VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

21/04/26 13:48:38Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 123[4]5678 ]
Subject: «Quem com ferros mata...»


Author:
Ângelo Alves
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 2/06/05 12:45:45
In reply to: Agostinho Lopes 's message, "Como é possível que os franceses tenham dito «Não»?" on 2/06/05 10:30:03

«Quem com ferros mata...»

Ângelo Alves, Avante, 02-06-05

«A Europa e a França vivem um terramoto político». Esta é a ideia chave que ressalta das notícias sobre o referendo francês à «constituição europeia». Esta não seria exactamente a ideia que a esmagadora maioria dos governantes europeus e dirigentes da União Europeia gostariam de ver na comunicação social no dia a seguir ao referendo francês, mas como bem diz o nosso povo «quem com ferros mata, com ferros morre».

A ideia de uma crise aberta com a vitória do «Não» resulta em grande medida do discurso catastrofista que os defensores do «Sim» – franceses e demais parceiros europeus – utilizaram para chantagear os cidadãos durante a campanha para o referendo.

Esta estratégia, que agora se vira contra os seus autores; as pressões internacionais a que durante muitas semanas estiveram sujeitos os trabalhadores e o povo francês; o corropio de líderes e chefes de Estado a Paris para alimentar essa pressão (nos quais infelizmente se incluiu o Presidente da República Portuguesa), somados a uma campanha governamental milionária, usando e abusando do aparelho de Estado, são factores que dão ainda mais valor à vitória do «Não».

Uma vitória que indiscutivelmente resulta da mobilização popular daqueles que mais sofrem com as políticas anti-sociais que a «constituição» visava institucionalizar - os trabalhadores e os mais desfavorecidos - contando com a importante contribuição dos comunistas franceses e demais democratas que lutaram pela rejeição do projecto de Tratado.

Do lado dos defensores do Sim, e depois da «corda esticada» é hora de rever estratégias, de enrolar um pouco a dita, de ganhar tempo e de tentar incutir através da comunicação social ideias peregrinas que desvalorizem a importância política do resultado francês e que permitam o essencial: a continuação das políticas que o Tratado visa institucionalizar, que devem continuar «dê por onde der», e a imposição a todo o custo do projecto de construção de uma potência imperialista, militarizada na Europa.

As tácticas duma mesma estratégia são variadas. Alguns tentam «chutar» para dentro de França o problema, invocando questões internas e alimentando assim manobras já em curso – como a demissão do primeiro ministro francês Raffarin e a nomeação de Villepin – que visam «baralhar e dar de novo» e criar condições para a prossecução da táctica de recurso veiculada dias antes do referendo por Giscard d'Estaing, o presidente da «Convenção Europeia», de que «Aos que não votarem a Constituição, ser-lhes-á pedido para o fazerem» num novo referendo a realizar até ao final de 2006 . Com o mesmo objectivo seguir-se-ão seguramente manobras também no interior do Partido Socialista, altamente dividido e afastado do seu eleitorado tradicional. Ou seja, operações que visam «salvar» a classe política dominante francesa, altamente fragilizada, e conter o mais possível dentro das fronteiras francesas o «problema» criado com o «Não» francês.

Mas o processo continuará e outros, como Tony Blair ou o Primeiro Ministro sueco optam por, mais ou menos claramente, defender o processo de ratificação por via parlamentar escudando-o da opinião popular. Outros ainda, como Durão Barroso ou Javier Solana, admitindo formalmente o problema criado, tentam impor a continuação do processo, sonhando com um volte face e tentando condicionar outros processos já em curso como o holandês.

As manobras futuras serão muitas e multifacetadas. O que está em causa é demasiado «importante» para se respeitar genuinamente a vontade popular. Os meios são poderosos e a concertação de classe inerente à natureza desta «Constituição» irá fazer-se sentir. Por isso, o «Não» francês deve ser olhado não como uma vitória absoluta mas como uma importante oportunidade de relançar a luta difícil e prolongada por uma outra Europa. Uma luta para a qual há que ganhar os trabalhadores e os povos, reafirmando a ideia de que para construir uma outra Europa, de paz e cooperação, é preciso primeiro derrotar esta União Europeia do grande capital e do militarismo.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Franceses travam projecto utraliberal - O «não» dos trabalhadoresAvante, 02-06-05 2/06/05 12:52:25


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.