| Subject: Re: "Ex-maoistas, uma história de sucesso" |
Author:
Clara Viana
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Date Posted: 30/03/05 23:33:56
In reply to:
observador curioso
's message, "Mais um dislate do sabichão, pois então." on 29/03/05 18:13:53
Clara Viana, Pública, 15/08/04, "Ex-maoistas, uma história de sucesso"
Os numerosos ex-maoistas portugueses que são hoje figuras públicas respiram de alívio quando olham para o passado: "Felizmente nunca tomámos o poder", resume Maria José Morgado (...)
Mudaram, uns mais cedo do que outros, mas não desapareceram na multidão anónima. Estão sobretudo onde o seu passado os levou - na superestrura, como se diria então, que é o terreno da ideologia.
Estão nos media - na direcção do Público, do "Expresso", da "Grande Reportagem", da Dois e na administração da RTP1, por exemplo - e no mundo universitário, como também sucede em França. Mas ainda, o que é mais raro, nas direcções dos dois principais partidos políticos portugueses, o que significa que continuam a disputar o poder. Vários deles, aliás, exerceram já funções governativas. Exemplos: Durão Barroso, claro, mas também José Lamego, Jorge Coelho, Maria João Rodrigues ou o social-democrata Nuno Ribeiro da Silva, agora presidente da Somague Ambiente.
À semelhança daquela que foi na PJ o rosto do combate contra a corrupção e a criminalidade, os socialistas Jorge Coelho, José Lamego, Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, bem como os jornalistas José Manuel Fernandes, director do PÚBLICO, Manuel Falcão, director do Canal Dois, e João Mesquita, antigo presidente do Sindicato dos Jornalistas, a dirigente da comunidade israelita Esther Mucknik, o académico António Costa Pinto - que foram os nossos 10 interlocutores nesta incursão pelo passado -subscrevem essa curiosa particularidade que é a de estarem satisfeitos por terem sido derrotados. (...)
Manuel Falcão aderiu à UDP já depois do 25 de Abril, quando frequentava Medicina, tinha então 20 anos. Assumia-se como "marxista-leninista-maoista" (...). Manuel Falcão nunca acabarà Medicina. Deixa-se tentar pelo jornalismo, pela fotografia. O princípio é também na "Voz do Povo". Depois fundou o "Blitz", estará também à frente do "Sete", do "Independente", entre outros órgãos. Já nos anos 90 entrou no círculo próximo de Santana Lopes: a convite deste foi Presidente do Instituto Português do Cinema e chefe de gabinete do agora primeiro-ministro, quando este era secretário de estado da Cultura. (...)
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