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Movimento de Renovação Comunista
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Date Posted: 28/03/05 12:15:25
Com a realização das eleições de 20 de Fevereiro, os portugueses deram um sinal inequívoco de reprovação de um certo estilo de governação, mas manifestaram sobretudo uma expressiva oposição às políticas seguidas pela coligação PSD/CDS durante os três últimos anos. Na interpretação do Movimento da Renovação Comunista (MRC), os resultados destas eleições, ao atribuírem mais do que uma vontade de alternância de governo, indicaram ao Partido Socialista, enquanto partido maioritário, a necessidade de trilhar outros caminhos para o crescimento e desenvolvimento económico e social do país.
O Partido Socialista apresentou-se a estas eleições com um programa desigual. Ainda que este partido possa invocar que foi na base desse programa que o eleitorado o sufragou para governar o país com maioria absoluta, esta interpretação só formalmente é verdadeira. No entendimento da Renovação Comunista a passagem do programa eleitoral para o programa de governo devia ter sido sensível ao sentido que os 800 mil votantes à esquerda do PS quiseram inquestionavelmente manifestar. Assim não aconteceu. Cabe ao movimento social e sindical, às forças de esquerda, designadamente, intervir com legitimidade acrescida de forma a serem colmatados as insuficiências apresentadas no programa de governo, discutido na Assembleia da República nos passados dias 14 e 15.
A Comissão Dinamizadora do Movimento da Renovação Comunista analisou de forma muito positiva a participação de 8 dos seus membros nas listas do Bloco de Esquerda e a sua contribuição para os resultados obtidos por esta força política e pela esquerda em geral. Esta participação atingiu plenamente os seus objectivos, tendo-se realizado no quadro de alianças defendido por este Movimento desde a sua criação.
No âmbito de decisões anteriormente tomadas, o MRC vai iniciar o processo de transição para associação política no sentido de poder corporizar em melhores condições a renovação do pensamento, do projecto e da intervenção comunista; a reflexão, elaboração e divulgação de políticas democráticas para o desenvolvimento do país, a construção europeia e a cooperação internacional; a crítica do sistema capitalista e da globalização neoliberal; o contributo para a unidade dos comunistas; o diálogo e a acção comum entre todas as forças de esquerda. Está previsto que a assembleia constituinte desta Associação tenha lugar em Lisboa, durante o mês de Maio.
A cerca de seis meses da realização de eleições autárquicas, o MRC entende que esses actos eleitorais devem constituir um momento de reforço dos resultados alcançados pela esquerda nas eleições legislativas, de forma a localmente também dar expressão à vontade de mudança manifestada pelos portugueses. É no plano das políticas autárquicas de proximidade, orientadas para a defesa dos interesses das populações, que a democracia se torna mais consistente e se aprofunda a participação política dos cidadãos. O MRC manifesta desde já a sua disponibilidade e intenção de discutir com o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda plataformas de intervenção tendo como base de discussão os programas e as listas que, em seu entender, estejam em melhores condições para derrotar a direita e assegurar a defesa dos interesses das populações, no quadro dos princípios gerais que o MRC vem defendendo.
Lisboa, 26 de Março de 2005
A Comissão Dinamizadora do Movimento da Renovação Comunista
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