabilizarem uma plataforma de esquerda, que inclui a CDU e agregando independentes. O propósito de Assis, que encabeçará a lista do PS à Câmara do Porto, é construir uma ampla coligação eleitoral para derrotar a maioria PSD-CDS, liderada por Rui Rio. Ouvido pelo PÚBLICO, o presidente do PS-Porto desdramatizou a decisão dos bloquistas, sublinhando não ter sequer existido uma proposta formal, mas foi avisando que "o PS sozinho tem condições para se constituir como uma alternativa forte".
Para além de razões de estratégia nacional que levam o BE a querer consolidar "as votações assinaláveis" alcançadas em todo o país nas últimas legislativas, no caso concreto do Porto os bloquistas devolvem para o campo dos comunistas e dos próprios socialistas as razões da recusa. Argumenta Teixeira Lopes que "para o BE é absolutamente impensável participar numa coligação política que tenha a CDU como parceiro activo, porque a CDU é cúmplice activa das políticas de direita na Câmara do Porto". E aponta exemplos: a viabilização dos orçamentos com a abstenção dos comunistas, a aprovação do plano director municipal "com o voto salvador" do PCP. "O BE não pode aliar-se ao PS porque não pode branquear a CDU, que sempre tentou branquear as políticas de Rui Rio", insiste o deputado, que encabeçou a lista do Bloco à Câmara do Porto nas últimas autárquicas. Uma outra razão tem a ver com o que Teixeira Lopes considera ser "o quadro de instabilidade do PS-Porto". "Há vários PS: o de Francisco Assis, o de Nuno Cardoso, o de Narciso Miranda, o de José Lello... O PS não tem um interlocutor válido para uma negociação séria, o PS-Porto é muita coisa", acusa.
Recusando-se a esgrimir ao pormenor os argumentos do BE, Assis adverte para a importância política da proposta, frisando que o que estará em causa nas próximas autárquicas deve sobrepor-se a pequenas dissenções. "Devemos ter a grandeza suficiente para superar as diferenças. Nós, socialistas, também temos motivos de descontentamento com a CDU, mas não podemos perder de vista os nossos maiores objectivos", adverte.
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