Author:
Eduardo Prado Coelho, 27 de Outubro de 2003
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Date Posted: 9/06/05 21:03:39
In reply to:
Eduardo Prado Coelho
's message, "O inevitável" on 9/06/05 17:18:57
O Pântano
Eduardo Prado Coelho, 27 de Outubro de 2003
Como é natural. Não sou capaz de saber se houve ou não uma estratégia premeditada para derrubar a actual direcção do PS. Se houve, o êxito foi total. Se não houve, o resultado foi como se tivesse havido. É certo que a direcção contribuiu para isso. Ferro Rodrigues e os seus amigos de direcção multiplicaram-se em reacções emocionais descontroladas que acabaram por colocar o PS nas piores circunstâncias.
Desenvolveu-se um daqueles processos de autismo em espiral, em que cada gesto para corrigir o erro anterior só agrava a situação, e em que todos os que chamam a atenção para o precipício em direcção ao qual se avança são considerados menos solidários ou mesmo traidores (…).
Ferro Rodrigues afunilou em excesso o grupo dos seus colaboradores (…). Teve dificuldade em encontrar o tom justo para um discurso de oposição (…). Levou-se demasiado tempo a descolar da herança Guterres (…). Na opinião pública o sentimento de desastre crescente é manifesto (…). O PS é hoje um partido à deriva, dando uma imagem permanente de carnificina fratricida.
Neste contexto, a carta de Manuel Maria Carrilho foi a forma estereofónica que uma das principais personalidades do partido escolheu para lançar o alarme. Tal como Manuel Alegre o fez noutros termos, perante o sorriso indulgente de alguns barões de meia tigela, que obviamente preferem o quanto pior melhor.
Alguns perguntaram mais uma vez o que faz correr Carrilho, outros verberaram um estilo que não pretende criar grandes amizades no interior do próprio PS. Mas tudo isso é secundário perante o facto generalizado de que a esmagadora maioria dos leitores da carta só pode dizer que o que lá está escrito é uma verdade insofismável. Repetir-se-à a história? Iremos ver os mesmos que condenaram Carrilho por ele dizer do governo Guterres o que eles hoje dizem voltarem a condená-lo por ele dizer deste momento grave do PS o que eles amanhã dirão?
O grave é que, para um observador exterior, o PS não tem solução. Está bloqueado (em todos os sentidos do termo). Paralisou na teia de sucessores hipotéticos que se neutralizam reciprocamente. Neste momento não conta na corrida para a governação. (…)
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