| Subject: Auto-organização popular, autogestão popular, autodefesa popular. |
Author:
Igor Guerasimov
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Date Posted: 22/03/05 15:50:46
In reply to:
bloguista sabichão
's message, "Re: A «sociedade civil» e os seus equívocos" on 14/03/05 13:54:49
Para não dizerem que "só diz que vai dizer", aqui transcrevo uma parte de um texto do "resistir.info", a página oficial do MUR.
Auto-organização popular, autogestão popular, autodefesa popular.
Se não podemos derrubar este regime, nem através da luta de elites governantes, nem através do levantamento armado do proletariado – ainda que seja apenas porque a distribuição de classes na sociedade mudou claramente desde 1917 – torna-se necessário procurar uma terceira via, consistente, que implique o povo na construção de um sistema social alternativo. Podemos chamar-lhe "sociedade civil"? Sim, mas nunca com o sentido utilizado pelos sociólogos burgueses. A sociedade civil burguesa é uma sociedade de pequenos burgueses, egoístas, que se opõem frontalmente à intromissão do estado na sua vida privada. No fundamental, é uma sociedade leal à ordem existente e ao poder, servindo na base como ponto de apoio do regime de exploração.
Condição indispensável para a vitória das forças progressistas, num desenvolvido sistema social com predomínio da população urbana, é a presença de uma sociedade civil de novo tipo. Uma sociedade de cidadãos politicamente activos, unidos numa rede multifuncional, oposta ao regime existente, em que predomine uma tradição cultural distinta da oficial. Neste sistema, cada participante assume voluntariamente a realização dos objectivos determinados e o controlo dos processos sociais. Só um sistema assim pode servir de apoio às forças políticas progressistas na nova etapa de desenvolvimento social, só um sistema assim pode fazer frente à bem oleada máquina de exploração e derrotá-la.
A teoria da sociedade civil activa foi desenvolvida pelo destacado cientista marxista italiano, António Gramsci, na primeira metade do século XX. Mas nunca foi totalmente utilizada, nem pela esquerda ocidental de tendência trotskista, apesar do apoio do modelo soviético, o que explicará, seguramente, a sua constante pouca aceitação. Gramsci também não foi popular na URSS. Quando apareceram, para o "país do socialismo vitorioso", os seus trabalhos não eram actuais. Mas temos todo o direito de supor que é precisamente na Rússia dos começos do século XXI que podem ser levados à prática as suas concepções teóricas. Tal como nos começos do século passado, também agora estão criadas as condições necessárias para que a Rússia se converta na vanguarda do movimento revolucionário mundial, que mostre aos povos o novo caminho para um futuro radioso. Quero crer que isto não ficará por um palavreado grandiloquente.
Voltando à análise dos recentes acontecimentos na Ucrânia, sublinhe-se que este método para a transformação social é diametralmente oposto ao que foi orquestrado pelos dirigentes da "revolução laranja". Só uma revolução em que iniciativa pertença completamente ao povo pode ser designada como tal.
A nova revolução, sem dúvida, deve conter uma componente democrática. É perfeitamente possível que, por analogia com a Ucrânia, os lemas democráticos em que se instigue a renegar o regime desprezível, inclusive para muitos liberais, tenham, digamos assim, uma cor laranja. A diferença principal estará no facto das forças que vierem a expulsar a corrupta burocracia do poder, não estarem dirigidas pelos exploradores internacionais, mas por forças populares russas que, nesta revolução, aspiram a decidir as tarefas mais candentes no plano sócio-económico, mas sob lemas "vermelhos". Deste modo, a nova revolução na Rússia, sendo na sua base "vermelha", no momento de afastar do poder o regime ditatorial, contará, além do vermelho, com a sua componente "laranja".
"Rússia: o amanhecer de uma nova revolução"
por Igor Guerasimov in "Resestir.info"
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